Mercado

Chineses investem no aprendizado de português

Sonia Nabarrete | 18 setembro 2017

A China, principal parceiro comercial do Brasil, é hoje o país onde mais se aprende português. A língua é ensinada em 28 universidades e o número de instituições que ensinam o idioma tende a aumentar. A avaliação é do linguista português João Malaca Casteleiro, que trabalhou cinco anos como examinador externo no Instituto Politécnico de Macau. O especialista vê a China como agente da globalização do português, que hoje é falado em quatro continentes, sendo o quarto idioma mais falado no mundo, em termos absolutos, e o terceiro, em ambientes de negócios relacionados a óleo e gás, além de ser a língua oficial de oito países.  O domínio do português representa uma vantagem para quem quer negociar com esses países, onde se destaca o Brasil.

Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), a China é o maior parceiro comercial brasileiro desde 2009. No ano passado, o intercâmbio entre os dois países totalizou US$ 58,49 bilhões. O Brasil exportou US$ 25,13 bilhões com um superávit de US$ 11,76 bilhões. As exportações brasileiras para o mercado chinês estão concentradas em proteína animal, grãos, minérios de ferro, polpa e celulose. Já as importações estão focadas em produtos de alta tecnologia, como máquinas e materiais elétricos e mecânicos, além de produtos químicos orgânicos.

Educação
Marcos Caramuru, embaixador brasileiro na China, aposta no crescimento de negócios com esse país, que tem mais de 1,3 bilhão de habitantes e uma demanda cada vez maior por produtos brasileiros em função do aumento da renda per capita da população. Nos primeiros quatro meses deste ano, a China foi responsável por mais de 40% do superávit comercial brasileiro. Houve aumento no volume e também nos preços de commodities agrícolas e minerais.

Em contrapartida, é crescente a participação de estatais chinesas em obras de infraestrutura no Brasil, principalmente nas áreas de energia e transporte, e também no setor agropecuário. No ano passado, a China Three Gorges assumiu a concessão das usinas hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira, no Paraná, e a State Grid, a construção das linhas de transmissão que levarão a energia produzida na Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, para a Região Sudeste.

Dentro deste contexto de negócios entre os dois países, falar a língua do parceiro é um diferencial. Isto explica a crescente procura por cursos de mandarin por executivos brasileiros e do português, pelos chineses. Na China, o interesse pelo aprendizado do português começou em Macau, cidade  colonizada pelos portugueses de 1557 a 1999, quando passou a ser administrada pelo governo chinês, da mesma forma que Hong Kong.  Hoje, o português é falado apenas por 2,4% da população macauense, segundo o último censo, realizado em 2006, mas está presente como uma segundo língua. Nas placas da cidade, a denominação vem primeiro em cantonês, a língua falada por 94% da população, seguida da tradução em português.  A cidade foi escolhida para o projeto de expansão dos estudos de língua portuguesa em território chinês por causa da sua dimensão econômica e geopolítica, que atende aos interesses da China na América Latina e, sobretudo na África losófona.

Estudos realizados pela ONU e publicados no Atlas da Língua Portuguesa de 2016 mostram que embora o Brasil seja hoje o país com mais pessoas que falam português, deverá perder seu posto em função de transformações demográficas, Enquanto o crescimento populacional brasileiro é contido, na África há uma explosão, capitaneada por Angola e Moçambique.

 

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