Falta humanidade à inteligência artificial, diz pioneira da IA emocional

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Enquanto as empresas de tecnologia concentram esforços em desenvolver a capacidade técnica e racional da inteligência artificial, a cientista da computação e cofundadora da startup de IA Affectiva, Rana el Kaliouby, lembra que a tecnologia ainda é incapaz de interpretar sinais de comunicação não verbal, como expressões faciais, tom de voz e gestos. Segundo ela, esses elementos são responsáveis por 93% da interpretação de uma mensagem verbalizada.
Keynote speaker do SXSW 2026 e pioneira no campo da IA Emocional, Kaliouby também chamou atenção para a ausência de uma inteligência intuitiva nas máquinas. O problema, afirma, é que muitos humanos também estão perdendo contato com essa capacidade, ao passarem cada vez mais tempo conectados às telas.
Confira, a seguir, os principais insights da palestra.
Então a IA tem uma, digamos, lacuna emocional!?
É que a IA avançou muito em capacidade cognitiva, mas ainda não consegue ter nada que se pareça com as camadas emocionais e sociais humanas. Para Rana, pesquisadora e cofundadora da startup de IA Affectiva, essa é a próxima fronteira da tecnologia.
A nossa comunicação não verbal pode ser compreendida pela IA?
Não, e isso é um problema. Rana explicou: “Apenas 7% de como nós nos comunicamos está nas palavras. Os outros 93% são expressões faciais, tom de voz e gestos, que são ignorados pelos sistemas de IA atuais. Eles focam apenas no que dizemos, não em como dizemos”.
Pelo menos isso a IA não pode usar no currículo dela para roubar meu emprego…
A princípio, não. Essa é uma tese central para Rana, que afirma que a IA não deve tomar o lugar das capacidades humanas, mas potencializá-las, especialmente para resolver problemas significativos nas áreas de saúde e sustentabilidade.
Nem a criação de conteúdo vai sofrer?
Para Raba, não. Ela acredita que a IA está democratizando o acesso à criação. “Eu não tenho nenhuma habilidade gráfica, mas agora posso criar vídeos”, diz. “Isso também significa que haverá recompensas para a originalidade humana.”
E a intuição nisso tudo?
Rana defende que existe uma inteligência intuitiva que a tecnologia não consegue acessar. O problema, veja só, é que os humanos também estão perdendo o contato com ela, por estarem sempre conectados às telas.
E quem está por trás de todas essas IAs, que fazem a gente não desgrudar das telas?
Bem, temos um problema. Rana aponta que a exclusão das mulheres nas grandes empresas e nas startups de IA não é apenas uma questão de representação, mas também de concentração de riqueza. Se o Clube do Bolinha do Silicon Valley excluir as mulheres, vai aumentar a desigualdade de gênero.
Que tal mandar os caras das Big Tech para a terapia?
Até conversar com IA pode ser melhor que nada, defendeu Rana. IA pode dar algum suporte emocional, especialmente para quem não pode pagar por terapia. O problema é que os modelos atuais não foram construídos com esse uso em mente, por isso já causaram danos reais, especialmente entre adolescentes. Mas eles podem melhorar.
IA é mesmo tão complicada?
Depende do ângulo em que se olha para ela. “IA é apenas uma tecnologia, uma matemática muito complexa”, afirmou. “Nós atribuímos consciência a essas coisas e as antropomorfizamos, mas no fim das contas precisamos lembrar que são apenas ferramentas”.
QUER MAIS?
Ouça o podcast “Pioneers of IA”, em que Rana el Kaliouby recebe algumas das mentes mais influentes da tecnologia.
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