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Como a tecnologia afeta a forma de educar?

Bruna Meneguetti | 18 setembro 2017

Basta olhar o cenário das multinacionais para ver como as empresas estão investindo tecnologia em educação. A ferramenta TenMarks, da Amazon, auxilia no ensino da matemática e escrita, oferecendo exercícios e assistência digital personalizada, que pode sinalizar quando há erro na conta ou texto. Já a Microsoft investe em óculos de realidade aumentada, os chamados HoloLens, usados em faculdades de medicina dos Estados Unidos. E esses são só alguns dos exemplos de como as tecnologias vão impactar a área dos estudos. Para Antonio Almeida, — sócio de consultoria da EY Brasil e especialista em RPA (Robotic Process Automation) — as escolas terão, cada vez mais, aulas virtuais. Já as lições feitas no caderno vão diminuir. “Hoje há alunos que têm 4 horas de aula de professor virtual. Então, de acordo com a resposta do estudante, o software de inteligência artificial sabe achar uma solução”, explica Antonio.

Nesse sentido, para as novas gerações, os livros também podem estar mais presentes no ambiente virtual. A Árvores de Livros, plataforma de leitura digital com milhares de obras, permite, por exemplo, que os alunos leiam quantos livros quiserem. Atendendo escolas públicas e privadas, a Árvore já possui mais de 10 mil títulos disponíveis e está adicionando 5 mil jornais e revistas do Brasil e do mundo. “Como somos focados na educação básica, disponibilizamos uma série de relatórios de leitura e comportamento para gestores em tempo real. Ainda apoiamos as escolas com uma assessoria pedagógica e também uma série de projetos de leitura para parceiros”, explica João Leal, co-fundador e diretor da plataforma.

Mudanças à vista
Na opinião de Ricardo Vilanova, — também sócio de consultoria da EY Brasil e especialista em RPA — “sempre que se fala de aprendizado e máquina é uma relação de comando, mas essa experiência vai mudar porque a robótica e inteligência artificial vem para complementar a capacidade das pessoas”. Ela também acredita que a tecnologia vai “conseguir complementar o professor e enxergar cada aluno como um indivíduo. Ou seja, a pessoa vai aprender o que é minimamente necessário e depois criar um currículo para si”. Mas, para Antonio Almeida, o grande desafio é como princípios pedagógicos e a tecnologia vão agir. “A tecnologia vai entrar nesses métodos ou ela vai criar um novo?”, questiona. “Hoje é muito mais importante aprender a aprender, porque há um leque de ferramentas”.

Nesse sentido, a Google também não fica atrás, com iniciativas como o G Suite for Education, a empresa permite que qualquer pessoa possa criar aulas virtuais e adicionar alunos, além de acompanhar as notas e progresso das atividades executadas, respondendo a dúvidas particulares. Atualmente, o G Suite conta com 70 milhões de professores e alunos ativos globalmente, inclusive no Brasil. Segundo o porta-voz Alexandre Campos, isso pode ser bom já que os professores estão acostumados com processos difíceis e inovações tecnológicas que nunca dão certo. Por exemplo, para levar os alunos a uma sala de informática e ligar os computadores, os educadores podem perder de 15 a 20 minutos.

Por essa razão, a Google desenvolveu um computador próprio junto dos grandes fabricantes. “Os Chromebooks são leves de carregar, rápidos, baratos e possuem uma bateria que dura de oito a 12 horas”, explica Alexandre. Segundo a empresa de pesquisas Futuresource, em 2016, 58% dos computadores que foram adquiridos para aulas nos EUA eram Chromebooks. Atualmente, de acordo com a Google, existem 20 milhões desses computadores espalhados pelo mundo. E outros elementos bacanas oferecidos são o Cardboard e Google Expedition, que escolas brasileiras já utilizam. Com eles, os alunos podem “viajar” para outros lugares do planeta e ver, através da realidade virtual, enquanto o professor explica. Com essa possibilidade, já são 1 milhão de estudantes usando o Expeditions. “A nova geração não tem paciência para ficar na sala por muito tempo. O grande desafio de hoje é conseguir instigar a curiosidade dos alunos para estudarem e resolverem problemas”, afirma Alexandre. Dentro do mesmo pensamento, Antonio acredita que a “escola vai ser somente para convivência” e dá o exemplo: “na Europa, para estudar renascimento, a criança vai para o Louvre com laptop na mão. Isso é o futuro. Cada vez menos aulas expositivas e cada vez menos tendo que decorar coisas”, explica.

É também apostando em uma sala de aula “diferente” que a Google experimenta novos espaços “onde as cadeiras não estão enfileiradas, nem fixas, incentivando as pessoas a se mexerem e terem espaços para apresentarem”, informa Alexandre. Mas Antonio alerta: “se nada for feito no Brasil essas tecnologias podem aumentar a desigualdade. Vamos ter uma parte da população estudando com quadro e giz e outra com realidade virtual. Mas, quando bem utilizadas, elas têm o poder de uniformizar a educação”. É nisso que João Leal aposta, ao levar os livros para milhares de crianças pelo país. “A tecnologia ajuda demais todo o processo. Possibilita a comunicação, permite levar nossa solução a um custo muito baixo e desenvolve um novo mercado para as editoras”. O reflexo, vemos nos estudantes, como um aluno de Natal que leu mais de 100 livros no ano passado e a aluna do 5º ano do interior de São Paulo que “escreveu uma carta contando como a família mudou os hábitos e passou a ler livros junto”, informa João.

 

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