RH

Maioria acima de 50 anos acredita em preconceito no trabalho, diz pesquisa

Bruna Meneguetti | 28 novembro 2017

A expectativa de vida dos brasileiros aumentou, segundo a Secretaria de Previdência. Em 1980, uma pessoa que completasse 60 anos vivia, em média, mais 15,2 anos. Em 2015, esse número subiu para 18,5 anos e em 2060, conforme estimativa, serão mais 25,2 anos. Segundo um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva, com a expectativa maior, os brasileiros também passam mais tempo de suas vidas trabalhando. Entre os entrevistados com 50 anos ou mais, 65% responderam que a jornada dura mais que 30 horas semanais e 55% acreditam que trabalham numa intensidade igual ou maior do que anos atrás. Além disso, muitos reclamam do preconceito contra pessoas mais velhas. Segundo a pesquisa, 81% acreditam que existe preconceito no mercado de trabalho.

Os números no Brasil também corroboram com a média global. Segundo uma pesquisa feita em 2015 pelo ManpowerGroup Solutions, o maior fornecedor de Recovery Point Objetive (RPO) do mundo, 34% dos candidatos globais acredita que a questão da idade é um dos seus maiores desafios de carreira atrás apenas de “acesso a empregos de qualidade” e “falta de competências técnicas”.  Entre os motivos que os empregadores geralmente dão para não contratarem trabalhadores mais velhos, geralmente estão: a falta de habilidades tecnológicas, a resistência em aprender coisas novas e a falta de fluência em uma segunda língua.

Para Nilson Pereira, CEO da ManpowerGroup, no Brasil os motivos geralmente giram em torno da falta de visão estratégica. “Empregadores brasileiros ainda se apegam a estereótipos e, em muitos casos, acabam abrindo mão da experiência de um profissional para contratar outro que seja mais barato para a empresa, sem uma avaliação mais profunda”, afirma Pereira. Ele ainda explica: “enquanto outros aspectos de discriminação de contratação recebem atenção, o etarismo ainda não é abordado o suficiente. Estamos com milhões de desempregados no país, sendo que jovens e profissionais com mais de 50 anos são os grandes afetados. Falta o desenvolvimento de uma cultura que valorize a diversidade de experiências dos profissionais”.

Encontrando forças
É para lidar com esse tipo de situação que o Grupo Trabalho 60+ foi criado. Com reuniões semanais desde fevereiro na Vila Mariana, pessoas com mais de 60 anos buscam pensar de forma cooperativa e fomentar negócios com justa remuneração. “Ou seja, idosos e aposentados encontram no grupo o espaço para a proposição de novas idéias e projetos, além de obterem ‘feedback’ para desenvolvimento ou aprimoramento e possíveis parceiros para a realização de negócios”, informa Eduardo Meyer, um dos criadores do grupo.

Ainda segundo Meyer, os mais velhos sentem a força do trabalho em grupo. “Faz uma enorme diferença na autoestima de todos”, explica. Para ele, a tendência é que, com a mudança da forma de trabalho e do emprego “tradicional com carteira assinada” haja igual oportunidades para todos. “No novo modelo de ‘jobs’, os seniores terão a oportunidade de apresentar suas vivências e experiências como um diferencial para o mercado”, aposta. Se isso vai realmente acontecer ou não é um mistério. Fato é que hoje, de acordo com o levantamento da Locomotiva, 36% dos brasileiros com mais de 50 anos têm sua renda vinda da aposentadoria e 51% dependem da renda do trabalho. Já segundo a Secretaria de Previdência, 54,5% do total de idosos se aposentaram e continuaram trabalhando.

Ponto fora da curva
Mas nem todas as áreas estão em crise. De acordo com uma pesquisa do (ISC)2, principal instituto do mundo focado em educação e certificações profissionais em Segurança da Informação e Cibersegurança, 97% dos especialistas em Segurança da Informação com 45 anos ou mais estão empregados. Segundo Kleber Melo, Presidente do Conselho Consultivo do (ISC)² para América Latina, isso ocorre porque “para um profissional de Segurança da Informação é exigido que possa contribuir em várias áreas de conhecimento de tecnologia, de controle de acesso à ambientes complexos de cloud, o que requer tempo de estudo e experiência que levam anos para se adquirir”.

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