Mercado

Economistas laureados com o Nobel e líderes de tecnologia pedem ação imediata diante do avanço da IA

Dezesseis vencedores do Prêmio Nobel, entre eles Paul Krugman e Daron Acemoglu, e mais de 200 economistas, pesquisadores de inteligência artificial e líderes do setor de tecnologia, como o ex-CEO do Google, Eric Schmidt, e o cofundador do LinkedIn, Reid Hoffman, lançaram nesta segunda-feira uma declaração sobre a transformação econômica sem precedentes que a IA pode provocar nos próximos anos. We must act now: a statement on AI’s transformation on the economy afirma que o impacto poderá superar o da Revolução Industrial, embora vá ocorrer em um intervalo de tempo muito menor.

Segundo os signatários, a inteligência artificial vai se tornar radicalmente mais poderosa nos próximos dez anos. Ao mesmo tempo que essa evolução poderá gerar ganhos expressivos de produtividade e elevar o padrão de vida, também pode provocar o deslocamento de trabalhadores em larga escala e acelerar a concentração de renda.

O documento convoca economistas, formadores de políticas públicas e líderes de tecnologia a ampliar os estudos sobre os efeitos econômicos da IA e começar a construir os incentivos, as proteções e as instituições necessárias para direcionar a transformação no benefício de toda a sociedade. Jack Clark, cofundador da Anthropic, e Ronnie Chatterji, economista-chefe da OpenAI, também assinam a declaração.

O novo alerta retoma uma discussão que ganhou força nos últimos anos. Em 2023, uma carta aberta publicada pelo Future of Life Institute e assinada por nomes como Elon Musk e Yuval Noah Harari, pedia a suspensão, por seis meses, de todos os treinamentos e experimentos de sistemas de IA devido aos “grandes riscos que representam à humanidade”. A diferença é que, enquanto aquela iniciativa se concentrava na velocidade do desenvolvimento tecnológico e na possibilidade de perda de controle sobre os sistemas mais avançados, a declaração atual coloca em primeiro plano seus efeitos sobre o trabalho, a produtividade e a distribuição de riqueza.

A presença de Paul Krugman e Daron Acemoglu entre os signatários reforça o peso econômico da iniciativa. Krugman recebeu o Nobel de Economia em 2008 por sua análise dos padrões do comércio internacional e da localização da atividade econômica. Seus estudos mostraram como as economias de escala ajudam a explicar tanto o aumento das trocas entre países semelhantes quanto a concentração de empresas, empregos e produção em determinadas regiões.

Acemoglu dividiu o prêmio de 2024 com Simon Johnson e James A. Robinson por pesquisas sobre como as instituições são formadas e afetam a prosperidade dos países. Os economistas demonstraram que diferenças duradouras de renda e desenvolvimento estão relacionadas à característica inclusiva ou extrativista das instituições que regem a região. Enquanto as instituições inclusivas geram benefícios a longo prazo para todos, as extrativas proporcionam ganhos de curto prazo apenas para aqueles que estão no poder.

As áreas estudadas por esses economistas se conectam diretamente ao dilema apresentado pelo documento. Os ganhos de produtividade gerados por uma nova tecnologia não garantem, por si só, prosperidade compartilhada. O resultado dependerá das instituições, das regras de concorrência, dos incentivos às empresas e das políticas de proteção aos trabalhadores criadas para conduzir essa transformação.

  • Aumentar texto Aumentar
  • Diminuir texto Diminuir
  • Compartilhar Compartilhar