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Ela enfrentou o Tinder na justiça e nos negócios e se tornou bilionária

A história de Whitney Wolfe Herd poderia ser a de tantas outras executivas self-made do Vale do Silício. Em 2012, ela se tornou uma das cofundadoras de uma empresa de tecnologia que transformou a maneira de encontrar pares românticos. Durante dois anos, atuou como vice-presidente de marketing da companhia, posição que, à primeira vista, poderia representar o emprego dos sonhos para muitas executivas. Criado inicialmente com o nome Matchbox, o aplicativo ganhou notoriedade após ser rebatizado como Tinder, decisão que Herd afirma ter partido dela.

À frente do marketing, sua estratégia de lançamento mirou o público universitário. Segundo reportagem da Time, a divulgação acontecia por meio de panfletos distribuídos em festas acompanhadas de pizza. Foi nesse mesmo período que ela iniciou um relacionamento com um dos cofundadores, Justin Mateen.

Com o fim da relação, a executiva passou a ser discriminada e sofrer assédio sexual, tanto nos corredores da empresa quanto em eventos corporativos. Ela decidiu pedir demissão e entrou com um processo contra o Tinder, que foi encerrado após um acordo extrajudicial que lhe garantiu US$ 1 milhão.

Após esse rompimento, Herd vivenciou um período de intenso assédio online em que era acusada de ter mentido sobre o que aconteceu na empresa. O episódio acabou funcionando como um catalisador para que ela virasse o jogo e construísse um novo capítulo, não apenas para recomeçar sua trajetória profissional, como para apontar caminhos mais equilibrados nas relações digitais. Assim nasceu o Bumble, aplicativo que trazia uma nova proposta para as mulheres.

Empoderamento feminino

A ideia inicial de Herd era a de criar um aplicativo onde as mulheres pudessem se apoiar. Porém, quando conheceu Andrey Andreev, empreendedor por trás do Badoo, aplicativo de relacionamentos que usa geolocalização para conectar pessoas próximas, ele a convenceu a lançar um aplicativo de encontros. Herd aceitou a proposta com uma condição, a de que as mulheres teriam o controle do primeiro contato das interações.

Lançado com essa premissa, o Bumble permite que apenas as mulheres possam iniciar a conversa com homens em conexões heterossexuais. Essa restrição reduz não só contatos indesejados como comportamentos desrespeitosos  comuns em outros aplicativos, inclusive o concorrente Tinder.

A aposta de Herd, no entanto, ia além dos relacionamentos amorosos. Ela expandiu a plataforma para conexões de amizade, com interesses semelhantes, e lançou o Bumble BFF em 2016. Seus primeiros usuários eram pessoas que haviam mudado de cidade e buscavam companhia no novo endereço para realizar atividades em comum. Em 2017, surgiu o Bumble Bizz, voltado a contatos profissionais.

A trajetória da Bumble sofreu outra reviravolta em 2019, com a saída de Andreev após uma investigação da revista Forbes apontar um ambiente de trabalho misógino e tóxico no escritório de Londres da MagicLab (holding que controlava o Bumble e o Badoo). Andreev vendeu sua participação majoritária para a gestora de investimentos Blackstone e deixou o controle do grupo.

Em 11 de fevereiro de 2021, a empresa abriu capital na Nasdaq, levantando cerca de US$ 2,2 bilhões e alcançando uma avaliação próxima de US$ 8 bilhões. A imagem de Herd tocando o sino de abertura enquanto segurava o filho bebê no colo se tornou um símbolo de seu posicionamento a favor do empoderamento feminino.

Foto de divulgação/Bumble

Depois de ter passado o bastão do comando da empresa para a brasileira Lidiane Jones, ex-Slack, no início de 2024, Herd reassumiu o cargo de CEO em março de 2025, em um contexto de queda no valor de mercado dos aplicativos de relacionamento. A empresa anunciou um corte de 30% da equipe em meados do ano passado, como parte de uma reestruturação. Atualmente, o Bumble é avaliado em cerca de US$ 466 milhões. Em setembro de 2025, foi lançado o filme Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro, que retrata a história de Herd e está disponível em plataformas de streaming.

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