Mercado

Crise na educação leva à busca de financiamento

Sonia Nabarrete | 18 setembro 2017

A partir deste mês, 90 mil estudantes e 20 mil pesquisadores deixarão de receber as bolsas de estudo pagas pelo CNPq, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (MCTIC). A medida, que interrompe carreiras e pesquisas, é resultado do corte de 44% no orçamento inicial de R$1,3 bilhão. O Fies, programa do governo destinado a financiar a graduação no ensino superior, também está em crise e deverá ser revisto, por causa da inadimplência de 53% dos estudantes beneficiados.  Sem o apoio do governo, quem quer estudar está recorrendo a bolsas oferecidas por faculdades ou empresas e financiamentos de companhias especializadas.

Neste cenário, a startup Biva, que inovou em 2015, ao oferecer investimentos de pessoas para financiar empresas, resolveu usar sua expertise para o financiamento coletivo estudantil. “Não somos uma financeira, esta parte fica a cargo da nossa parceira, a Socinal. A nós cabe todo o trabalho para unir as duas pontas: quem quer investir e quem precisa de investimento”, esclarece o CEO Jorge Vargas Neto.

Para o programa-piloto do financiamento estudantil, a Biva selecionou 107 estudantes, tomando por critério o desempenho no Enem, entre mais de 120 mil interessados, e conseguiu cerca de 170 investidores, que contribuíram com R$ 5 mil cada um para o prazo de 12 meses.

Jorge explica que os alunos começam arcando com 40% da mensalidade e a participação vai aumentando até chegar a 80% no final do curso. “Investimos em excelentes alunos e damos todo o suporte para que encontrem um bom trabalho durante o curso e assim possam contribuir”, explica ele.

Para os investidores, o retorno de 1% ao mês, que pode ser maior do que no Tesouro Direto, é compensador, sem contar a satisfação de aplicar o dinheiro em um programa de grande impacto social.

Uma nova seleção de candidatos a participar do crédito coletivo estudantil será realizada ao final do semestre, desta vez incluindo também estudantes que querem fazer pós-graduação, por meio de parceria com a Fundação Estudar.

Crédito estudantil
No Brasil, a maior empresa de crédito privado para estudantes é a Pravaler, criada em 2006. Desde então, fez parcerias com 300 instituições de ensino espalhadas por 23 estados e mais o Distrito Federal, atendeu 80 mil alunos e financiou R1,5 bilhão em mensalidades. A empresa não exige nota de Enen, conta bancária dos interessados, e aceita solicitações durante o ano todo para financiamento de cursos técnicos, de graduação e pós-graduação.

A ajuda para estudar também pode vir de bolsas de estudo, oferecidas pela empresa em que o aluno trabalha ou pela faculdade em que vai estudar. Entre as que oferecem esta possibilidade estão: Centro Educacional Anhanguera (ANHANGUERA), Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL), Universidade de Franca (UNIFRAN) Universidade Cidade de São Paulo (UNICID),Faculdade Nordeste (FANOR | DeVry) , em Fortaleza, Faculdade Boa Viagem (FBV | DeVry)  em Recife, Faculdade Ruy Barbosa (Ruy Barbosa | DeVry), em Salvador.

A Laureate Brasil, com 12 instituições de ensino que ocupam mais de 50 campi em oito estados, mantém um programa de bolsa de estudos que contempla os alunos que optarem pelo ensino à distância. A modalidade padrão dá 20% de desconto nas mensalidades dos que iniciam cursos de graduação e pós-graduação. O desconto sobe para 30% no caso de docentes da rede pública e privada, funcionários públicos, ex-alunos e estudantes com excelente desempenho no Enem.

Quem trabalha, pode consultar o RG sobre a concessão de bolsas de estudo pela empresa. Cada uma tem as suas próprias regras, mas em geral o benefício é concedido a funcionários que fazem cursos ligados à área em que trabalham.

O último censo do IBGE mostrou um crescimento no número de brasileiros com diploma universitário: eram 2,4% em 2000 e 7,9% em 2010. Outra pesquisa, mais recente,feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com 40 países, e publicada na Education at Glance 2016, mostra que apenas 14% dos brasileiros chegam ao ensino superior, índice considerado baixo em relação à média de 35% dos países pesquisados.  O Brasil está atrás do Chile, com 21%, da Colômbia, com 22% e da Costa Rica, com 23%.

Segundo o Capes, o Brasil tem hoje 122.295 estudantes de pós-graduação, dos quais 76.323 são de mestrado acadêmico, 4.008, de mestrado profissional, e 41.964, de doutorado. Há um crescimento constante na emissão de títulos, mas seus titulares ainda representam menos de 0,5% da população. Esse segmento é reconhecido no mercado de trabalho, que paga quatro vezes mais a quem tem mestrado e seis vezes mais a doutores, segundo levantamento do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do MCTIC.

Carreira pensada
Mas avançar nos estudos e ser melhor remunerado faz parte de uma trajetória que começa com o curso de graduação, ainda pouco acessível à maioria dos brasileiros. O estudante que não tem recursos próprios pode concorrer ao ProUni, programa do governo que oferece bolsas de estudo de 50%, para candidatos com renda percapita familiar de até 1,5 salário mínimo, ou integrais, para aqueles com renda percapita familiar de até 3 salários mínimos. Para concorrer, o estudantes deve participar do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), na edição imediatamente anterior ao processo seletivo e obter a nota mínima estabelecida pelo MEC.

A renda familiar percapita familiar, de até 3 salários mínimos, e a classificação no Enen também são requisitos para concorrer ao FIES, financiamento das mensalidades de cursos em faculdades particulares.  O estudante paga apenas uma parcela trimestral, referente aos juros do financiamento, que prossegue durante um prazo de carência, de alguns meses, após a formatura. Depois disso, a dívida é parcelada e pode ser estendida por vários anos.

 

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