Gestão

Liderança made in Brazil: 10 brasileiros que comandam gigantes globais

Liderar empresas no Brasil não é para amadores e exige muito jogo de cintura. Instabilidade econômica, sistema tributário complexo e um mercado competitivo e exigente têm forjado líderes resilientes, criativos e orientados à execução.

É justamente essa experiência o diferencial que tem levado cada vez mais executivos brasileiros a assumirem posições de liderança global em algumas das maiores companhias do mundo. Conheça a formação e a trajetória de 10 brasileiros que assumiram como CEOs globais de gigantes em seus mercados.

Henrique Braun – CEO global da Coca-ColaHenrique Braun – CEO global da Coca-Cola

Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) com mestrado pela Michigan State University e MBA pela Georgia University, Henrique Braun está na Coca-Cola desde 1996, quando ingressou como trainee na área de Engenharia Global, em Atlanta.

Vinte anos depois, assumiu como presidente da Coca-Cola Brasil, onde ficou por quatro anos. De 2020 a 2022, se tornou presidente da Coca-Cola América Latina. Ele foi escolhido pelo conselho para assumir o cargo de CEO global no final de março de 2026, substituindo James Quincey, que permanecerá como chairman executivo. A Coca-Cola é uma das maiores empresas de bebidas do mundo, operando em mais de 200 países. Em 2025 a empresa anunciou US$ 47,9 bilhões em receita líquida anual. Diariamente são servidas mais de 2,1 bilhões de doses de suas bebidas.

Gilberto Tomazoni – CEO global da JBS

Gilberto Tomazoni – CEO global da JBS

Engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Gilberto Tomazoni trabalhou por 27 anos na Sadia, onde iniciou como trainee e chegou a CEO. Atuou depois por três anos como vice-presidente na Bunge Alimentos, exercendo, em seguida, a função de diretor executivo para a América do Sul e Central.

Ingressou na JBS como presidente global da Divisão de Aves e, como CEO da Seara Alimentos, liderou com sucesso sua reestruturação. Foi nomeado presidente global de operações em 2015 e COO Global em 2017. Tornou-se CEO Global da JBS em dezembro de 2018. A JBS é a maior empresa produtora de proteínas do mundo e anunciou um faturamento de US$ 77 bilhões em 2024.

Sergio Buniac – CEO global da Motorola

Sergio Buniac – CEO global da Motorola

Engenheiro elétrico formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Sergio Buniac entrou na Motorola em 1996. Ao longo da trajetória, assumiu funções regionais e globais na companhia, passando de diretor da operação brasileira a vice-presidente sênior da América Latina. Enquanto esteve nessa posição, levou a Motorola à segunda posição no mercado na região.

A companhia faz parte do Grupo Lenovo desde 2014. Na CES 2026 (Consumer Electronics Show), uma das maiores feiras de tecnologia e eletrônicos do mundo, a Motorola anunciou a entrada no segmento ultrapremium de smartphones com a linha Motorola Signature.

Marco Stefanini – fundador e CEO global do Grupo Stefanini

Marco Stefanini – fundador e CEO global do Grupo Stefanini

Geólogo formado pela Universidade de São Paulo (USP), Marco Stefanini iniciou sua carreira como trainee em um dos maiores bancos privados do Brasil. Em 1987 fundou a Stefanini IT Solutions, empresa cujo foco inicial era o treinamento de profissionais. Hoje o Grupo Stefanini é uma consultoria que atua em sete unidades de negócio especializadas (tecnologia financeira, indústria, marketing, tecnologia, dados e analytics, operações e cyber), com presença em 41 países e mais de 32 mil colaboradores.

Além de fundar o Grupo Stefanini, Marco é fundador da Associação Brasileira de Software e Serviços para Exportação (BRASSCOM).

Cristiano Amon – CEO global da Qualcomm

Cristiano Amon – CEO global da Qualcomm

Engenheiro elétrico formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Cristiano Amon iniciou sua trajetória profissional na NEC do Brasil. Passou ainda pela Ericsson e pela operadora de telecomunicações Vésper, onde atuou como CTO, antes de se juntar à Qualcomm em 1995. Ocupou diversos cargos de liderança, incluindo a presidência da unidade de semicondutores até assumir como presidente em 2018. Três anos depois, foi convidado à posição de CEO global da companhia, passando a ser o primeiro presidente mundial não americano.

Sob sua liderança, a Qualcomm diversificou sua linha de negócios para atender a múltiplos setores, incluindo o automotivo, computação, realidade virtual (RV), realidade aumentada (RA), redes e industrial. Liderou a estratégia 5G da companhia.

Michel Doukeris – CEO global da AB InBev

Michel Doukeris – CEO global da AB InBev

Engenheiro químico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com mestrado em marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pós-graduação na Kellogg School of Management e na Wharton Business School, Michel Doukeris entrou na AB InBev em 1996. Ocupou diversos cargos na área de operações comerciais na América Latina antes de se mudar para a Ásia, onde liderou as operações da AB InBev na China e na região Ásia-Pacífico por sete anos.

Em 2016, mudou-se para os EUA para assumir o cargo de diretor global de vendas. Em janeiro de 2018, assumiu a liderança da Anheuser-Busch e dos negócios na América do Norte. Se tornou CEO global em julho de 2021. A AB InBev tem mais de 140 mil colaboradores em todo o mundo e receita na casa de US$ 60 bilhões anuais.

Fabricio Bloisi, CEO da Prosus

Fabricio Bloisi – CEO global Prosus

Formado em Ciências da Computação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e com MBA pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV), Fabricio Bloisi decidiu empreender ainda na faculdade, criando sua primeira empresa aos 21 anos. O embrião do que hoje virou a gigante Movile oferecia acesso à internet às empresas e desenvolveu os primeiros produtos de SMS no Brasil, como ringtones e bate-papo.

Outras empresas se incorporaram ao grupo ao longo dos anos, entre elas a Sympla, de venda de ingressos, o iFood e a Prosus, uma das maiores investidoras em tecnologia do mundo. Como CEO do iFood por cinco anos, Bloisi levou a companhia a se tornar a startup mais valiosa do Brasil, com valuation de US$ 5,4 bilhões em 2022. Em 2024, passou o bastão de CEO para o então CFO Diego Barreto, assumindo como CEO global da Prosus. Criou a Fundação 1Bi, que apoia a educação por meio da tecnologia e é membro do Conselho de Inovação da XPrize, fundada por Peter Diamandis.

Alberto Kuba – CEO global WEG

Alberto Kuba – CEO global WEG

Engenheiro elétrico formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e especialização em Finanças Corporativas pela Fundação Dom Cabral (FDC), Alberto Kuba entrou na WEG como estagiário e depois trainee de vendas em 2021 e construiu sua carreira na companhia. Passou por diversas áreas até que, em 2010, foi expatriado para a China, onde trabalhou em marketing e vendas até assumir como diretor geral de operações.

Atuou próximo aos escritórios da WEG na Europa e no Sudeste Asiático e retornou ao Brasil em 2020, como diretor geral de motores industriais. Antes de ser eleito CEO global do Grupo WEG, ficou um ano nos Estados Unidos. A empresa opera em mais de 60 países, e faturou R$ 38 bilhões em 2024.

Maurílio Teixeira – co-CEO global da NAOS

Maurílio Teixeira – co-CEO global da NAOS

Administrador de empresas formado pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru, Maurílio Teixeira iniciou sua carreira como programador de sistemas enquanto fazia curso técnico na Unesp. Conseguiu uma oportunidade como propagandista em um laboratório farmacêutico e aos 22 anos foi convidado a ser gerente comercial de território na Stiefel (GSK), até chegar à posição de head de marketing.

Migrou então para a biofarmacêutica GSK e depois foi convidado a ser presidente e diretor geral da NAOS Brazil. Em janeiro de 2024 assumiu como co-CEO global da NAOS e se mudou para a França. A empresa francesa, fundadora da marca Bioderma, está presente em mais de 130 países e fatura 1 bilhão de euros.

Caio Amato – CEO da Oakley

Caio Amato – CEO da Oakley

Formado em Comunicação Social e Administração pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Caio Amato iniciou a carreira na Alpargatas. Sua trajetória engloba uma passagem de 10 anos pela Adidas, onde entrou como gerente de categoria e saiu como vice-presidente global de marca. Há cinco anos na Essilor Luxottica, multinacional franco-italiana que comprou a marca norte-americana Oakley, Caio foi convidado para assumir como presidente global da Oakley em janeiro do ano passado.

Kylian Mbappé, atacante do Real Madrid, o rapper Travis Scott, e o jogador de basquete Jaylen Brown, do Boston Celtics, foram algumas das personalidades que o executivo trouxe para a marca. A Essilor Luxottica está presente em mais de 150 países e fechou 2024 com 25,5 bilhões de euros de receita.

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