RH Week: pesquisa ao vivo revela maiores desafios de gestores

RH Week: pesquisa ao vivo revela maiores desafios de gestores

Enquete em tempo real com diretores de recursos humanos mostra que maiores preocupações são a performance do negócio diante de modelos inovadores e como preparar colaboradores para o futuro

Publicado em 27 de março de 2019

De casa cheia, a terceira edição do RH Week, evento que reúne os maiores líderes de Recursos Humanos do Brasil em evento promovido pelo Experience Club, nos dias 21 e 22 de maio, no Sofitel Jequitimar Guarujá SP), teve início com uma série de novidades. Em uma enquete com 120 diretores de RH de grandes empresas, que foi respondida em tempo real dentro do aplicativo desenvolvido especialmente para o evento, foi lançada a pergunta “Os maiores desafios do RH”,

Dos 50 respondentes, dois temas empataram e ficaram em primeiro lugar entre sete alternativas: Performance dos Negócios versus Modelos Inovadores e Preparação da Força de Trabalho para o Futuro. Com 27% dos votos, esses foram eleitos os dois principais desafios dos gestores de RH da atualidade.

Nas posições seguintes, surgiram como obstáculos os temas Liderança (17%), Diversidade e Inclusão (10%), Cultura e Organização (10%), Experiência do Colaborador e Relação dos Jovens tanto como Colaborador Quanto Consumidor (4%).

A pesquisa foi o tema do debate moderado por Sofia Esteves, presidente do conselho no grupo Cia de Talentos, que convidou os gestores de RH Ana Borghi (Netflix), Marco Custódio (Nestlé) e Juliano Marcílio (Bradesco) para esse grande brainstorm sobre gente.

Abaixo, os principais pensamentos dos debatedores sobre os temas abaixo:

Diversidade e inclusão

Em franco crescimento, a Netflix tem 4 mil funcionários no mundo e modelo de startup. O grande desafio do escritório brasileiro é contratar pessoas. Isso significa ter os melhores talentos – os melhores talentos e as melhores produtoras. Isso faz parte do projeto de inclusão e diversidade e contemplar a todos, negros e brancos, homens e mulheres, jovens e mais velhos. “A diversidade é ser convidado para uma festa. Já a inclusão é ser convidado para dançar”, compara Ana Borghi, do RH da Netflix.

Liderança

Marco Custódio, responsável pelo RH da Nestlé, revela que é importante o Brasil se enxergar nos processos e sistemas “importados”. Nem sempre o que vem de fora se encaixa ao espírito local. “Chegam coisas da Suíça que a gente percebe que não vai rolar. Somos sempre a ovelha negra”, brinca.

Outra experiência que ele compartilhou com a plateia foi a do “mentoring reverso”, no qual o próprio Marco está sendo mentorado por um jovem de 22 anos. “Não é só por conta da minha posição que eu detenho o conhecimento. A gente tem se desafiado bastante na Nestlé.”

Na Netflix, a liderança é um desafio. Diferentemente de muitas empresas que conduzem avaliações em 360 graus, na Netflix muitas vezes é organizado um jantar com essa dinâmica ao vivo, com feedback e debate na frente de todos. “Na minha primeira participação, fiquei assustada. Depois, achei muito rico”, conta Ana Borghi, do RH da Netflix.

Juliano Marcílio, do RH da Bradesco Seguros, lembra que o líder também enfrenta desafios, a começar pelo processo de desenvolvimento de pessoas. “Sinto que nem todos têm facilidade na hora de desenvolver gente”, conta.

Cultura e organização

No Brasil há quase 100 anos, o RH da Nestlé tem mirado questões como reinvenção e reposicionamento para ganhar mercado. “Não é simples nem de uma hora para outra que se muda, até porque trabalhamos em 20 categorias. O que acontece no mundo dos lácteos é diferente do que ocorre no universo dos cafés”, conta Marco Custódio, responsável pelo RH da Nestlé.

É papel do RH também enxerga muitos anos à frente, tanto em termos de desafios quanto de obstáculos. Nesse caso, Juliano Marcílio, do RJ da Bradesco Seguros, recomenda aos jovens a formação em Ciências Atuariais, com baixa procura nas universidades e alta demanda nas empresas. “Hoje, aumento o salário e trago mais profissionais. Mas, mais para frente, não vejo uma grande formação desses profissionais e a demanda será muito maior”, adverte.

Texto: Françoise Terzian

Foto: Marcos Mesquita/Experience Club