Descompressão

O mercado da arte digital

Bruna Meneguetti | 30 outubro 2017

A Arte Digital é um mercado em ascensão e já chegou até mesmo ao Vale do Silício, onde foi aberta a galeria Pace Art and Tecnology, a primeira do local. Apenas para dar um exemplo, a exposição atual, que vai até o dia 19 de novembro, é do coletivo japonês teamLab, que conta com uma equipe de artistas, programadores, matemáticos, arquitetos e designers. Atualmente, a Arte Digital envolve qualquer manifestação artística feita com o auxílio de meios eletrônicos, como softwares e hardwares.

Mas não é só no exterior que existem exposições do tipo. Aqui no Brasil, há o Festival de Arte Digital, que inclusive já finalizou suas inscrições para a Bienal de Arte Digital 2018. Outro evento famoso é o FILE, Festival Internacional da Linguagem Eletrônica. Para Ricardo Barreto, curador do FILE, a Arte Digital é uma área que só cresce. “Atualmente já existem pessoas investindo e lá para a frente vai apresentar um grande mercado. O nosso desafio é recriar tudo de novo a cada evento. Não seguimos uma fórmula, porque tudo está se transformando de uma maneira rápida”, explica. Ainda de acordo com ele, as “coleções tradicionais” vão ficar cada vez mais ultrapassadas. Nesse sentido, uma empresa americana de nome Kilo aposta nos “quadros digitais”, em que uma arte é feita para ser exibida em uma tela de 40 polegadas, com resolução 4K. O investimento é de 900 dólares por cada “quadro”.

A ideia de Ricardo é que as próprias empresas e estados vão financiar a Arte Digital no futuro. “No Japão isso já acontece e aqui no Brasil buscamos patrocinadores”, informa. Já nesse sentido, Tânia Falcão, da Falcão Lucas, que cria com Avelar Lucas GIFs e ilustrações digitais, acredita que cada vez mais a Arte Digital será a menina dos olhos da propaganda. “Achamos que há maior interesse por parte das marcas em se comunicar de maneiras menos tradicionais. No princípio do mercado digital, começou-se por fazer websites vistosos e depois passou para os banners e agora para as redes sociais. Mas as marcas começam a ver que uma publicidade normal numa rede social não lhes traz retorno quase nenhum, então começam a pensar noutra maneira de comunicar”, explica Tânia.

Em ascenção
A Falcão Lucas, portuguesa, ganhou repercussão e atualmente tira parte de seu rendimento dos GIFs. “No princípio do projeto começamos apenas por fazer e partilhar ilustrações nas nossas redes sociais com pouco retorno. Um dia, no site Giphy, perguntaram se estávamos interessados em criar GIFs artísticos para a KitKat internacional. A partir de então começamos a criar para outras marcas e empresas, tais como a Paramount, Fox e banda Maroon 5”, informa. Para Tânia, o maior desafio da Arte Digital atualmente é tentar superar o estigma de que ela tem menos valor e é mais fácil de criar. “Muitas vezes temos de explicar que um computador ou um software é apenas uma ferramenta de trabalho, assim como uma tela e um pincel”, afirma a artista.

Já Ricardo Barreto, que trabalha há 18 anos no ramo, compara a Arte Digital com aquela que as pessoas tentavam vender no século XIX. “É muito desafiador. Nesse sentido, tem que pensar em uma visão coletiva, ou seja, o que o Brasil está fazendo coletivamente nesse aspecto e quais são as tendências mundiais”, explica afirmando que, cada vez mais, as obras vão ficando mais complexas. “Em todo desenvolvimento tecnológico a tecnologia é incorporada. Isso já está acontecendo na obra eletrônica e daqui a pouco se tornará endógeno, ou seja, cada vez menos as pessoas vão ver a coisa em si, mas os efeitos dela”. E Ricardo ainda ressalta: “a tecnologia tem sempre dois lados; um mais Júlio Verne, que vê tudo positivamente, e um H.G. Wells, que mostra o negativo”.

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