Descompressão

Intervenções digitais

Isabelle Moreira Lima Ilustrações: Maria Cecilia São Thiago | 23 fevereiro 2017

Desde que adquiriu seu primeiro iPhone, em 2007, Maria Cecilia São Thiago fotografa sem parar. Todos os dias, faz uma pequena seleção de imagens que capturou e intervém sobre elas com alguns de seus 750 aplicativos do celular até chegar a cerca de dez novas obras. Invariavelmente, elas unem realidade à subjetividade.

A prodigalidade de seu trabalho é sinal dos tempos. Cecilia faz parte do movimento de iphoneography, de fotografia feita com iPhone, relativamente recente, mas de grande alcance, com artistas espalhados pelos quatro cantos do globo, novas possibilidades estéticas para a arte e infinitos usos, que incluem trabalhos jornalísticos premiados.

Bem longe do jornalismo, o que Cecilia faz é ultrapassar os limites da própria fotografia e abordar ilusões, por mais que sua matéria prima inicial seja uma imagem real. “Sei que meu trabalho é muito diferente e tem gente que não entende. Já escutei de tudo e vejo até certa doçura quando alguém diz ‘ah, mas isso não é foto’. Eu pergunto: o que é foto? O que é arte?”, provoca.

Desde o acetato
Se a declaração denota segurança é porque Cecilia não é iniciante. Seu trabalho, embora tenha ganhado novas nuances com a aquisição do iPhone há pouco menos de dez anos, tem décadas. Estudou no Iadê nos anos 1970, fez comunicação visual na Faap, onde graduou-se em 1981. Suas primeiras fotos foram tiradas aos nove anos, com a câmera presenteada pela avó, e inclui em seu portfólio séries de fotografias impressas e retrabalhadas a mão que datam de 1977. Vê-se nelas, inclusive, um sopro do que faz hoje. E tudo está disponível em seu site, klimtt.com.

Mas porque Klimtt? Porque o pintor austríaco Gustav Klimt (1862-1918), junto a seus compatriotas Egon Schiele (1890-1918) e Friendensreich Hundertwasser (1928-2000) são suas maiores inspirações, junto ao fotógrafo brasileiro Miro, seu grande amigo. E, claro, porque ninguém acerta seu sobrenome São Thiago. “É tão simples, bonito, eu gosto tanto, mas ninguém consegue escrever direito”, conta. Assim, virou Klimtt na internet,
com perfis em diversas redes sociais, sendo o Instagram (@klimtt) seu carro-chefe, alimentado com força e velocidade.

Mas nem sempre foi assim. Por anos, Cecilia viu sua veia artística dormente. Pouco depois da graduação, casou e mudou-se para a Europa. Viveu anos em Munique, na Alemanha, teve três filhas e assumiu a persona de dona de casa, algo que não a incomoda até hoje. Não estava trabalhando ativamente em suas (re)criações, mas nunca deixou de fotografar. “Fiz muitas imagens na Alemanha, e fotografava de maneira consciente”, diz. O material desta época
está em sua casa à espera de, quem sabe, um dia ser revisitado.

Com três filhas crescidas e bem criadas – curiosamente as três em atuação na área artística –, Cecilia tem tempo e liberdade para produzir quando e como quiser. De certa forma é curioso que tenha escolhido algo tão ligado à tecnologia. Em todos os grupos em que circula, ela conta que exerce a figura da mãe, acolhedora, experiente. Por outro lado, é comum que seja também a consultora em apps e dispositivos. Mesmo dos muito mais jovens. Afinal, é uma aficionada, desde os tempos da câmera dada pela avó. “A verdade é que sempre gostei de apertar botão”.

X

Contato

Se a sua empresa se encaixa no perfil para ser tornar Associada ou Patrocinadora, envie seus dados para podermos entrar em contato o mais breve possível.

X

Participe do Experience Club

X

Increva-se para receber
nossas Newsletters


Em breve novo site no ar!