Artigo

Seu próximo colega de trabalho será um robô

Antonio Almeida Sócio de Consultoria da EY | 28 agosto 2017

A rotina na tesouraria da empresa paulistana Agá (nome fictício) se repetia como um mantra. Todos os dias, às 8h, a equipe responsável iniciava um processo que remetia ao funcionamento de uma linha de produção fordista: acesso ao sistema central, levantamento das posições financeiras registradas com os bancos, comparação com os valores disponíveis nos sites dessas instituições, eventuais correções e, duas horas depois, início das
operações. Era uma rotina típica de poucos anos atrás.

Antonio Almeida, sócio da EY

Pensemos agora em 2017. O cenário acima descrito é protagonizado por um robô, responsável por realizar o mesmo processo, mas com uma redução substancial no tempo despendido. Em questão de minutos, a equipe à frente da Tesouraria já está apta a iniciar as operações que lhe são atribuídas.

Por que robotizar
Essa situação retrata uma operação realizada pelo tipo de robô mais comum que encontramos no mercado, o de primeira geração. Sua função é realizar as tarefas mais triviais do dia a dia, como acessar sistemas, preencher e construir planilhas e manipular dados. Segundo a experiência da EY, sua utilização pode substituir mais de 50% dos trabalhos repetitivos e soma vantagens relevantes em comparação ao labor protagonizado por seres humanos:

Acurácia: coleta de dados precisos que resultam em respostas assertivas;
Consistência: o trabalho segue a programação original, sem imprevistos;
Produtividade: robôs não têm as limitações humanas e operam no modo 24×7;
Auditoria da operação: cada ação do robô deixa uma trilha registrada, para eventual controle;
Tecnologia não invasiva: não há alteração nos sistemas da empresa, já que o robô atua como um usuário.

As funcionalidades listadas liberam os indivíduos para que explorem talentos que ainda não podem ser emulados por softwares automatizados, como o exercício da criatividade. Do lado das empresas que adotam a tecnologia, notamos que tanto o front-end como o back-end registraram desempenhos invejáveis.

Gerações de robôs
Muitas das funcionalidades citadas até aqui correspondem à primeira geração de robôs. Encaixam-se nessa categoria aqueles responsáveis por, aproximadamente, 60% das oportunidades de redução de custos, viabilizadas pela automatização de funções de natureza repetitiva e operacional.

A segunda geração contempla funções mais complexas, como o processamento de dados não estruturados e leitura de PDFs e códigos de barras. Já a terceira e quarta incluem ferramentas avançadas de análises de dados, possibilitando a tomada de decisão a partir de algoritmos preditivos.

Por fim, a chamada quinta geração robótica é dotada de algoritmos de inteligência cognitiva, que aprendem e refinam as respostas a partir de experiências acumuladas. O sofisticado código computacional permite que a máquina interaja com pessoas, emulando o comportamento humano, e reconheça imagens complexas.

As fases da implementação
Empresas bem-sucedidas não incorporam robôs pontualmente. Desde o princípio, é estabelecida uma estratégia global. O plano por trás do processo leva em consideração quatro fatores:

A Prova de Conceito: é necessária a escolha de um robô-piloto que seja relativamente simples e impactante, para comprovar a eficácia. Nesse sentido, é importante que esse piloto já tenha um payback (período estimado de retorno do investimento) interessante (menos de um ano).

Ondas de implementação: a partir da estratégia de negócios da empresa, as ondas de implementação devem ser definidas tendo em mente os objetivos que precisam ser atingidos.

Tecnologia em desenvolvimento: uma empresa de grande porte terá mais de cem robôs funcionando em poucos anos. É fundamental que o robô de número 100 tenha um desenvolvimento mais rápido e barato que o de número 1.
Isso pode ser feito por meio da componentização dos robôs: “pedaços” de desenvolvimento, chamados objetos, devem ser hospedados em bibliotecas digitais para facilitar a manutenção e posterior reuso em outros robôs.

Modelo de governança e operação: as empresas podem optar por manter a operação e o conhecimento dentro de casa ou terceirizar o desenvolvimento e a manutenção dos robôs As a Service. Essa não é uma decisão trivial, na medida em que boa parte do conhecimento específico e do futuro diferencial competitivo estará na capacidade dos robôs.

E nós, para onde vamos?
Por fim, é importante olhar para as pessoas frente a esse cenário de robotização crescente. Assim como já ocorreu no passado, a inserção de máquinas em operações desempenhadas por seres humanos tem o potencial de provocar a obsolescência de algumas atividades e, simultaneamente, originar novas. Para que cada um consiga vislumbrar seu papel em um ambiente permeado por robôs, é imprescindível que haja uma visão clara e transparente do que hoje é feito pelos indivíduos.

Diante de tudo que foi posto até aqui, fica claro que a discussão já não reside mais na possibilidade de os robôs serem parte do dia a dia, mas sim na velocidade com que eles vão nos substituir. É preciso refletir, portanto, sobre qual será o nosso papel na sociedade robotizada que se desenha. A adoção das novas tecnologias pode ser gerida não como uma perda, e sim como uma oportunidade para que as pessoas exerçam atividades mais criativas nas organizações, conquistando valor e reconhecimento.

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