Mercado

Os riscos de se investir no Brasil

Sonia Nabarrete | 3 outubro 2017

Os resultados do estudo Executive Opinion Survey, do Fórum Econômico Mundial, mostram que os riscos de se investir no Brasil estão atrelados à atual conjuntura político-econômica. A pesquisa, que ouviu 12.411 executivos de 136 países, entre janeiro e junho, para identificar os cinco maiores riscos de fazer negócios em seus países, com impacto nos próximos dez anos, mostrou que aqui as maiores ameaças são, pela ordem: falhas na governança nacional; desemprego ou subemprego, falhas na infraestrutura, crise fiscal e do Estado. Todos estes fatores estão interligados e fazem parte do conflito institucional que o Brasil vive atualmente.

No mundo, o desemprego – ou subemprego – é o principal risco apontado, seguido de crise fiscal, falha na governança, choque de preço da energia e instabilidade social profunda.  Os entrevistados também elencaram: falhas nas instituições ou mecanismos financeiros, na infraestrutura, conflito entre estados, ataques cibernéticos e terroristas.

John Scott, chief risk officer commercial insurance da Zurich, seguradora que apoiou a realização da pesquisa, afirma que os líderes empresariais estão focados nos riscos sociais e econômicos, mas não devem subestimar o impacto potencial dos riscos ambientais e tecnológicos. “Embora o crescimento econômico e o desenvolvimento tecnológico criem novas oportunidades para empresas e países, os riscos e eventos geopolíticos levaram a dúvidas que levantam questões sobre como gerenciar o negócio em momentos de incerteza”, diz o executivo.

No Brasil, a questão energética, apontada como o quarto maior risco global, está sendo impactada pela intenção do governo de trocar os contratos que a Eletrobras tem hoje para mais de 10 mil MW, a preço variável de R$ 60 a R$ 80, para contratos com valor de R$ 200. Esta diferença, superior a 65%, será em grande parte usada para cobrir o déficit orçamentário do Tesouro.

O governo pretende trocar o modelo adotado em pelo menos 15 usinas, que trabalham com o preço fixo em cotas, pelo preço de mercado, definido de acordo com a demanda e mais atraente para investidores. Pela proposta do governo, o consumidor vai pagar mais pela energia usada nos próximos 30 anos.

Um ranking divulgado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro coloca a Índia com o custo de energia mais alto (596,96 reais por MW-h) do planeta, seguida da Itália, Singapura, Colômbia e República Tcheca. O Brasil aparece em sexto lugar, com 46% superior à média internacional, que é de 275,74 por MW-h.

Realizado pela primeira vez, o Executive Opinion Survey é um estudo intermediário e integra o Relatório de Riscos Globais (GRR-Global Risk Report), que será divulgado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suiça, em janeiro de 2018.

O GRR, que está na 12ª edição, ouve 750 especialistas em negócios e sociedade civil pra detectar 30 riscos globais. Em 2016, os riscos mais prováveis apontados foram: migração, questões climáticas, conflitos regionais e catástrofes naturais. Este ano, as questões climáticas subiram para o topo das probabilidades, seguidas de migrações, catástrofes naturais, ataques terroristas e digitais.

Com relação ao impacto dos riscos, em 2016, a questão climática aparecia em primeiro lugar, seguida de ataques terroristas e falta de água. Neste ano, os ataques terroristas tornaram-se a principal preocupação.

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