Diversidade é igual à lucratividade nos negócios

Diversidade é igual à lucratividade nos negócios

Nina Silva, criadora do Movimento Black Money, alerta para o alto preço da desigualdade para a economia.

Publicado em 11 de setembro de 2019

“Diversidade e performance caminham juntas”. Esta fala de autoria de Jeff Immelt, ex-CEO global GE, toca num tema que começa a despertar as atenções no mundo dos negócios. Estudo da consultoria Mckinsey 2017 sobre diversidade em 12 países mostra que as empresas com times de executivos com maior variedade de perfis são mais lucrativas. Ao menos 1 mil empresas globais foram analisadas. As companhias com maior diversidade de gênero têm 21% a mais de chances de apresentar resultados acima da média do mercado do que as empresas com menor diversidade em grupo. Quando se trata de diversidade étnico-racial, a lucratividade sobe para 33%.

O estudo O Desafio da Inclusão, feito em todo o país pelo Instituto Locomotiva, mostra que se os salários das mulheres fossem equiparados aos dos homens, isso representaria uma injeção de R$ 461 bilhões na economia brasileira. A mesma pesquisa revela que se negros ganhassem salários iguais aos dos brancos no Brasil, seriam injetados na economia brasileira R$ 808,83 bilhões. 

Ao olharmos apenas para o mercado de consumidores negros, estamos falando de uma movimentação de 1,7 trilhão de reais por ano. Esses e outros números e insights foram apresentados por Nina Silva, criadora do Movimento Black Money, no contexto do Fórum CEO Brasil 2019 realizado no Tivoli Ecoresot Praia do Forte (BA). A empreendedora foi considerada uma das mulheres mais poderosas do Brasil pela revista Forbes e uma das 100 personalidades afrodescendentes mais influentes do mundo com menos de 40 anos de idade pela Most Influential People of Africa Descent, parceira da Organização das Nações Unidas (ONU).

“O racismo é uma burrice econômica. Só porque não queremos sair do banquinho do privilégio, perdemos dinheiro. Então, se não for por empatia, as empresas que quiserem sobreviver e se manter inovadoras, terão que se abrir para a diversidade”.

Por que Black Money?

Nina explica que o Movimento surgiu inspirado no pan-africanismo, com a proposta de deixar o capital financeiro e social circulando o maior tempo possível na comunidade negra. Para se ter uma ideia, em uma pesquisa feita nos Estados Unidos, que mediu a vida útil do dólar nas comunidades, entre os negros este tempo é de 6 horas, enquanto que na comunidade asiática, por exemplo, é de 28 dias. 

Uma das explicações é o fato de os negros não serem os donos dos meios de produção. Por isso, o objetivo do Black Money é criar uma cadeia produtiva e de fornecimento para manter o dinheiro mais tempo na cadeia preta. “O movimento é uma espécie de hackeamento do sistema: um centro de inovação que busca a emancipação por meio de ferramentas digitais.Temos que ser os agentes e protagonistas da própria transformação”.

Das frentes do Movimento, a novidade é o lançamento da marca D´Black bank, que se materializa, por enquanto, em uma maquininha de crédito e débito própria, a Pretinha, que incentiva taxas mais justas aos microempreendedores negros e realiza antecipação de recebíveis. “Vivemos um cenário em que 35 milhões de negros são desbancarizados. Além disso, os empresários negros têm o seu pedido de crédito negados três vezes mais do que os brancos no Brasil”. 

Outro braço, chamado de StartBlackUp, é o de networking que se dá por meio de encontros presenciais onde os empreendedores têm acesso a ferramentas, mentoria, espaço para divulgar seus negócios e criarem suas redes.

“Queremos criar a mentalidade de que eles têm uma startup e podem escalar e concorrer junto a empreendedores não-negros”. 

Por fim, Nina fez um convite aos executivos presentes no Fórum para se juntarem a este movimento em prol da diversidade. “Em nossa rede, temos mentores ativos que resolvem a lacunas históricas que o racismo impôs, como empreender sem saber de quanto capital de giro precisar ou como fazer o pitch da empresa. Seja um sponsor, um mentor de um empreendedor negro. Tenha fornecedores negros. Seja intencional na contratação de mais pessoas negras. Seja ativo na luta antirracista”. 

Texto: Luana Dalmolin

Foto: Marcos Mesquita | Experience Club