Finanças

Como a crise política interfere na economia brasileira

Sonia Nabarrete | 10 agosto 2017

Apesar da crise política, que se agravou a partir das denúncias do empresário Joesley Batista, da JBS, contra o presidente Michel Temer, a economia brasileira começa a dar sinais de recuperação em vários setores. Para Fábio Gallo, professor de Finanças na PUC-SP e na FGV-SP, os desdobramentos na economia não foram devastadores como seria de se esperar porque a crise institucional teve seu ápice no momento em que o Brasil já vinha se recuperando, após um período extremamente difícil de recessão. Ele lembra que algumas medidas ajudaram a conter o baque, como a criação da PEC do teto dos gastos públicos, aprovada no ano passado, que prevê o crescimento das despesas federais por 20 anos, apenas com base na correção da inflação, e também à liberação das contas inativas do FGTS, que injetou mais de R$ 40 bilhões na economia, além da aprovação da reforma trabalhista.

Economia

Gesner Oliveira, professor de Economia na Fundação Getúlio Vargas e sócio da GO Associados, também atribui o crescimento a uma agenda econômica mais racional e equilibrada, que busca atacar problemas estruturais, a redução do impacto da crise política. “A melhora da qualidade da gestão econômica impulsionou a confiança dos investidores e empresários sobre a recuperação da economia brasileira, fato que pode ser visto com a melhora dos preços dos ativos domésticos (Bolsa e real/dólar) desde meados de 2016”, afirma. Ele lembra que diante desse cenário de aumento da confiança, melhora dos preços dos ativos internos (valorização do real ante o dólar) e queda da inflação, o Banco Central começou a reduzir a taxa básica de juros desde o fim de 2016. “A taxa Selic, que estava em 14,25% aa e agora está em 9,25% aa (podendo chegar a 7,5% aa, segundo projeção Focus, do Banco Central) sustenta este cenário de recuperação gradual da economia brasileira”, explica.

Gesner Oliveira ressalta que, além disso, alguns setores não dependem do governo para alcançar bons resultados. É o caso da venda de máquinas agrícolas, beneficiada pela safra recorde, a recuperação dos preços internacionais das commodities, principalmente petróleo e minério de ferro, e ainda a melhora do mercado argentino que impulsionou a exportação de veículos.

Professor e economista Gesner Oliveira, da GO ASSOCIADOS
Professor e economista Gesner Oliveira, da GO ASSOCIADOS

Para este segundo semestre, os economistas Fábio Gallo e Gesner Oliveira acreditam na retomada gradativa da economia, mas não o suficiente para que o governo alcance sua meta. Para Gallo, o Programa Especial de Regularização Tributária, da forma como foi configurado, dando descontos de até 99% para pagamento de dívidas, “não vai ajudar o governo a sair do vermelho”. Com a proposta original do novo Refis (Programa de Recuperação Fiscal), o governo esperava arrecadar R$13,3 bilhões, mas esta expectativa caiu para R$500 milhões após as mudanças feitas pelo seu relator, o deputado Newton Cardoso Junior (PMDB-MG). Gesner adverte que, embora ajude a melhorar a arrecadação de impostos, a edição de sucessivos Refis cria um incentivo perverso: muitos empresários adiam o pagamento de dívidas, esperando acordos mais camaradas.

Para os economistas, o equilíbrio das contas do governo passa necessariamente pela reforma da previdência social, que hoje consome 57% do orçamento federal. “A reforma da previdência é vital, tanto do ponto de vista de solvência do setor público como de justiça social. Se não for aprovada neste governo, fatalmente terá que ser aprovada no próximo. O país não possui escolha, e quanto mais for adiada, mais duras serão as mudanças”, sentencia Oliveira. Gallo endossa:“Quem é contra a reforma da previdência não sabe o que está acontecendo no país”.

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