Tecnologia

Nova tecnologia reduz efeitos colaterais da quimioterapia

Sonia Nabarrete | 9 outubro 2017

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, desenvolveram uma nova tecnologia que promete reduzir os efeitos colaterais causados pela quimioterapia em tratamentos contra o c√Ęncer, como enjoo, v√īmito, diarreia e queda de cabelos.

O trabalho foi publicado no New Journal of Chemistry e apresentado em congressos internacionais realizados em Portugal e no Rio de Janeiro. A universidade depositou a patente junto ao INPI ‚Äď Instituto Nacional de Propriedade Industrial ‚Äď e busca empresas interessadas em fazer parcerias para estudos e futura produ√ß√£o.

c√Ęncer
Fonseca (esq) e Alves, da Unicamp

A inovação é resultado do trabalho de mestrado em Química de Leandro C. Fonseca, desenvolvido em dois anos, com orientação do Prof. Dr. Owaldo Luiz Alves, e participação de Amauri Jardim de Paula, na época químico pesquisador da Unicamp e hoje doutor da Universidade Federal do Ceará, e Diogo Stéfani T.Martinez, então biólogo pesquisador da Unicamp e agora pesquisador doutor do Laboratório Nacional de Nanotecnologia, LNNano, do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais(CNPEM)

Leandro Carneiro Fonseca, hoje doutorando em Qu√≠mica, explica que o f√°rmaco usado na quimioterapia n√£o √© sol√ļvel em √°gua, componente de 92% do sangue. Por isso, √© necess√°rio uma quantidade grande de medicamento para atingir as c√©lulas comprometidas.

Com a nova tecnologia, o f√°rmaco, em menor quantidade, √© transportado at√© as c√©lulas doentes com a ajuda da s√≠lica. ‚ÄúDe uma maneira muito simpl√≥ria, apenas para ilustrar, √© como se a nanopart√≠cula de s√≠lica fosse um carro que transporta de¬†maneira mais eficiente o f√°rmaco at√© a c√©lula, sem que haja desperd√≠cio no percurso. Isso ocorre porque o¬†nanocarro¬†√© sol√ļvel no sangue e seu interior, onde o f√°rmaco est√° contido, √© hidrof√≥bico, permitindo a elevada reten√ß√£o do quimioter√°pico. Dessa forma, √© usada uma menor quantidade de f√°rmaco porque a subst√Ęncia chega na quantidade adequada para o tratamento‚ÄĚ, explica o pesquisador.

Nesse procedimento, n√£o √© necess√°rio usar solventes t√≥xicos e n√£o h√° efeitos colaterais. Outro benef√≠cio, destacado por Fonseca, √© que as nanopart√≠culas s√£o peguiladas, isto √©, possuem polietilenoglicol, que ficam como fios de cabelo em seu entorno e conseguem desviar as c√©lulas brancas, que identificam corpos estranhos no sangue. ‚ÄúO uso desse pol√≠mero permite que as nanopart√≠culas consigam desviar dessas c√©lulas, aumentando a probabilidade de n√£o serem detectadas, podendo circular por mais tempo no sangue e assim otimizar o tratamento‚ÄĚ, esclarece.

A nova t√©cnica, por√©m, ainda demora a chegar aos pacientes. Fonseca afirma que para tratamentos oncol√≥gicos s√£o necess√°rios pelo menos de 8 a 10 anos de testes laboratoriais, que passam por estudos, ainda em vitro, com modelos animais, isto porque h√° diferentes tipos de c√Ęncer e √© fundamental a realiza√ß√£o de testes toxicol√≥gicos. ‚ÄúCom a patente, poderemos entrar com os pedidos junto √† Anvisa para a realiza√ß√£o das diferentes fases, at√© chegarmos a humanos. Vencida esta etapa com sucesso e com defini√ß√Ķes das doses, √© que poderemos ter formula√ß√Ķes contendo as nanopart√≠culas desenvolvidas em laborat√≥rio na forma de um produto final‚ÄĚ, diz o pesquisador. Ele ressalta que empresas interessadas em explorar a tecnologia podem continuar ou complementar os estudos toxicol√≥gicos em seu centro de P e D e, ainda, testa-las em aplica√ß√Ķes diferentes da antitumoral. O licenciamento est√° a cargo da ag√™ncia de inova√ß√£o Inova, da Unicamp.

O Inca (Instituto Nacional de C√Ęncer) aponta a ocorr√™ncia de 596.070 novos casos de c√Ęncer apenas neste ano no Brasil, de acordo com o √ļltimo levantamento divulgado. Nos homens, os casos mais comuns s√£o de pr√≥stata, traqueia, br√īnquios, pulm√£o, c√≥lon e reto. Nas mulheres, aparecem nas mamas, c√≥lon, reto e colo do √ļtero.

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