De tenista profissional a executivo de icônicas marcas esportivas

Monica Miglio Pedrosa
A paixão de Pedro Zannoni pelo tênis nasceu aos cinco anos, quando insistiu que o pai comprasse para ele uma raquete exposta em uma loja da rede varejista Mappin, em São Paulo. O que começou como um jogo nos corredores de casa evoluiu para as escolinhas de clubes, onde acumulou vitórias em torneios internos. O próximo passo foram os campeonatos estaduais e nacionais, até participar de Roland Garros e Wimbledon em 1993, concorrendo na categoria juvenil. O que parecia um início promissor de uma carreira profissional no tênis foi interrompido por dificuldades financeiras após o divórcio dos pais.
Zannoni contou detalhes de sua transição profissional na palestra de abertura da segunda edição do CMO Experience, evento exclusivo do Experience Club, que recebeu ontem um seleto grupo de cerca de 90 líderes de marketing de grandes empresas na Experience House, em São Paulo.
A situação familiar o levou a iniciar uma transição gradual de carreira. De jogador, ele passou a dar aulas de tênis. Após estudar engenharia por um ano, influenciado por um amigo, ele migrou para a Faculdade de Direito, onde se graduou, mas sequer chegou a prestar o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pois já havia sido convidado para trabalhar na área de marketing da Wilson, de equipamentos esportivos, pelo conhecimento que ele tinha do ecossistema de tênis. Naquele momento, ele já sabia que não queria seguir com a advocacia.
Ele fez então uma pós-graduação em business administration na FAAP e, nos oito anos em que ficou na Wilson, foi promovido a Diretor de Marketing e posteriormente ficou responsável por Marketing e Vendas. A experiência seguinte foi na Puma, onde foi convidado para o cargo de Diretor Comercial com a missão de recuperar o desejo dos consumidores pela marca. Na estratégia, que levou a triplicar a rentabilidade do negócio em quatro anos, a segmentação foi um importante pilar.
Quando Pedro ia ser transferido para o Chile, para responder pela área regional de vendas da Puma, a Adidas o convidou a assumir sua diretoria comercial no Brasil. Dois anos depois, ele foi para o Panamá, para cuidar da marca na América Latina. O passo seguinte foi a ASICS, onde Zannoni ganhou experiência em lidar com a complexidade de gerenciar operações em países diferentes.
Em maio de 2020, em meio à pandemia, o executico assumiu como CEO da Lacoste América Latina, cargo que ocupa até o momento. Com a missão de estruturar a operação na região e reposicionar a marca para conquistar um público mais jovem, Zannoni comemora que hoje a América Latina é a região que mais cresce globalmente na companhia, com o Brasil respondendo por 60% do faturamento.
Para Zannoni, liderar a América Latina em uma empresa multinacional exige uma combinação de resiliência, capacidade de adaptação e relacionamento proativo com a matriz da marca. Entre os desafios encontra-se a volatilidade econômica e regulatória da região, com ênfase para o “custo Brasil”, marcado por impostos elevados, burocracia e desafios logísticos. O consumidor latino-americano é, em sua visão, exigente e conectado, o que demanda campanhas e produtos ajustados às realidades locais. “É preciso tropicalizar as campanhas sem perder a essência da marca”, diz.
Outra boa prática da liderança regional é estabelecer uma agenda proativa com os principais executivos globais, mantendo o Brasil e a América Latina no radar corporativo. Esse alinhamento estratégico e cultural com a matriz é essencial para ganhar relevância e viabilidade na organização.
Ao encerrar sua participação no CMO Experience, Pedro Zannoni compartilhou os princípios que considera indispensáveis para qualquer líder: a capacidade de adaptação diante de cenários imprevisíveis, a disciplina de quem se prepara como um atleta, a importância da ética e da transparência para “ganhar do jeito certo” e a valorização do time acima do indivíduo. Para ele, resultados duradouros não dependem apenas de estratégia ou produto, mas da construção de equipes engajadas, de uma comunicação clara e da humildade em reconhecer que o sucesso é sempre coletivo.
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