Conheça a trajetória da Brex, fundada por brasileiros e vendida por US$ 5,15 bilhões à Capital One

Monica Miglio Pedrosa
Eles eram apenas dois adolescentes quando se conheceram por meio do X, antigo Twitter, trocando mensagens sobre programação e código. Hoje, à frente da Brex, fintech eleita em 2023 a segunda empresa mais disruptiva do mundo no ranking CNBC Disruptor 50, atrás apenas da OpenAI, Pedro Franceschi e Henrique Dubugras comemoram a venda da companhia para a Capital One por US$ 5,15 bilhões. Apesar do valor expressivo, a empresa chegou a ser avaliada em US$ 12,3 bilhões no início de 2022.
Muito antes do sucesso bilionário da Brex, os dois já haviam experimentado na prática o que significa empreender. Aos 16 anos, o paulista Dubugras e o fluminense Franceschi fundaram a Pagar.me, startup de pagamentos digitais voltada ao mercado brasileiro, que mais tarde seria adquirida pela Stone. A experiência precoce deu aos fundadores repertório e capital para se mudar para os Estados Unidos e ingressar no curso de Ciência da Computação em Stanford.
Os dois, no entanto, não chegaram a concluir a graduação, abandonando os estudos para fundar a Brex. Os brasileiros identificaram uma oportunidade de negócio ao perceber uma dor recorrente das startups em estágio inicial. Elas enfrentavam dificuldades para obter cartões corporativos, já que a análise de risco se baseava no histórico pessoal dos fundadores. Eles criaram a fintech em 2017, com a proposta de conceder crédito com base no caixa das empresas.
O modelo foi testado inicialmente com cerca de 100 fundadores de startups ligadas à aceleradora do Vale do Silício Y Combinator e outros founders próximos, até ser lançado oficialmente no mercado em 2018. Em menos de dois anos, a Brex alcançou o status de unicórnio, avaliada em US$ 1 bilhão, e passou a ampliar sua atuação para além dos cartões corporativos.
A fintech evoluiu para uma plataforma mais ampla de serviços financeiros e software, incorporando gestão de despesas, contas digitais, automação de pagamentos e ferramentas de tesouraria.
De decacórnio à ‘demissão’ de 60 mil clientes
No início de 2022, atingiu seu maior valuation, de US$ 12,3 bilhões, entrando para o seleto grupo de decacórnios, ao lado de empresas como ByteDance (TikTok), SpaceX e OpenAI. Nos anos seguintes, porém, o cenário mudou. A alta dos juros nos Estados Unidos reduziu a disponibilidade de capital de risco e levou investidores a reavaliar empresas com foco maior em geração de caixa, eficiência operacional e rentabilidade.
Nesse período, a Brex decidiu ampliar sua atuação para pequenas empresas e chegou a ter 120 mil clientes, o dobro do volume anterior. A estratégia não foi bem-sucedida, já que elevou custos operacionais e comprometeu a qualidade do atendimento, especialmente para clientes estratégicos. Diante do impacto operacional e reputacional, os fundadores decidiram reduzir a base de clientes pela metade e reposicionar a empresa.
A venda para a Capital One surge, assim, como um movimento de consolidação para o futuro. A transação será realizada com metade do valor em dinheiro e metade em ações. Em publicação no perfil pessoal do LinkedIn, Franceschi afirmou que, “ao combinar o produto, a tecnologia e a experiência do cliente da Brex com a escala, a marca, o balanço patrimonial e a mentalidade de investimento de longo prazo da Capital One, seremos capazes de avançar mais rapidamente e oferecer recursos mais poderosos para as empresas do que qualquer um de nós conseguiria sozinho”. Após a conclusão do negócio, Franceschi seguirá como CEO da Brex, enquanto Dubugras passará a integrar o Conselho de Administração.
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