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42 SP forma programadores com metodologia inovadora e gratuita

Monica Miglio Pedrosa

Uma metodologia que promove autonomia e proatividade na resolução de problemas, estimula a colaboração e aposta em atividades 100% práticas. Essa é a proposta da 42, escola de engenharia de software reconhecida como uma das três mais inovadoras do mundo em 2025 pelo World University Rankings for Innovation (WURI), ao lado de instituições como MIT, Harvard e Stanford. Entre os alunos que concluem o curso no Brasil, 80% saem empregados na área.

A base do modelo é a aprendizagem entre pares. Todos são, ao mesmo tempo, alunos e professores. Estruturado em projetos, o método exige proatividade, colaboração e apoio coletivo para o desenvolvimento individual ao longo da jornada. Conhecida como “pedagogia ativa”, a abordagem estimula tanto habilidades técnicas quanto socioemocionais. Qualquer pessoa acima de 18 anos pode participar do programa, mesmo sem diploma. O curso é 100% gratuito.

Foto de divulgação 42 SP

A iniciativa nasceu na França, idealizada por Nicolas Sadirad, um dos cofundadores da 42. Cientista da computação, ele é também responsável pela Escola Epitech. Ao lado do empresário de tecnologia e telecomunicações Xavier Niel, proprietário da Iliad — controladora da Free, uma das maiores provedoras de serviços de internet da França —, além de Florian Bucher e Kwame Yamgnane, fundou a 42 Paris em 2013, primeira unidade do projeto.

Hoje, a 42 é uma rede de 54 campi em 31 países, distribuídos por quatro continentes, e já formou mais de 21 mil estudantes. No Brasil, a 42 São Paulo foi inaugurada em 2019, com o apoio inicial do Itaú e da Fundação Telefônica Vivo. Atualmente, conta também com o suporte do Banco Santander e do Instituto Viva a Vida.

Processo seletivo colaborativo

A seleção começa com uma etapa online, composta por dois jogos que avaliam memória e lógica. Ao atingir o desempenho mínimo, o candidato segue para a fase presencial, que dura 26 dias. Conhecida como “Piscina”, essa etapa marca o início da jornada na escola. Ela permite vivenciar, na prática, a metodologia da 42.

“Nosso processo seletivo é colaborativo, não concorrente. Se tivermos 200 pessoas na etapa presencial e todas se adaptarem bem à nossa metodologia, as 200 continuam conosco”, afirma Leila von Dreifus, CEO da 42 São Paulo.

Foto de divulgação 42 SP

Engenheira de produção formada pela Poli-USP e com MBA pela FIA, Leila trabalhou em empresas como Submarino (B2W), Natura, 99 e Yellow, onde foi diretora de operações. Após um período sabático devido ao nascimento do filho, encontrou na 42 um projeto alinhado ao seu propósito de gerar impacto social.

Segundo Leila, Karen Kanaan e Guilherme Décourt, os fundadores que trouxeram a 42 para o Brasil, se tornando a primeira unidade da América Latina, o modelo se adequa muito bem à realidade brasileira. Primeiro por não ter barreiras de entrada além da maioridade. Segundo porque o curso é gratuito e inclusivo. A proposta visa ampliar a representatividade feminina e de pretos e pardos em um mercado de tecnologia ainda majoritariamente masculino e branco.

“Olhamos tanto para o viés de gênero quanto de raça. Além disso, metade de nossos alunos vêm de contextos de vulnerabilidade social, com renda per capita inferior ao salário mínimo”, afirma. Atualmente, são 250 alunos ativos, sendo 40% não masculinos (trans, femininos e não binários) e 38% pretos e pardos. A 42 também concede auxílio financeiro a parte dos alunos, para que estes possam se dedicar integralmente aos estudos.

A jornada dura, em média, dois anos, e inclui a realização de 14 projetos e cinco exames. Os alunos aprendem C, Python e inteligência artificial. Em função da metodologia adotada, o curso é totalmente presencial. A 42 fica aberta sete dias por semana, 24 horas por dia, permitindo que os alunos estudem no seu próprio ritmo e horário. O resultado é que, em até seis meses após a conclusão, praticamente 100% dos alunos estão empregados, sendo que 80% já saem com uma oportunidade concreta.

Foto de divulgação 42 SP

Imersões em empresas

Sem fins lucrativos, a 42 se mantém por meio de patrocinadores institucionais, doações de pessoas físicas e jurídicas e da realização de imersões em empresas. A proposta é levar a metodologia da escola para o ambiente empresarial.

A imersão IA para produtividade, com duração de dois dias, capacita profissionais que não são desenvolvedores, mas desejam aplicar ferramentas de inteligência artificial no dia a dia. Já a imersão de cinco dias é voltada a desenvolvedores e tem como foco a programação com IA.

Há ainda programas personalizados, adaptados às necessidades de cada organização. O diferencial está na experiência prática e colaborativa, que estimula uma postura mais proativa diante do aprendizado. Empresas como Itaú, Vivo, Votorantim, Santander, escritórios de advocacia e empresas de RH são algumas das que já colocaram em prática a metodologia da 42 por meio dessas imersões.

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