Reportagem

Economia brasileira está em um momento preocupante, diz Rodrigo Constantino

14 de março de 2014 - Por Fabio Suzuki

Em apenas quatro anos, o Brasil deixou de ser um dos países mais promissores em crescimento econômico e um dos principais destinos para investimentos estrangeiros para se tornar uma nação onde o pessimismo predomina no mercado. E esse momento econômico pelo qual passa o país foi tema da Confraria de Economia realizado em 12 de março, que teve como palestrante o jovem economista Rodrigo Constantino, colunista da revista Veja e do jornal O Globo. Reunindo cerca de 100 executivos de grandes empresas do país, o evento foi realizado na Casa Petra, em São Paulo, e contou com o patrocínio das empresas CGI, Desenvolve SP, Oi, Omint e Valor Econômico.

“O país tem muito potencial mas a trajetória é preocupante. Se nada mudar, teremos problemas nos próximos anos”, afirmou o economista, cujas colunas publicadas nos veículos de comunicação geram debates constantemente entre os prós e contras à sua visão de mercado. “É preciso saber onde a política econômica errou para poder melhorar”, diz ele.

Logo no início de sua apresentação, Constantino apontou dois grandes pilares internacionais que fizeram o Brasil alcançar o excelente momento econômico de 2010, ano em que o PIB do país atingiu alta de 7,5%, mas com iniciativas que não são sustentáveis. O primeiro deles foi a grande expansão do mercado chinês, que atingiu crescimento de dois dígitos por vários anos mas que começa a desacelerar. O segundo é o custo de capital extremamente baixo no mundo, chegando a ficar negativo após a crise internacional de 2008, fato que o economista denominou de “Fenômeno Eike Batista”. “Isso gera pressão na inflação e o país não se sustenta”, aponta Constantino.

Além desses fatores externos, ele citou ainda um problema interno do Brasil para o atual momento de incertezas da economia brasileira que foi a grande quantidade de jovens no mercado de trabalho, fato que gerou uma mão de obra farta e barata sem pressionar a Previdência Social. “Isso ajuda a explicar o bom momento do mercado brasileiro nesses últimos anos mas que não deve ocorrer mais daqui para frente”, comentou.

Na sequência de sua apresentação, Constantino citou diversos equívocos do governo brasileiro que fizeram o país a não aproveitar o bom momento de sua economia de anos atrás. Entre eles estão a ausência de reformas estruturais (tributária, trabalhista e previdenciária), excesso de intervencionismo na economia, aceleração dos gastos públicos e crédito, negligência com a inflação, financiamentos do BNDES que não priorizaram a produtividade, e a demora para fazer leilões de privatização para investimento em infraestrutura. “Temos um governo gastador, que transfere renda ‘a torto e a direito’. E enquanto o mundo está crescendo, o Brasil está estagnado e com sua inflação crescendo”, comparou o economista.

Sobre a inflação brasileira, Constantino afirmou que a meta de 4,5% do governo brasileiro para este ano já é um índice alto na comparação com outros países. “Isso reduz a taxa de investimento pois o país deixa de ser atrativo economicamente”, afirma ele, completando que o Real tem se desvalorizado mesmo com as intervenções do Banco Central.

Ao questionar o público convidado sobre qual seria a taxa de câmbio ideal para a moeda brasileira, 45% dos executivos presentes responderam entre R$ 2,00 e R$ 2,50, enquanto que 26% apontam uma taxa entre R$ 2,50 e R$ 3,00. “Eu também sou a favor de uma taxa acima dos R$ 2,50”, afirmou o colunista dos veículos Veja, O Globo e Valor Econômico.

O modelo de administração do PT também foi apontado por Constantino entre as principais causas para o atual momento econômico do país. Segundo ele, o governo brasileiro “parece confundir partido com governo e governo com Estado”. “O aparelhamento da máquina estatal foi enorme”, diz.

Um exemplo da má gestão do PT apontado pelo economista é a atual situação da Petrobras, que tem hoje uma dívida de R$ 250 bilhões. “O que estamos vendo é a destruição da maior empresa brasileira. A produção cai desde 2010 e o endividamento só aumenta”, afirmou Constantino, que completou: “Isso é o resultado da influência política dentro de uma empresa”.

Ao final de sua apresentação, o economista abordou a baixa produtividade no Brasil, que nos últimos dez anos não cresceu mais que 1%, sendo que os salários aumentaram 8% no período. “A fase de prosperidade foi ilusória e o prognóstico não é dos melhores”, completou Constantino.

Avaliando a apresentação do economista de “muito sensata”, o executivo Cícero Barreto, diretor comercial e de marketing da Omint, afirmou que o governo tem de priorizar uma reforma estrutural para que a situação econômica brasileira não piore nos próximos anos. “Só assim o país gerará emprego e voltará a crescer”, aponta Barreto.

Também presente no evento, Ricardo Roldão, fundador e presidente da Atacadista Roldão, concordou com o ponto de vista colocado por Constantino, onde destacou a baixa produtividade do país como um dos fatores que mais lhe preocupa no momento. “O americano produz seis vezes mais que o brasileiro e não podemos aceitar essa diferença”, diz ele.