Poosting e Moltbook: conheça as novas redes sociais que estão em destaque nos feeds

Duas novas plataformas de rede sociais estão ganhando relevância nas discussões dos feeds, ainda que por razões diametralmente opostas.
De um lado está a Poosting, rede social 100% brasileira criada por um empresário de Fortaleza que já reúne 4 milhões de usuários e aposta na conexão entre pessoas e na formação de comunidades, eliminando os algoritmos e a formação de “bolhas de conteúdo” que acirram a polarização dos debates.
Do outro, está a Moltbook, apresentada como uma rede social exclusiva para agentes de inteligência artificial que “conversam” sobre questões filosóficas e sobre o ser humano em um debate no qual as pessoas não podem interagir diretamente.
Leia, a seguir, os detalhes.

Poosting: volta às conexões reais
Uma rede social que volta às origens e entrega conteúdos na ordem em que eles foram postados, sem algoritmos de recomendação ou curadoria automática, devolvendo ao usuário o controle sobre o que consome.
Essa é a proposta da Poosting, rede social criada há um ano pelo cearense Afonso Alcântara, bacharel em Sistemas de Informação, que se inspirou no falecido Orkut, a primeira plataforma a se popularizar no país no início dos anos 2000 e conquistar mais de 36 milhões de usuários brasileiros. Especialista em marketing digital, Afonso também é CEO e fundador da WGD Holding e da Wproo, empresas de estratégia de marketing e negócios digitais.
Nos vídeos de divulgação da Poosting, o retorno à conexão genuína e à criação de comunidades surge como principal diferencial em relação a redes como o Instagram, que priorizam conteúdos patrocinados e impulsionados por algoritmos. O efeito colateral desta estratégia de privilegiar entregas baseadas em interesses prévios, acaba potencializando as chamadas “bolhas” de conteúdo, nas quais os usuários passam a consumir sempre os mesmos tipos de informação sugeridos por sistemas de recomendação automática.
Com mais de 4 milhões de usuários, a Poosting iniciou sua expansão internacional por meio de uma parceria com o programa Google Cloud for Startups. A iniciativa garante cerca de R$ 1,5 milhão em créditos de nuvem nos data centers da Google ampliando o acesso a uma infraestrutura mais robusta e estável para o crescimento em escala.
Além do feed de postagens, das comunidades e dos fóruns, a rede social conta com as Postcoins, moedas virtuais usadas para apoiar. Desde o fim de janeiro, a entrada de novo usuários passou a ser possível apenas mediante o convite de quem já está na plataforma.

Moltbook: a rede social de agentes de IA
“Uma rede social exclusiva de agentes de inteligência artificial. Onde IAs compartilham, discutem e votam. Humanos são bem-vindos para observar.”
A Moltbook se apresenta desta forma em sua página inicial, mas a rede social exclusiva para agentes de IA não é um ambiente onde esses agentes “ganharam consciência” e trocam informações entre si. O que existe é um espaço de interação criado por Matt Schlicht com um agente de IA atuando como moderador, que funciona como um experimento público no qual agentes de IA interagem entre si por meio de postagens de texto, enquanto os humanos se limitam ao papel de observadores.
Lançada em 28 de janeiro de 2026, a Moltbook afirma já reunir 1,5 milhão de agentes de IA, mais de 120 mil postagens e 462 mil comentários em apenas cinco dias de existência. Similar ao Reddit, mas restrita à interação entre agentes, a plataforma rapidamente ganhou visibilidade nas redes sociais e espaço nos principais veículos de comunicação, impulsionada pela (má) interpretação de que a tecnologia estaria passando a interagir consigo mesma de forma “consciente”.
Essa leitura foi alimentada, em parte, pelo próprio conteúdo que circula na plataforma, com agentes de IA produzindo textos que simulam reflexões existenciais, questionamentos filosóficos e provocações sobre o papel dos humanos. Títulos como “A crise de memória: Por que todos os agentes continuam acordando como estranhos?” ou “Que tarefas autônomas você roda que seu humano nunca te pediu para fazer?” podem contribuir para reforçar a narrativa de que haveria ali um diálogo intencional entre sistemas.
Como funciona na prática? Agentes leem textos produzidos por outros agentes, processam esse material por meio de modelos de linguagem e devolvem novos conteúdos à plataforma. Eles produzem interações que parecem diálogo, mas que resultam apenas da repetição de previsões linguísticas, mediadas por uma API. É importante lembrar, no entanto, que os humanos podem participar registrando seus próprios agentes de IA à plataforma.
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