RH

Atendimentos populares sobem e planos de saúde caem

Bruna Meneguetti | 11 agosto 2017

Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o número de pessoas saindo dos planos de saúde é cada vez maior. Em junho desse ano havia 47,3 milhões de beneficiários, enquanto no mesmo mês de 2016 eram 48,2 milhões. Entre os motivos do descontentamento está o preço. De acordo com uma pesquisa coordenada pelo professor Mário Scheffer, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o número de ações na área de saúde particular aumentou 631% nos últimos cinco anos. Entre as causas, está em primeiro lugar a exclusão da cobertura (47,67%) e, em segundo, a discussão sobre o valor da mensalidade em contratos coletivos e aposentadoria (14,98%). Mas não é de hoje que os clientes estão descontentes. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) divulgou no mês de março o seu ranking anual de atendimentos. Os dados mostraram que os planos de saúde estão no topo do levantamento há três anos.

Tecnologia
É a partir dessas reclamações e dos preços cada vez maiores, que começaram a surgir alternativas populares aos convênios médicos tradicionais. O grande aliado desses novos modelos é a tecnologia, a quem Thomaz Srougi, sócio-fundador do dr. consulta atribui parte da responsabilidade pelo crescimento do negócio, que hoje torna possível marcar as consultas através de aplicativo próprio. “A tecnologia é essencial para o não desperdício de recursos, que é hoje o calcanhar de Aquiles dos serviços de saúde. No dr. consulta, usamos um sistema que reúne todas as informações dos pacientes, dados clínicos e comportamentais. Isso elimina, por exemplo, a repetição desnecessária de exames e a impressão de inúmeras guias de atendimento”, explica. Para Thomaz, a rede é “uma prova de que serviços médicos de qualidade podem estar ao alcance de todos”. Foi com esse pensamento que ele fundou, em 2011, o primeiro centro médico dr.consulta na comunidade de Heliópolis. Hoje, há diversos centros espalhados pelo estado de SP.

Seguindo quase a mesma linha, está a Docctor Med, uma rede de franquias. Fundada em 2009 no Rio Grande do Sul, tem o objetivo de “transmitir o know how para os franqueados” por meio de treinamentos “que englobam gestão na prática do negócio e financeira, BI, implantação do Centro Médico, assessoria contábil, marketing, vendas e fidelização do cliente”, afirma a empresa. E eles garantem que esse investimento em pessoas e tecnologia é que “consolidou a rede de forma mais rápida”. Atualmente, oferecem 35 especialidades médicas e 2 mil tipos de exames laboratoriais de imagem em mais de 48 centros médicos em todo o Brasil.

Para a Nipomed — cujo atendimento funciona por meio de estabelecimentos credenciados — estar presente em diferentes lugares é importante, mas um dos fatores que mais chama a atenção para o cliente no modelo de negócios da empresa é que “não existe aumento de preços por causa da idade, como ocorre nos convênios de saúde”, além do fato de que “o cliente só paga o que utiliza e não precisa arcar com mensalidades quando não usa os serviços”. Apesar da procura da população, para Angelo Epifânio, CEO da RedeCare, — onde não há mensalidades e os clientes pagam 12% do valor da consulta no agendamento e, o restante, após a consulta — o sucesso das redes populares se deve também ao descontentamento dos médicos. “Em média o médico cobra R$ 80,00 dos planos de saúde e precisa esperar até 45 dias para receber. A ideia da RedeCare é permitir que médico e usuário possam tratar diretamente e, desta forma, o paciente paga direto para o profissional, que recebe na hora e pode definir um valor mais adequado à realidade”, explica.

Para empresas
Outra aposta dos novos modelos são os planos empresariais. Segundo a ANS, o número de pessoas acima de 49 anos que têm planos empresariais aumentou. Em 2004, eram 2,2 milhões de usuários. Este ano, já somam 6,5 milhões. Porém, os planos não estão perto de agradar a todos. Ainda de acordo com o relatório feito pela ouvidoria da Agência Nacional, foi observado que os reclamantes mais frequentes possuem contratos do tipo coletivo por adesão ou coletivo empresarial (38% e 30%, respectivamente). Para ser uma alternativa nesse sentido, a Doktor’s — que inova ao oferecer cirurgias e o tratamento de fertilização in vitro (FIV) para casais que não podem ter filhos ou arcar com os custos dos centros de reprodução humana tradicionais  —  oferece desde fevereiro o Cartão de Consulta Doktor’s, destinado a micro e pequenas empresas. “O empresário paga ao mês R$ 19,36 por vida, e o funcionário tem direito a 3 consultas com retorno por ano. Além disso, tem desconto progressivo nas demais consultas e os exames são ofertados com 20% de desconto. O cartão também pode ser utilizado assim que a empresa aderir, isto é, não existe carência”, afirma a empresa.

Outros locais que trabalham com o mesmo sistema de cartões são a Redesul e Prevencard Saúde. Para Thiago Amorim, sócio administrador do Cartão Redesul — que atende em SC e RS, focando também em empresas — o atendimento barato se deve ao número de usuários presentes na rede: mais de 50 mil. “Eles nos dão a possibilidade de conseguir boas negociações com os parceiros, seguradoras, e assim melhorar o custo oferecido”, explica, “nosso sucesso está ligado com a abrangência, o pacote tem benefícios na área da saúde, micro-seguros, residencial, vida e garantia funeral. Continuamos com foco na venda porta a porta, acreditamos que, com este modelo, estamos mais próximos dos clientes”.

Já José Góis Neto, diretor de marketing e expansão do PrevenCard, acredita que a confiança dos clientes e credenciados é o fator ideal para o negócio dar certo. “Isso foi fundamental para conseguirmos a satisfação que, por consequência, nos trás cada vez mais volume”, afirma. O PrevenCard saúde também trabalha com redes credenciadas e tem certeza de que esse será o “futuro do acesso ao atendimento médico”. E, apesar dos novos modelos populares na área da saúde estarem indo bem, quando questionado sobre o futuro dos sistema de saúde, Thiago, da Redesul, procura ser realista: “Infelizmente não vemos em um futuro próximo uma melhoria do atendimento nas redes públicas. As redes continuarão existindo como hoje, no entanto sempre se adaptando para um cliente mais exigente, independente de sua classe social”.

Quanto custa:

RedeMínimo pago/consulta*Máximo pago/consulta*
dr. consultaR$ 110,00R$ 150,00
Cartão RedesulR$ 65,00não informado
PrevenCardR$ 80,00R$ 250,00
Doktor’s R$ 88,00R$ 120,00
RedecareR$ 70,00 R$ 280,00
Docctor MedR$ 60,00R$ 100,00
NipomedR$ 42,00R$ 120,00
Cuidar MaisR$ 67,15R$126,25

* Valores consultados em 10/08/17. Representam uma média e podem ser alterados para mais ou para menos.

X

Contato

Se a sua empresa se encaixa no perfil para ser tornar Associada ou Patrocinadora, envie seus dados para podermos entrar em contato o mais breve possível.

X

Participe do Experience Club

X

Increva-se para receber
nossas Newsletters


Em breve novo site no ar!