Mercado

Carros elétricos ganham espaço no mercado automobilístico

Roberto Kamarad | 3 outubro 2017

Com as regras de emissão de poluentes cada vez mais estritas e o preço das baterias em baixa, os carros elétricos estão se tornando a bola da vez no mercado automotivo. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o número de veículos elétricos (VEs) comercializados em todo o mundo alcançou o recorde de 750 mil unidades no ano passado.

No Brasil, estudo recente da FGV Energia mostra que, desde 2011, foram vendidos 5,9 mil carros elétricos e híbridos, sendo 2.079 neste ano. Com dados da IEA, a instituição aponta que, até 2030, o estoque global de carros elétricos deve atingir 140 milhões, 10% da frota total de veículos leves de passageiros.

carros elétricos
Tatiana Bruce, da FGV

Para a analista da FGV Energia Tatiana Bruce, responsável pelo estudo, o maior responsável pela expansão recente dos carros elétricos no mundo são subsídios para aquisição. “No caso do Brasil, devido a nossa realidade econômica e social, subsídios para aquisição de carros elétricos podem não ser uma possibilidade no momento. Uma outra alternativa seria atrelar a alíquota que incide sobre veículos a sua eficiência energética ou aos gases de efeito estufa emitidos. Dessa forma, veículos elétricos seriam incentivados, além de termos também um estímulo à aquisição de veículos que poluem menos”, enfatiza.

Dada a importância do setor automotivo no processo de descarbonização das economias mundiais, vários países estão buscando formas de estimular a disseminação dos carros elétricos. Países como China, Reino Unido, Suécia, Noruega, Holanda, Dinamarca e França oferecem subsídios como: incentivos financeiros para compra de carros elétricos; isenção de taxas de licenciamento e outros impostos para novos VEs; isenção de taxas de estacionamento e acesso a áreas de transito restritos, além medidas regulatórias, como normas que visam à redução de gases do efeito estufa emitidos por automóveis e aumento da eficiência energética de combustíveis. Estas variáveis permitiram que, nestes países, os VEs já representem mais de 1% do mercado automobilísticos. No caso da Noruega, a fatia de carros elétricos já ultrapassa a marca de 20%.

Mercado brasileiro
Enquanto no Brasil ainda não existe uma política definida para os veículos elétricos, países como França e Reino Unido já divulgaram que, a partir de 2040, não serão permitidos carros com motor convencional. Já as cidades de Madri (Espanha) e Atenas (Grécia) ameaçam eliminar os movidos a diesel já a partir de 2025.

Segundo Tatiana, as principais dificuldades para disseminação dos carros elétricos no país são, em grande parte, as mesmas encontradas em outros países. “Antes do carro elétrico se tornar comum, ele deve ficar mais barato, com maior autonomia e a resistência inicial ao seu uso precisa ser vencida. Para endereçar as duas primeiras questões, espera-se que as baterias de íons de lítio – as grandes responsáveis pelos preços ainda elevados dos carros elétricos – se tornem substancialmente mais baratas e com maior capacidade de armazenar carga nos próximos anos”, enfatiza. Enquanto isso não ocorre, acrescenta Tatiana, incentivos são necessários para que a mobilidade elétrica continue se desenvolvendo.

Dentre as iniciativas existentes no Brasil se destacam as políticas públicas de incentivo à tecnologia veicular, como o Inovar-Auto e o Inova Energia, bem como reduções do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Importação sobre híbridos e os veículos elétricos puros (BEVs, da sigla em inglês para Battery Electric Vehicles).

Em seminário realizado na semana passada, em São Paulo, o analista do Ministério da Indústria (Mdic), Ricardo Zomer, assumiu que, futuramente, o governo poderá estimular a produção de VEs e inserir medidas como a redução de IPI para os modelos.

Movimento das montadoras
A “onda de eletrificação” apresentada no Salão do Automóvel de Frankfurt, que aconteceu entre os dias 14 e 24 deste mês, ilustra com exatidão como os carros elétricos se tornaram a menina dos olhos das grandes montadoras. Recentemente, a Volkswagen anunciou aportes de € 20 bilhões (R$ 74,762 bilhões) para que, até 2030, todos os seus veículos ofereçam opções que não emitem poluentes. A BMW, por sua vez, se prepara para produzir VEs em massa até 2020, com 12 modelos diferentes até 2025. Já a Smart, empresa do grupo Daimler e especializada em compactos, vai mais além: a partir de 2020, a companhia não terá nenhum carro com motor a combustão.

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