Descompressão

De onde vêm as moedas?

Bruna Meneguetti | 2 outubro 2017

Você provavelmente já passou por isso: precisava de troco, mas o caixa eletrônico só tinha notas de R$ 50 e R$ 100, com sorte R$ 20. Ou o comerciante não tinha moedas e precisou vender o produto por outro valor. Fato é que as moedas e notas baixas estão cada vez mais difíceis de achar, o que nos leva à pergunta: de onde elas vêm?

Segundo o Banco Central do Brasil, realmente só há como sacar valores de R$ 10 ou mais. As cédulas de R$ 2 e R$ 5, assim como as moedas, são distribuídas pelos bancos  comerciais para empresas, pessoas jurídicas e o comércio em geral, que “solicitam trocos para atender à demanda de seus clientes”, explica o BC em nota.Mas o ciclo todo começa com a Casa das Moedas, que faz a aquisição para posterior armazenagem no BC. O Banco Central, por sua vez, distribui ao Banco do Brasil. Por fim, o BB faz o atendimento aos bancos comerciais, que realizam as transações.

Ainda segundo o Banco Central, existem em circulação atualmente 25,2 bilhões de moedas, 1,23 bilhão de cédulas de R$ 2 (equivalente a cerca de 19% do total de cédulas) e 538 milhões de cédulas de R$ 5 (equivalente a cerca de 10% do total). Então, onde todos esses trocados estariam? De acordo com um pronunciamento do presidente do BC, Ilan Goldfajn, para a campanha “Caça ao Tesouro”, feita em agosto desse ano, o número estimado é de 8,7 bilhões de moedas entesouradas, que corresponderiam a aproximadamente 1,4 bilhões de reais.

Fonte: Banco Central

João Nani, biólogo, admite que o principal culpado pelo entesouramento pode ser a mania de muitos deixarem as moedas largadas dentro de cofrinhos, como ele faz. “Às vezes espero juntar 60 reais para trocar as moedas”, explica. Já Arthur Richard, estagiário na área de automação, diz que elas podem até incomodar no bolso, mas são úteis. “Falam que as moedas não são dinheiro, mas elas já me salvaram na hora da fome e a pagar o ônibus quando estava sem notas”.

Apesar de negligenciadas por uns, as moedas são a menina dos olhos dos comerciantes, que sofrem com o troco. Vitor Hugo, sócio da loja Império Arcanjo, que vende produtos esotéricos e aromatizantes, conta que chegou a ir até o posto de gasolina próximo ao estabelecimento para trocar o dinheiro de um cliente. “Acho que o principal culpado pela falta de troco é o cartão de crédito, por causa da situação econômica do país e também pela falta de segurança de andar com dinheiro”, explica Vitor. “Para evitar a falta de trocado, a minha estratégia é usar menos cartão no dia a dia, assim tenho dinheiro para as compras dos clientes”.

Para suprir a demanda, ainda segundo o BC, em 2016, foram postas em circulação 761 milhões de unidades de novas moedas, número 11% superior a 2015. Os custos dessa produção chegaram a R$243 milhões.

 

Você Sabia?

As primeiras moedas feitas no Brasil foram as de 960 réis. Elas vieram da prata de moedas de “8 reales espanholas”, que eram cunhadas nas colônias da Espanha e “circulavam por diversos países, incluindo o Brasil”. Ainda de acordo com o BC, foi Dom João quem oficializou a “utilização do dinheiro no território brasileiro”De acordo com uma pesquisa realizada em 2012 pelo BC, as cédulas de R$ 2, R$ 5 e R$ 10 costumam ter uma vida útil de 14 meses. As moedas “tortas, perfuradas, desfiguradas ou com danos de qualquer outra natureza” podem ser trocadas através das instituições financeiras bancárias, que as recolhem e encaminham para o Banco Central (responsável pela destruição das mesmas). Este faz um recibo e, após o resultado do exame feito no material, pode ressarcir o valor.As pessoas, físicas ou jurídicas, são obrigadas a receber pagamentos em moeda metálica de até 100 moedas de cada valor.Moedas e cédulas têm uma tabela de custos. A produção de mil notas de R$ 2 custa R$ 242,73, assim como a de R$ 5. E, apesar de terem valor mais baixo, o custo de produção de moedas é maior, sendo que as de 0,05 centavos custam R$ 282,13 o milheiro.
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