RH

O passo a passo de um departamento de compliance

Mariana Segala | 24 agosto 2017

Se você tem acompanhado o noticiário político e corporativo brasileiro nos últimos três anos, mesmo que por alto, certamente já se fez essa pergunta: “Não será hora de ter uma área dedicada ao compliance na empresa?” Para especialistas como Renato Almeida Santos, da Trevisan Escola de Negócios, a resposta provavelmente seria: “Já até passou da hora”. “A perda média ocasionada por fraudes internas no mundo é de 5% da receita bruta anual de uma organização”, explica o professor, que coordena o curso de compliance da instituição. “Só o impacto financeiro direto justifica o desenvolvimento de um programa de integridade. Isso fora o impacto de imagem quando uma empresa se envolve em escândalos de corrupção”.

Renato Almeida Santos, da Trevisan Escola de Negócios

Para ajudar os interessados em dar os primeiros passos na área, Experience News reuniu as principais sugestões de Santos em uma espécie de pequeno guia sobre como começar. Confira abaixo o passo a passo para criar seu próprio departamento de compliance:

O que é e o que faz
A área de compliance é responsável pela elaboração e divulgação de políticas como o código de ética e conduta, reforçando a cultura ética na organização. Também é essa equipe que deve gerenciar as ocorrências de fraude ou assédio, por exemplo, desde a captação de denúncias até o tratamento do caso, apurando os fatos e aplicando as punições devidas.

Junto ou separado
Empresas de pequeno e médio porte geralmente não têm recursos disponíveis para constituir uma área só de compliance, mas é necessário que desenvolvam um programa efetivo. Outros departamentos podem absorver estas atividades. É um erro pensar que a área jurídica da empresa é sempre a mais apropriada para essa atuação. Elaborar políticas é apenas uma das funções do compliance. Pensando em desenvolver uma cultura de compliance, o departamento de Recursos Humanos pode ser o mais indicado.

Tamanho
Uma área de compliance deve ter ao menos um profissional responsável pela implementação das atividades, ainda que não seja exclusivamente dedicado a isso. O importante é que haja alguém focado no tema dentro da empresa. É recomendável que uma equipe de compliance seja multidisciplinar, com gente do Direito para desenvolver políticas, do RH para reforçar a cultura ética, do marketing para comunicar as políticas aos funcionários, além de profissionais que saibam trabalhar com mapeamento de riscos. Mas, acima de tudo, é preciso garantir a independência da área para que o programa de compliance ou de integridade seja efetivo – e não apenas mais um procedimento burocrático.

Fazendo funcionar
Para colocar um programa de compliance para funcionar, uma empresa precisa ter:

– Apoio e comprometimento da alta direção

– Autonomia, independência, imparcialidade, recursos materiais, humanos e financeiros destinados à área responsável

– Dedicação ao desenvolvimento e atualização frequente de ferramentas como código de ética ou de conduta, políticas e procedimentos de prevenção de irregularidades, mecanismos de detecção de problemas como canais de denúncia, medidas disciplinares para casos de violação e medidas de remediação

– Divulgação ampla do programa, com plano de comunicação e treinamento com estratégias específicas para os diversos públicos da empresa

– Estratégias de monitoramento contínuo, de modo que as deficiências encontradas em qualquer área possam realimentar o programa de compliance

O dia a dia
Os profissionais de compliance se responsabilizam pela manutenção da cultura de integridade na empresa, com análise e mitigação de riscos da área. Também cabe a eles a atualização das políticas e normas, a realização de treinamentos sobre temas de compliance, a gestão das denúncias de problemas com a sua apuração e ações corretivas.

Contratando gente íntegra
Antes mesmo do ingresso dos novos colaboradores, é possível aplicar testes de integridade com o objetivo de compreender o potencial de resiliência que o candidato possui ao se deparar com dilemas éticos no cotidiano profissional. Para quem já trabalha na empresa, cabe realizar treinamentos interativos e lúdicos para gerar curiosidade, reflexão e integração do colaborador às políticas de compliance.

Punição
Medidas disciplinares em casos como fraudes e assédios podem e devem ser aplicadas para minimizar a percepção de impunidade. Quando os colaboradores não veem decisões efetivas contra ações antiéticas, o programa de compliance cai em descrédito. Da mesma forma, a punição deve ser proporcional ao erro, ou o programa de  pode gerar uma percepção de injustiça. Entre as medidas possíveis estão advertência verbal ou por escrito, suspensão, demissão por justa causa e até processos judiciais.

Custo x Benefício
A perda média ocasionada por fraudes internas no mundo é de 5% da receita bruta anual de uma organização. Só o impacto financeiro direto justifica o desenvolvimento de um programa de compliance. Isso fora o impacto de imagem quando uma empresa se envolve em escândalos de corrupção.

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