5 Perguntas

O RH tem que deixar
de ser burocrático

João Luís Costa | 5 julho 2017
José Salibi Neto, cofundador do Grupo HSM.

O empresário e cofundador do Grupo HSM, José Salibi Neto, conversou com o Experience Club sobre o poder das perguntas transformadoras e não se esquivou a dar um recado bastante duro aos profissionais de Recursos Humanos. Para o executivo, a área está perdendo influência nas empresas porque não está atenta ao que realmente interessa: ser um potencializador de talentos ao invés de gerente de plano de saúde nas organizações. “A maior parte das tarefas de um RH, hoje, já é feita por máquinas ou pode ser realizada por outras áreas”, dispara. Leia abaixo a entrevista que José Salibi Neto concedeu ao Experience Club.

Estamos preparados para escutar as respostas de nossas perguntas? Qual seria seu conselho para as pessoas que fazem perguntas? Como estar preparado para ouvir as respostas?
Quando uma pessoa faz uma pergunta num ambiente empresarial, é a empresa quem tem que ouvir as respostas, mais do que a pessoa que perguntou. Também tem muita gente que fala, fala, fala, mas não escuta nada. Então, a própria empresa tem que estar preparada, é uma mudança cultural para ter um ambiente mais aberto, de diálogo, e tudo começa pelo presidente da empresa, porque ele é quem tem que decidir se quer um ambiente aberto. E a melhor maneira de se fazer isso é começar por alguns gestos, como usar as paredes da empresa para as pessoas poderem fazer perguntas. No Brasil, as pessoas não foram treinadas para fazer perguntas no ambiente empresarial. O brasileiro fala muito fora, mas no ambiente empresarial ele é mais travado. Então, se você começar a transformar o ambiente, como usar as paredes para que as pessoas façam perguntas, mas sem transformar em lugar de reclamação, esse seria um bom começo.

E como estão as empresas brasileiras? Estão ouvindo mais?
O problema do Brasil é outro. Estamos em um ambiente político e econômico tão pesado que ele está consumindo um nível de atenção muito maior do que o saudável nas empresas, que deveriam estar “ouvindo” mais inteligência artificial. Esse ambiente está consumindo os executivos de maneira muito grande e nos colocando para trás. E isso vai nos custar muito caro, porque o ambiente deveria estar mais leve, para que pudéssemos buscar soluções melhores, mas a gente é martelado dia e noite pelo que está acontecendo no país, e isso já há alguns anos.

Neste contexto, como o senhor acha que ser possível estimular uma cultura organizacional onde essa questão, que embora complicada e que atinja diretamente as empresas, possa ser deixada de lado?
Nada melhor do que começar por alguns treinamentos formais. Pode-se começar pelo uso das paredes, depois organizar algumas sessões onde se possa fazer as grandes perguntas, onde se tem reuniões com os executivos e onde se faz só perguntas, mas não se responde nada. As pessoas podem ser avaliadas pelas suas perguntas. Esse é um exercício bem bacana. E, de novo, tem que ser uma iniciativa dos próprios líderes. Com certeza, algumas iniciativas mais formais seriam muito bem-vindas para se desenvolver uma cultura. Trazer exemplos de empresas bem sucedidas, como Netflix, AirBnB, para questionar como se pode produzir essa transformação.

Em relação ao RH, quais seriam hoje as grandes perguntas dessa área?
Salibi – Ah, são muitas (risos). Acho que uma delas é: como posso ser relevante para a empresa? Porque estou sentindo que o RH está perdido dentro da empresa, está perdendo seu espaço. Ele se preocupou muito em ser RH e pouco em ser negócio. Hoje é possível questionar até se é preciso mesmo ter um diretor de RH. Nesse mundo exponencial em que a gente vive, o RH vai ter que achar um novo caminho, onde terá de se desenvolver como uma pessoa de negócios, pois não dá mais para ser uma pessoa só de RH. Hoje, muito do trabalho de RH está sendo feito por máquinas.

Inclusive, uma de suas afirmações é a de que a capacidade de se fazer perguntas ainda não chegou às máquinas.
Sim, aliás, o RH, hoje, tem que ser mais um potencializador de talentos do que fazer gestão de processos e burocracias. Isso qualquer Financeiro faz, máquinas fazem. O RH, hoje, tem que literalmente estar focado em desenvolver as habilidades e competências e o potencial de todas as pessoas da organização, desde o presidente até o trainee. Esse devia ser 100% o trabalho do RH, e mais nada. Conheço diretores de RH, de grandes organizações, que ficam gerenciando o plano de saúde dos funcionários e também tentando maximizar a performance dos executivos. Não tem como fazer isso, porque ele está carregando coisas que não devia. ao mesmo tempo, ele está perdendo a oportunidade de desenvolver habilidades que ele mesmo precisa, para desenvolver outras pessoas. Se o executivo não sabe o que tem que aprender, como vai passar para os outros? O RH devia estar andando pelo mundo para saber: 1 – o que as empresas estão fazendo; 2 – o que as pessoas estão lendo; 3 – quais os instrumentos que as empresas estão usando para maximizar potencialidades. O resto é burocracia, não tem cabimento um diretor de Recursos Humanos administrar plano de saúde de 30 mil funcionários. Isso mata a empresa.

Veja também:
X

Contato

Se a sua empresa se encaixa no perfil para ser tornar Associada ou Patrocinadora, envie seus dados para podermos entrar em contato o mais breve possível.

X

Participe do Experience Club

X

Increva-se para receber
nossas Newsletters


Em breve novo site no ar!