RH precisa assumir o protagonismo

RH precisa assumir o protagonismo

César Souza, CEO da Empreenda, recomenda aos recursos humanos que busquem a liderança e a inovação para reassumir seu papel estratégico nas empresas

Publicado em 27 de março de 2019

O RH precisa assumir o protagonismo nas empresas, ficar mais alinhado às estratégias e ser co-autor da história da organização. Foi com esse discurso que César Souza, CEO da Empreenda, falou a uma plateia composta por 120 grandes líderes de RH do Brasil, que se reuniram na terceira edição do RH Week, evento promovido pelo Experience Club, no Sofitel Jequitimar, de 21 a 22 de maio, no Guarujá (SP).

Ele lembrou que, além de mostrar seu valor como braço-direito do CEO e das áreas de negócios, o RH deveria desempenhar papel fundamental na integração das áreas. Ao invés de ter várias ilhas de competência atuando separadamente, o papel do gestor de Recursos Humanos é ajudar nesse processo de união. “O papel do líder é transformar em ilhas de competência em um grande arquipélago de excelência”, acredita César.

Outro alerta de Cesar refere-se à era da alta tecnologia. Embora seja altamente benéfica para as organizações, ela traz um risco camuflado. “A gestão de pessoas não pode ser robotizada. O RH deve contribuir para que os contatos não se percam. Quanto mais sofisticada a tecnologia, maior deve ser o contato humano e não o contrário”, ensina.

Os recursos humanos vivem tempos paradoxais. Ou seja: ao menos tempo que o patrimônio humano é – e tende a ser cada vez mais – valorizado, nunca o departamento de RH pareceu ser tão desvalorizado. Ele é a quinta prioridade dos CEOs, em pesquisas conduzidas por César. As áreas de finanças, comercial, logística e jurídico aparecem na frente. “Tem casos em que o profissional de finanças, jurídico ou até o dono é colocado para cuidar do RH. Temos que parar para pensar sobre nosso protagonismo”, adverte.

Ausência de líderes

Para complicar o cenário, os CEOs também parecem estar isolados, sem mentes ricas e sucessoras por perto. Dos 520 presidentes ouvidos por César, 71% responderam não ter líderes em casa. “São presidentes de empresas confessando que não capacitam e nem formam líderes. É um dado estarrecedor. Esse é um grande desafio para o RH”, alerta.

Hoje, a maior dificuldade dentro das empresas é a execução. Falta gente, falta foco e, pior, usa-se o tempo e energia que sobram na caça aos culpados. “O buraco é muito mais em cima. Falta atitude, postura do dono, do presidente e dos líderes.”

Como deveres de casa, César recomenda que as empresas e seus recursos humanos trabalhem na busca por um propósito comum culturas e valores, competências e resultados para os clientes.

E, por fim, recomenda que as empresas busquem incessantemente a inovação. O RH, nesse caso, tem papel fundamental, já que deve agir como um incentivador e formador de pessoas. “Inovação é como sexo. A gente fala mais do que faz”, brinca César. E quem faz, sai na frente. Um exemplo é o da Basf, que tem por volta de 75% de seu faturamento advindo de produtos desenvolvidos nos últimos cinco anos. Um banho de inovação.

Texto: Arnaldo Comin

Foto: Marcos Mesquita/Experience Club