Mercado

Instabilidade macroeconômica é maior preocupação dos CEOs em 2026

29a CEO Survey, da PwC

Monica Miglio Pedrosa

A instabilidade macroeconômica voltou ao topo das preocupações dos CEOs brasileiros. Segundo a 29ª CEO Survey da PwC, 38% dos líderes apontam esse fator como a maior ameaça aos negócios, percentual acima da média global (31%). Apesar das incertezas no ambiente internacional, 56% dos executivos acreditam na aceleração do crescimento mundial, índice ainda positivo, embora inferior ao registrado no ano passado (68%).  Para lidar com esse cenário de instabilidade, mais da metade dos CEOs (51%) afirma que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos.

A pesquisa anual da PwC reúne respostas de mais de 4.400 líderes de 95 países, incluindo o Brasil. Além da instabilidade macroeconômica, os CEOs brasileiros apontam a disrupção tecnológica (31%), a inflação (29%), a falta de talentos qualificados (29%) e os riscos cibernéticos (25%) como as principais ameaças ao crescimento dos negócios.

Esse ambiente mais pressionado se reflete diretamente nas expectativas de crescimento da receita no curto prazo. Em relação aos próximos 12 meses, os CEOs no Brasil e no mundo demonstram um nível menor de confiança quando comparado à edição anterior da pesquisa. Apenas 38% dos líderes brasileiros dizem estar muito confiantes ou extremamente confiantes no crescimento da receita no próximo ano, percentual que era de 50% em 2025.

No recorte global, o movimento é semelhante. Embora 61% dos CEOs no mundo acreditem que o crescimento do PIB global deve se acelerar nos próximos 12 meses, essa visão mais positiva sobre a economia mundial não se traduz em maior confiança no desempenho financeiro das próprias empresas. Apenas 30% dos líderes globais estão muito confiantes de que terão crescimento de receita neste ano.

Inovação como saída?

Nesse cenário, a inovação ganha relevância estratégica na agenda dos CEOs. No Brasil, 56% dos líderes afirmam que a inovação é um componente crítico da estratégia de negócios. Na prática, porém, há um descompasso entre discurso e execução. Apenas 20% dizem que suas empresas toleram projetos de inovação de alto risco, 19% contam com um centro de inovação, incubadora ou divisão de corporate venturing, e 18% afirmam ter processos regulares para encerrar iniciativas de P&D com baixo desempenho.

Em relação aos riscos associados às mudanças climáticas, 40% dos CEOs brasileiros dizem que suas empresas estão moderadamente expostas ao risco de perdas financeiras significativas decorrentes deste fator. Globalmente, essa percepção é a ainda mais forte nos setores de seguros (50%) e de energia e serviços de utilidade pública (67%).

Apesar desse reconhecimento, apenas 18% dos CEOs brasileiros afirmam ter processos muito bem definidos para avaliar riscos e oportunidades nas mudanças climáticas dentro da cadeia de suprimentos e em compras.  Quando o foco se desloca para decisões de alocação de capital, incluindo M&A, esse percentual sobe levemente, para 20%.

Menos profissionais no início de carreira

Ao avaliar os impactos da inteligência artificial sobre os empregos, a CEO Survey revela que 60% dos líderes brasileiros acreditam que suas empresas precisarão de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos. Para cargos de nível médio (34%) e sênior (18%) a expectativa de redução é significativamente menor.

A principal preocupação dos CEOs em relação à IA, no entanto, está na capacidade de transformar o negócio no ritmo necessário para acompanhar o avanço da tecnologia. Apesar desse receio, globalmente, 30% dos líderes afirmam que suas empresas já obtiveram ganhos mensuráveis com a adoção da tecnologia nos últimos 12 meses, principalmente em aumento de receita. No Brasil, 28% relatam redução de custos associada ao uso de IA, enquanto 20% apontam crescimento de receita.

Competição em novos setores

A busca por crescimento e reinvenção tem levado muitas empresas a avançar além das fronteiras tradicionais de suas indústrias. No Brasil, 51% dos CEOs afirmam que suas organizações passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos, com o segmento de tecnologia despontando como a principal frente de expansão, citado por 18% dos líderes.

Na Europa e na América do Norte, o estudo destaca ainda a influência da geopolítica nas estratégias de crescimento em setores adjacentes. Cerca de 40% dos CEOs do setor de produção industrial dizem buscar oportunidades na indústria aeroespacial e de defesa, como reflexo do aumento dos gastos militares e dos recentes movimentos no cenário geopolítico global.

Acesse a íntegra da 29ª CEO Survey, da PwC, aqui.

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