Finanças

Como ficam os IPOs na bolsa com o terremoto político?

Mariana Segala | 29 maio 2017

A bolsa de valores brasileira – a B3 (antiga BM&FBovespa) tinha passado quase um ano e meio sem uma única abertura de capital. Até que o movimento das empresas em direção ao pregão de ações recomeçou, em outubro do ano passado. Nos seis meses seguintes, quatro empresas fizeram IPOs, sigla em inglês para as ofertas iniciais de ações. A expectativa era tão positiva que o presidente da B3, Edemir Pinto, falava em pelo menos 17 ofertas de ações durante o ano, entre IPOs e operações de empresas já listadas na bolsa.

Mas chegou o dia 17 de maio, a fatídica quarta-feira em que foram reveladas conversas comprometedoras entre o presidente Michel Temer e Joesley Batista, dono da empresa JBS. O que se revelou a partir dali – como o aval de Temer à compra do silêncio do deputado Eduardo Cunha, atualmente preso, pela JBS – enlouqueceu os mercados. No dia seguinte, o mecanismo de circuit breaker (que interrompe as negociações quando a queda do Ibovespa supera 10%) chegou a ser acionado. O dólar disparou, assim como os juros.

Por algum tempo, pareceu que a retomada dos IPOs esperada em 2017 ficaria para depois. Mas passados alguns dias, a figura é outra. Na última terça-feira (23), o Carrefour protocolou um pedido de abertura de capital junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No dia seguinte, a empresa de tecnologia Tivit fez o mesmo. A leitura do mercado parece ser a de que boas empresas ainda encontram espaço para captar recursos, apesar das incertezas. “Com a bolsa enfraquecida pelo cenário econômico e político, houve um período muito grande de inércia. As prateleiras estão cheias de empresas em busca de recursos porque muitas resolveram esperar mais clareza no horizonte”, avalia Pedro Galdi, chefe de análise da consultoria independente Upside Investor.

E o que esperar para as próximas estreias? Experience Club fez um sobrevoo pelas já realizadas. Metade vai bem, metade nem tanto – o que talvez dê uma ideia do que o futuro reserva para os investidores. Confira:

Alliar – Das ações de empresas que estrearam na B3 nos últimos meses, as dos laboratórios de diagnóstico por imagem Alliar são as únicas em queda. O recuo acumulado desde outubro era de cerca de 15% até a última quinta-feira (25). Entre os operadores, a suspeita é de que o preço dos papéis na oferta, de R$ 20, estivesse valorizado demais em um momento ainda incerto na economia. O desempenho, no entanto, não representa uma sentença de morte para as ações. “É possível que o mercado simplesmente ainda não tenha dado a devida atenção a essa empresa, por ser muito recente no pregão”, diz Galdi.

Movida – As ações da locadora de automóveis Movida não se saíram muito bem no dia da estreia, em fevereiro. Mas depois de passar um mês patinando, os papéis engrenaram e, agora, acumulam alta de perto de 22%. A empresa protagonizou o primeiro IPO de 2017. Foi responsável por “puxar a fila” das operações seguintes – ainda que a concorrente Unidas, que também preparava uma abertura de capital na mesma época, tenha desistido do negócio logo depois disso.

Hermes Pardini – O laboratório mineiro de medicina diagnóstica disparou na bolsa desde a estreia, em fevereiro. As ações da empresa, que saíram cotadas a R$ 19, acumulavam alta de 27%. Empresa antiga, fundada na década de 1950, o Hermes Pardini começou a adquirir laboratórios para crescer de 2010 para cá. Pretende usar os recursos captados no IPO justamente para ganhar mercado.

Azul – A abertura de capital da companhia aérea parecia uma novela. Foram três tentativas desde 2013, e nenhuma tinha vingado por causa das condições do mercado. Por pouco a quarta não sai: por conta do vazamento de informações ao mercado, a operação chegou a ser suspensa pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um dia antes da data prevista para a estreia da empresa na B3. As ações, vendidas a R$ 21 na oferta, subiram no primeiro dia – e continuaram subindo depois. Agora, acumulam valorização de cerca de 19% desde a estreia.

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