Oito regras das startups feitas para durar

Oito regras das startups feitas para durar

Presidente da ABStartups Amure Pinho, mostra o caminho do venture capital com visão de longo prazo

Publicado em 10 de agosto de 2020

Montar uma startup de sucesso não depende só de boas ideias e de boa vontade. São frequentes os casos de empreendedores visionários que acabam por enterrar negócios promissores por falta de habilidade de gestão, de timing ou dos canais certos para levantar o dinheiro necessário. É comum um negócio dar certo no começo, mas ficar pelo caminho. O que costuma fazer a diferença é a capacidade de planejamento e de preparação dos empreendedores dentro de uma visão de investimento de longo prazo. 

Nessa jornada da ideia ao bilhão, há uma série de passos já trilhados por startups de sucesso que podem ser seguidos. É o que dizem especialistas que acompanham o dia a dia de centenas de empreendedores, como Amure Pinho, presidente da associação brasileira de startups (ABStartups). “A estratégia de investimento é a espinha dorsal da jornada de uma startup. Se ela começar errado, você não vai conseguir resolver nos próximos rounds, vai perder o engajamento dos fundadores e vai ter pouco capital na hora que você precisa”, diz.

A Experience Club entrevistou Pinho para entender passo a passo os desafios e questões a que um empreendedor precisa estar atento em cada fase de desenvolvimento de sua startup.  

Confira os oito insights extraídos da entrevista [assista aovídeo e mergulhe no assunto]:

1.Captação planejada – A captação de investimento é a espinha dorsal de uma startup. Se  o empreendedor começa errado, cedendo capital demais, pulando etapas ou buscando menos dinheiro do que precisa investir, toda a condução da startup fica comprometida.

2.Timing é tudo – O ideal é que o empreendedor vá atrás de investimento no momento certo. É quando a startup já fatura e cresce mais de 10% mês ao mês, já sabe os canais de venda e tem um produto ou serviço já bem compreendido pelo mercado. Esse é o melhor momento de captar. Porque é nessa fase que a startup vai ser muito interessante para os anjos e não vai perder tempo tendo que provar o seu produto.

3.Acerte no primeiro round – A largada é a hora de fazer uma captação certeira. Captar do jeito certo significa que o dinheiro tem que durar 18 meses. Não adianta o empreendedor pegar R$ 100 mil, R$ 200 mil, se não sabe de quanto precisa. É preciso saber onde aplicar e como crescer. O empreendedor também não pode ceder mais de 15% da startup. Se tudo der certo e o negócio continuar a crescer, vão ser necessárias novas captações, e o empreendedor pode acabar ficando com muito pouco no final. Por isso, é importante que entenda que a estrutura societária da startup tem que ser saudável.

4.A hora de agir – Depois disso, não tem mistério. Com o dinheiro captado de maneira certa, o empreendedor precisa crescer para não comprometer a rodada seguinte de captação. Com dinheiro em caixa e um plano estratégico, é hora de ir para a ação, para o tático, buscar um crescimento de 3, 5, 10 vezes nos 18 meses seguintes, para que possam chegar muito forte para a nova rodada de captação, que também precisa ser certeira. Os desafios após cada captação são como a fundação de um prédio. A startup vai sendo reconstruída e muda ao longo do tempo. A cada captação, uma nova empresa nasce, com mais força, com estrutura diferente, com processos e com produto melhorado.

5.De olho nos anjos – Por mais que o empreendedor não esteja prestes a captar, ou por mais que já tenha captado, o relacionamento ativo com os anjos, mostrando o desempenho da startup mês a mês, é mais uma parte da estratégia de uma captação saudável na linha do tempo da jornada de uma startup. Uma jornada de captação básica tem um investimento anjo; um investimento pré-seed, entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões; uma jornada seed money, entre R$ 3 milhões e R$ 6 milhões; e depois ela entra no mundo do Series A. Que é o dinheiro dos fundos de investimento, o venture capital.

6.Corrida pela liderança – Quando começa a perceber que os investimentos que fez lá atrás estão dando certo, não adianta o empreendedor querer amadurecer como gestor ou mudar a cultura interna da startup se não estiver entregando crescimento. Ele precisa se tornar uma scale up, uma startup que já passou pelas etapas de operação, investimento, crescimento e, por fim, precisa de capital para ser dominante em seus mercados. 

7.Gestão em escala – O empreendedor precisa aprender a recrutar melhor os seus diretores, os seus heads. Começa a fazer uma distribuição de participação entre pessoas importantes na startup. Fica cada vez mais focado em montar equipes, repassar sua visão e se relacionar com investidores. Se relacionar com investidores e com fundos vira quase que o dia a dia do fundador. Fundadores que antes ficavam codando até uma ou duas horas da manhã começam a virar líderes de suas áreas e a empresa então precisa crescer muito. Ir para 30, 40, 50, 200 funcionários. Os desafios de cultura, de RH e de gestão se tornam cada vez mais importantes. O empreendedor começa a ter que fazer a empresa entrar em um modelo um pouco mais de empresa grande, sem perder a ternura, a cultura do mindset de startup.

8.Adaptação ou morte – O meio força o empreendedor a se transformar ou morrer no meio do caminho. O que percebi em empreendedores em que investi e que se tornaram grandes empresários foram se cercando de times muito competentes e de pessoas melhores do que eles. Já estavam crescendo, então podiam trazer pessoas mais incríveis e talentosas para o time. Um time que puxasse os fundadores, que trouxesse nova carga de transformação e liderasse para baixo. A segunda coisa é que o empreendedor começa a se cercar de pessoas muito fortes do mundo dos investimentos. Os investidores montam um board de advisors e o empreendedor passa a ter uma cobrança que funciona como um coaching. O board exige performance, resultados e o direciona para novos caminhos, para os quais ele não era forçado antes. O terceiro ponto é que o empreendedor começa também a ter mentores aos quais conseguiu ter acesso porque agora já não é mais uma startup procurando lugar ao sol. Ele já tem investimento, já já consegue mostrar para algumas pessoas que tem algo a ensinar. Então, essas pessoas, outros co-founders ou referências do mercado, começam a contar com ele e também a fornecer tempo para ele como mentores.

Texto: Dubes Sônego

Imagens: Reprodução | Experience Club