Mercado

Mercado educacional segue no alvo dos investimentos

Roberto Kamarad | 18 setembro 2017

Na rota dos grandes investidores, o mercado de educação vive um momento de expansão no Brasil. Nos últimos anos, o governo tem incentivado o desenvolvimento do setor, diminuindo a burocracia para a abertura de novas faculdades, o que atraiu investidores de todo o mundo. Segundo o último Censo da Educação Superior, divulgado pelo INEP em 2015, as instituições de ensino superior (IES) privadas representam 87,5% do total.

Em todo o país, os grupos educacionais que recebem aporte financeiro estrangeiro ainda não apostam em um processo de internacionalização da educação, embora cogitem um maior intercâmbio cultural nos métodos de ensino, aponta o consultor financeiro da BLB Brasil, Yuri Areco. “Todavia, com o aporte estrangeiro, geralmente é importado o modelo de gestão, controle, profissionalização, marketing e outros aspectos administrativos e financeiros”, afirma Areco.

De acordo com o consultor, na educação básica, esses movimentos econômicos ainda são mais recentes e em fase de desenvolvimento. “O grande objetivo dos grupos de investimento da área educacional é o aumento da rentabilidade através de ganhos de escalas, com um portfólio de professores multidisciplinares e o desenvolvimento de conteúdos online. Tais características que já vem se materializando há tempos na educação superior agora começam a se intensificar também na educação básica”, ressalta.

Base sólida para a construção de uma sociedade mais consciente e igualitária, a educação, entretanto, possui muitos desafios em nosso país, desde o ensino básico até o superior. Um dos principais fatores que motiva o interesse dos investidores é o baixo número de adultos brasileiros que chegaram ao ensino superior: 14%. A média dos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é de 35%, segundo a publicação Education at a Glance 2016, da OCDE, que comparou dados de mais de 40 países, incluindo o Brasil.

Apesar de ter registrado em 2015 um aumento no número de formandos em todo o país: 1,150 milhão ante 1,027 milhão em 2014, o número de novos estudantes caiu no mesmo período – a primeira vez desde 2009. O momento político-econômico nacional e as restrições do Fies (Financiamento Estudantil) pelo governo federal contribuíram para o declínio no número de novos matriculados, principalmente nas instituições privadas.

Ao todo, o Brasil possui 2.364 instituições de Educação Superior, sendo 2.069 privadas. A região Sudeste concentra 47,3% desse total, seguida por Nordeste (19,3%), Sul (17,1%), Centro-Oeste (10%) e Norte (6,3%), aponta o Censo da Educação Superior 2015.

Tamanho de mercado
“Se utilizarmos como base o grupo Kroton, que possui valor de mercado de R$ 28,19 bilhões e cerca de 1 milhão de alunos, e considerarmos que o Brasil possui 6 milhões alunos no Ensino superior privado, poderíamos dizer que o mercado de educação superior privado no Brasil seria da ordem de R$ 169 bilhões, caso todo o mercado operasse no mesmo padrão de eficiência da Kroton”, calcula Tarcísio Villela, consultor da Hoper Educação. Porém, o consultor pondera que a média do mercado tem uma performance gerencial inferior à da Kroton. De acordo com os dados divulgados em seu resultado trimestral, o grupo atingiu no 2º trimestre de 2017 a margem operacional de 56%. “A média do mercado, analisando a estratificação do número de IES por tamanho, permite estimar que a margem operacional média do setor como um todo seja de 15%, o mercado total de educação superior privada no Brasil seria de R$45 bilhões aproximadamente”, enfatiza Villela.

Com o objetivo de ampliar a oferta de cursos no ensino superior, o Ministério da Educação (MEC) publicou, no último mês de junho, uma portaria que acelera e flexibiliza a implantação de cursos superiores na modalidade a distância. De acordo com o MEC, a portaria possibilita o credenciamento das IES para cursos de educação a distância (EaD) sem o credenciamento para cursos presenciais.

Segundo Villela, essa portaria é extremamente importante para o ensino superior como um todo. “Anteriormente, uma licença de ensino presencial era a que tinha mais valor, exatamente por permitir que uma instituição operasse em determinada cidade. Com a mudança, e principalmente com a flexibilização adquirida, a licença do ensino a distância passa a oferecer às instituições a possibilidade de abrir novos polos EaD em todo o país”, opina Villela.

Outro assunto que gerou forte repercussão no mercado educacional nos últimos meses foi a onda de fusões e aquisições que movimentou o setor, principalmente a reprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no último mês de junho, da operação de compra da Estácio pela Kroton Educacional. A operação, avaliada em R$ 5,5 bilhões, criaria gigante do setor de ensino no país.

Para Areco, o intenso volume de fusões e aquisições no mercado educacional é preocupante, pois levanta discussões e dúvidas sobre o tratamento que será dado ao ensino brasileiro: se apenas o lucro será buscado ou também a qualidade. “Com o domínio do setor por um seleto grupo educacional, os riscos e as consequências desse novo modelo de governança atingem diretamente a educação superior, principalmente no que se refere a preço e qualidade do ensino”. “Do ponto de vista da qualidade, os benefícios do negócio também são questionáveis, já que ganhos de escala podem ser interessantes para os resultados financeiros, mas comprometem o acompanhamento individualizado dos alunos, valioso na educação”, conclui.

Para os próximos anos, Villela acredita que o número de fusões e aquisições será maior na educação básica em relação ao ensino superior. No entanto, o consultor salienta que o mercado educacional como um todo depende que a economia esteja em uma situação melhor para melhorar o ritmo de crescimento. “O atual momento vivido pela economia acaba fazendo com que as pessoas tenham muita dificuldade por optarem pela educação particular. No ensino superior, o candidato, em momento de crise, deixa de tomar a decisão de se matricular. Já na educação básica, as famílias, em último caso, acabam optando por colocarem seus filhos em escolas públicas.

 

Leia mais sobre educação no Experience Club

O brasileiro não recebe educação para o mercado de trabalho do futuro

Como a tecnologia afeta a educação?

Crise na educação leva à busca de financiamento

Chineses investem no aprendizado de português

X

Contato

Se a sua empresa se encaixa no perfil para ser tornar Associada ou Patrocinadora, envie seus dados para podermos entrar em contato o mais breve possível.

X

Participe do Experience Club

X

Increva-se para receber
nossas Newsletters


Em breve novo site no ar!