“Líderes do futuro precisam ser ambidestros”

“Líderes do futuro precisam ser ambidestros”

RH Lab: Transitar entre a cultura linear e a versatilidade das startups é o desafio da nova liderança para Clayton Pedro, da Athié Wohnrath.

Publicado em 8 de abril de 2019

Por mais rápido que a economia se transforme com a tecnologia, a cultura e a motivação das pessoas no trabalho têm o seu próprio ritmo, que deve ser trabalhado de maneira construtiva para o sucesso das empresas. Como fazer a condução do modelo linear de negócios para organizações mais ágeis e altamente motivadas foi tema de destaque na abertura do RH Lab de segunda-feira, 8 de abril, com o Clayton Pedro, VP de Gente e Gestão da Athié Wohnrath.

Na apresentação preparada para o evento, realizado pelo Experience Club na Casa Charlô, em São Paulo, Pedro trouxe vários insights de viagens recentes e uma temporada de estudos e na Universidade de Stanford, na Califórnia, mostrando o impacto da tecnologia na cultura das empresas mais inovadoras. Sua fonte de inspiração foi o livro Lead and Disrupt, do professor Charles A O’Reilly 3rd e Michael L. Tushman, de Stanford.

Como ele ressaltou, a primeira mudança tem pouca relação direta com a tecnologia, mas com pessoas: até 2020, 50% da força de trabalho será composta por millennials em todo o mundo, saltando para 75% em 2030. “A verdade é que pela primeira vez temos cinco gerações dentro da organização, com muita dificuldade para conviver”, provocou. A mesma maneira que os baby boomers de cabelos brancos querem impor sua visão da companhia, os mais jovens têm muita dificuldade em aceitar as gerações anteriores.

Mas antes de criticar quem está chegando, Pedro destaca outro problema mais alarmante: pesquisa global da Gallup aponta que 85% das pessoas estão desengajadas no trabalho por baixa motivação, o que gera uma perda de produtividade de US$ 7 trilhões ao ano. Esse é o preço da falta de propósito no trabalho.

Até 2020, 50% da força de trabalho no mundo será composta por millennials

Cultura de transição

Avançar nesse cenário implica em transformações que não são fáceis para as organizações, mas que precisam ser feitas para quem deseja sobreviver. “Uma empresa que estava na lista da S&P 500 em 1935 tinha vida média de 90 anos. Em 2017, a expectativa caiu para 12 anos”, destaca Pedro. Mais ainda: a permanência média do CEO à frente dessas mesmas organizações é de três anos e meio.

A principal mudança, destaca o VP da Athié Wohnrath, é que as empresas eram feitas para estar acima do ecossistema, o que não funcionam mais. “As organizações devem estar em posição de igualdade com o ecossistema. Na verdade, seu objetivo deve ser a construção de um ecossistema de startups e colaboradores ao seu redor, criando um modelo de ganho mútuo que mantém a relevância do negócio”.

A permanência média no cargo de um CEO nas empresas S&P 500 é de três anos e meio 3,5 anos.

E qual é o papel de um líder capaz de conduzir essa transformação? Pedro, se baseia nas conclusões de uma série de pesquisas realizadas por O’Reilly em Stanford. O desafio, segundo o autor, é saber explorar com inteligência os recursos que organização obtêm na economia linear, e investir na atração de startups e novas visões para o futuro do negócio. Um líder “ambidestro”.

“O bom líder é aquele capaz de ser consistentemente inconsistente. Ou seja, manter a visão do todo, criando um propósito maior, ao mesmo tempo em que conduzir processos com diferentes métricas, culturas e valores”.

Segredo da Felicidade

Qualquer líder sabe que nos momentos críticos de mudança, romper com a falta de motivação é um desafio imperativo. E nisso, Pedro acredita que as gerações há mais tempos nas empresas podem aprender mais com os jovens. Embora o ato de “fazer” algo que tenha “propósito” seja o mais interessante na vida de quem trabalha. “O problema é vamos sendo levados pela pressão emocional, a pressão econômica até chegarmos naquele estado de inércia, o pior que pode acontecer dentro de uma organização.

Para reverter esse quadro, somente com uma cultura muito forte e capaz de evoluir com as mudanças no mercado. O executivo da Athié Wohnrath destaca como grande exemplo a rede de varejo de sapatos americana Zappos, “que está dez anos à frente de todo mundo”. Para manter sua equipe altamente engajada, a empresa segue sua própria receita de quatro ingredientes para a felicidade no trabalho:

1-Percepção de controle – sentir no comando da própria vida.

2-Sensação de progresso – estar ao lado de pessoas que são melhores do que você.

3-Conexão – ter a sensação de fazer parte de uma história e uma cultura próprias.

4-Significado – fazer parte de algo que é maior do que você.

“Ao contrário do que se pensava antigamente, o nosso empenho para integrar a vida pessoal e profissional deve ser cada vez maior. É por isso que o papel do RH tem sido cada vez mais importante para construir essas culturas tão inovadoras que estão surgindo no mundo das startups”, conclui Pedro.

 

Texto: Arnaldo Comin

Foto: Marcos Mesquita/Experience Club