5 Perguntas

Fraudes no microscópio

João Luís Costa | 4 novembro 2015

A Fico é uma das maiores empresas de soluções de scores para o mercado norte-americano, além de prover também softwares de prevenção a fraudes, lavagem de dinheiro e segurança interna a empresas. No Brasil, a empresa opera desde 1998 e seu diretor-gerente da empresa na América Latina e Caribe, Alexandre Graff, conversou com o Experience Club sobre os planos da companhia.

Fraudes em empresas em geral são como icebergs. Quando um executivo é pego ou preso, a empresa geralmente não fala nada, a não ser que seja um caso muito escandaloso, pois isso produz uma perda de prestígio muito grande. Dentro deste cenário de não divulgação das informações, como estão os negócios na área de anti-fraude?
Recentemente a Fico fez uma aquisição muito importante, a TONBELLER, empresa líder do mercado europeu para soluções voltadas contra crimes de colarinho branco e lavagem de dinheiro e toda parte de segurança corporativa. Então, como consigo evitar o crime de lavagem de dinheiro ou, aí sim bem focado em instituições financeiras, como bancos e seguradoras, que são segmentos fortemente regulamentados por instituições locais e internacionais a estar em compliance e evitar multas compensatórias ou penalidades bastante altas? Como consigo ajudar essas instituições a também evitar fraudes internas? Isso, a TONBELLER faz e vem complementar nossa tecnologia. Então, hoje temos uma suíte de soluções que olha todo esse ciclo de vida de um cliente, desde o momento em que capta o cliente até o de ofertar novas soluções ou produtos, verificando se ele está usando sua instituição de uma maneira fraudulenta ou não, se precisa tomar uma ação como, por exemplo, cobrança, onde nossa tecnologia permite definir toda uma estratégia para abordar da melhor forma aquele cliente , pois algumas pessoas, quando recebem uma ligação sobre atraso, se sentem incomodadas. Será que, de acordo com o perfil daquela pessoa (e, aí, muitas variáveis sendo analisadas) você pode melhorar sua estratégia de cobrança?

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Alexandre Graff, diretor-gerente para a América Latina e Caribe.

A Fico usa rede neural de processamento?
Sim, usamos rede neural extensivamente. Por exemplo, o Falcon, nossa solução hoje responsável por toda essa parte de aprovação de transações de cartão de crédito, é baseado em redes neurais para que você possa realimentar a solução em tempo real, ao mesmo tempo em que está aprendendo com a situação. Um ponto bastante interessante é que nós temos um consórcio de informações que reúne instituições financeiras no mundo inteiro, que atualizam a Fico com informações sobre fraudes ou potenciais fraudes no mundo. Com base nisso atualizamos nossos modelos e os distribuímos para nossos clientes financeiros, que estão sempre com a tecnologia mais nova possível para se precaverem de fraudes que podem acontecer, seja no mercado financeiro, numa grande empresa, que podem levar a prejuízos de muitos milhões.

Quantos data scientists trabalham na Fico? Como vocês trabalham com big data?
A Fico tem em torno de 2.500 funcionários no mundo todo. Eu sou responsável por América Latina, então gerencio do México para baixo. Temos um grupo mundial de consultoria de negócios, que envolve toda nossa parte de Analytics, onde estão os data scientists para desenvolver esses modelos e, também, dentro desse grupo, todos os consultores de negócios, pessoas altamente especializadas, vindas de posições-chave de mercado, para nos ajudar a ter discussões de altíssimo nível com os clientes e para compartilhar com eles as melhores práticas do que a gente faz no mundo inteiro. O que hoje estamos fazendo na África do Sul, na Turquia ou nos Estados Unidos, como isso pode ser relevante de alguma forma e como pode ajudar o cliente aqui no Brasil? Como se pode construir um melhor modelo de crédito para uma rede de varejo no Brasil ou no Chile? Ou para um banco no México? Esse grupo também trabalha no tratamento das informações que os clientes enviam para que possamos, com elas, construir modelos específicos e analíticos para aquele cliente. Porque cada cliente tem uma base de consumidores ou de usuários, que varia de cliente para cliente. Então, o comportamento e o que você pode extrair de cada base tem sua variação. Assim, fazemos um trabalho cliente a cliente, com base no que eles têm de informação.

A questão do cadastro positivo gerou uma discussão ampla, por conta da percepção da própria noção de crédito das pessoas no Brasil. Quais foram as situações mais difíceis ou interessantes que vocês encontraram ao vir trabalhar aqui?
Estamos no Brasil desde 1998 e desde então atuamos em diversas outras frentes como, por exemplo, modelos analíticos, mas não a parte de scores em si, toda a parte de combate e prevenção à fraude, transações de cartões de crédito. Temos grandes bancos no Brasil utilizando nossa tecnologia para autorização de transações; a parte de originação de clientes. Então,  vemos desde seguradoras, varejistas e bancos utilizando nossas soluções para identificar se aquele cliente pode ter sua proposta aceita ou não. Quando a gente fala de seguro, você sabe que tem que ser aprovado, tem todo um cálculo para verificar o valor do seu sinistro. Temos hoje uma série de soluções implantadas e, para nós, Brasil é o principal motor da América Latina em receita para a Fico, trabalhando muito próximo com o México. A gente também tem uma operação muito forte no Peru, Chile e em países como República Dominicana e Porto Rico. Assim, temos uma operação muito diversificada na América Latina e trouxemos diferentes tipos de soluções para cada mercado, sempre replicando o sucesso que a gente tem internacional, mas não se baseando exclusivamente no grande pilar mundial que a Fico tem, que são os scores, porque sabemos que a cultura, no Brasil, é diferente.

Mas, em relação às questões culturais, no final das contas as pessoas não são tão diferentes, senão não seria possível fazer negócios ao redor do mundo.
Sem dúvida, e estamos todos imersos numa cultura ocidental. Mas a Fico também faz muitos negócios na parte oriental. Ou seja, por mais que sejam culturas tão distintas, a empresa global se adapta a essas culturas, leva sua tecnologia para essas culturas e maximiza o uso dessa sua tecnologia para diferentes culturas. Assim, o grande ponto é: se você tem alguém que não está negativado, mas que paga suas contas sempre com 30 dias de atraso, por que essa pessoa vai ter o mesmo crédito de alguém que paga sempre em dia? Se você tem simplesmente um cadastro negativo, é isso que acontece. Já numa cultura onde você tenha efetivamente uma política de pontuação, você consegue ter diferenças. Por que num banco, se nós dois trabalhamos no mesmo banco, por que você pode ter uma taxa de juros com empréstimo melhor do que eu? Porque o banco utiliza o score. Assim, ele vai no dado do bureau para saber se você está negativado, mas ao mesmo tempo faz toda uma pontuação com base no seu relacionamento com ele, como você paga as contas das diversas utilities que você tem com ele etc..Com base nisso tudo ele te dá uma nota e se a sua nota é mais positiva que a minha, você vai ter um crédito melhor do que o meu.

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