Organizações devem firmar pacto cultural entre pessoas e tecnologias

Referência em liderança do Vale do Silício, especialista em gestão e psicologia da mudança John Hagel coloca a humanização no centro dos novos modelos de negócios

Publicado em 25 de fevereiro de 2021

Desde o início do processo de automatização do trabalho, das fábricas até o Vale do Silício, o espectro da substituição da força humana por máquinas é constante e crescente. Com o tempo, observou-se que parte do trabalho foi – e deve continuar sendo – substituído pela tecnologia, o que não significa uma eliminação do ser humano. O desafio das empresas é unir forças entre trabalhadores e tecnologia, e se manter vigilante nos impactos que essa convergência pode trazer, em especial aos colaboradores. 

É o que afirma John Hagel, o mais importante pensador sobre liderança organizacional da atualidade. Hagel atuou como vice-presidente sênior de planejamento estratégico na Atari, Inc, é fundador e co-presidente do Deloitte LLP’s Centre for the Edge, um centro de pesquisa baseado no Vale do Silício com filiais em Amsterdã e Melbourne. Além disso, faz parte do time de lideranças do Fórum Econômico Mundial e do Instituto Santa Fé, e atua no corpo docente da Singularity University. Hagel falará sobre esses e outros assuntos no primeiro Experience Lab de 2021, que acontece em 24 de março em modo digital. Clique aqui e faça agora a sua inscrição.

Há 40 anos ativo no Vale do Silício, o mercado de trabalho mais dinâmico do mundo, acompanhando de perto a evolução das techs e as mudanças nas relações de trabalho, Hagel defende que é fundamental estabelecer um pacto cultural das tecnologias nas organizações. Para ele, a humanização está no centro dos processos de mudanças e de adaptabilidade aos ambientes de negócios do futuro, por isso a importância de se olhar cada vez mais para as pessoas dentro da estratégia de negócios.

“Eu acredito que todos os seres humanos são capazes de ter criatividade, imaginação, inteligência social e inteligência emocional”, diz Hegel no Global Summit da Singularity University, onde atua no corpo docente. Ele defende que as empresas precisam ajudar seus colaboradores a desenvolver habilidades que já são inerentes ao ser humano, não somente competências técnicas, uma vez que elas podem ser aplicadas em qualquer situação. Afirma ainda ser indispensável no mercado atual uma equipe capaz de identificar problemas e encontrar soluções. Só assim empresas e instituições serão capazes de gerar mais valor e mais impacto para os negócios e para a sociedade.

A tecnologia não é uma oportunidade, ela é mandatória na sociedade atual. E a busca constante por performance constante pode criar um ambiente de competição prejudicial ao negócio.

Por isso, Hagel defende uma preocupação maior com a saúde mental das pessoas para a manutenção de um ambiente de trabalho mais amigável e, consequentemente, mais colaborativo e produtivo. “Nós ainda estamos presos em um pensamento de busca constante e escalável por performance. Quanto mais presos estamos nessa lógica, mais o medo toma conta e nós confrontamos uns aos outros e adotamos um comportamento disfuncional”, afirma Hagel.

Veja cinco insights de John Hagel

1- As instituições que não redefinirem suas novas formas de trabalho serão deixadas de lado

2- Precisamos focar no impacto emocional dessa pressão crescente por desempenho, não só nos impactos financeiros

3- Se conseguirmos redefinir a maneira como trabalhamos, pela primeira vez teremos a oportunidade de criar mais valor, de maneira acelerada, com retorno exponencial

4- Se você não está aprendendo com rapidez, você ficará à margem

5- Não importa o quão inteligente qualquer um de nós sejamos, aprenderemos muito mais rápido se nos unirmos.