Tecnologia

Transformação digital é a saída para TI na área farmacêutica

João Luís Costa | 23 março 2017
Eduardo Kondo

A indústria farmacêutica não está imune às transformações que as novas tecnologias estão produzindo. Porém, a dinâmica deste segmento difere fortemente de outros da economia. Baseada em produtos protegidos por patentes, as empresas que investem em inovação radical (novas moléculas) ou incremental (melhorias de medicamentos já existentes) sofrem fortes impactos quando estas patentes expiram e os medicamentos genéricos entram em campo. Para Eduardo Kondo, CIO da Aché Laboratórios, essa rotina do setor também se ressente pelo efeito de outros fatores, como os processos de digitalização. “Hoje temos cerca de 4,5 mil colaboradores, estando metade deles na força de venda. Somos uma empresa geradora de demanda”, explica, ao apresentar os desafios que sua companhia enfrenta no atual cenário de negócios.

Na América Latina e no Brasil, o cenário farmacêutico apresenta algumas diferenças significativas em relação a outras regiões do planeta, apresentando resultados consistentemente mais favoráveis nos últimos anos. Isso porque a expectativa de vida na região está aumentando e, com isso, também o consumo de medicamentos. “Por um lado isso é bom, mas o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento não está trazendo mais o retorno de algum tempo atrás. Hoje, o tempo de pesquisa aumentou para, em média, 12 anos, e os investimentos em P&D subiram para cerca de US$ 1 bilhão, em média”, avalia. Neste cenário, alinhar a empresa às novas tecnologias e extrair dela a maior produtividade possível é a saída para que a companhia mantenha-se sustentável.

Kondo também avalia que uma das saídas para a Aché é a aceleração e desenvolvimento de startups para o setor, e por isso a empresa montou uma aceleradora interna, desenvolvendo soluções pontuais, como a coleta de informações dos pacientes para oferecimento de um tratamento mais eficiente ou adequado ou a mudança da plataforma de descontos para uma de fidelização por meio de serviços. “Toda a indústria oferece os descontos, mas se o paciente encontra uma alternativa mais barata, ele muda para ela. Com os serviços, o paciente percebe um valor maior no medicamento e torna-se mais fiel à marca”, explica.

O executivo também ressalta que parte dos desafios de sua área, além de integrar novas tecnologias à empresa, é implementar uma cultura de inovação que não seja a tradicional, ou seja, a de pesquisa e desenvolvimento de novas moléculas. Ele também destacou o impacto da digitalização no setor por meio de uma pesquisa da Capgemini, onde é demonstrado que empresas que adotaram sistemas e modelos mais digitais tiveram 26% a mais de lucratividade e 9% a mais de eficiência na geração de receitas.

Dentro deste cenário, os CIOs tornam-se mais estratégicos em suas companhias. Em debate com Fabio Faria, diretor corporativo de TI da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) ele evidenciou o papel fundamental do CEO da empresa no encorajamento para a adoção de novos processos e tecnologias. “O plano estratégico da área de TI está muito alinhado ao da empresa e isso facilita demais a implementação e nos últimos dois anos nos tornamos mais próximos das áreas de negócios. Temos profissionais que entendem de TI e também dos negócios, facilitando a comunicação, decisão e implementação das etapas do nosso plano estratégico”.

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