NRF 2026: 8 insights do maior evento global de varejo para aplicar no seu negócio

Menos previsões sobre o futuro do varejo e mais discussões sobre inovações aplicadas no presente. Durante muitos anos, as edições do NRF – Retail’s Big Show anteciparam tendências dos próximos dez anos do setor. Com o avanço da inteligência artificial, o debate passou a se concentrar nas inovações que estão sendo aplicadas no dia a dia dos negócios.
A NRF 2026, que reuniu mais de 40 mil participantes entre os dias 11 e 13 de janeiro, em Nova York, teve como tema central “The next now is here” (“O futuro é agora”, em tradução livre). Alfredo Soares, cofundador do G4 Educação, acompanhou de perto as discussões dos três dias do evento e compartilhou com a [EXP] sua visão dos principais insights desta edição.

1) IA para operação, não para experiência
Cerca de 80% das aplicações de inteligência artificial no varejo estão hoje concentradas na eficiência operacional, com foco na redução de custos e no ganho de margem. Os cases apresentados indicam que o setor tem dedicado mais esforço à melhoria da operação do que à reinvenção da experiência.
Embora a IA já esteja sendo usada para qualificar e escalar o atendimento ao cliente, o verdadeiro diferencial competitivo está em um estágio da jornada ainda pouco explorado, o da experiência do consumidor. É nele que as empresas podem se tornar mais mais desejadas pelo consumidor.
2) Um cliente sintético para chamar de seu
O que sua empresa faria se pudesse consultar seus clientes de forma ilimitada, antecipando comportamentos, captando desejos e extraindo insights capazes de orientar decisões estratégicas? Com o cliente sintético essa possibilidade já é real. A partir da própria base de dados de clientes e do uso de inteligência artificial, as marcas reproduzem padrões de comportamento e interação com os consumidores reais. Esses modelos permitem testar hipóteses, explorar cenários e identificar tendências em escala, transformando a relação com o cliente em um ativo vivo para a construção de estratégia, produto e oferta.
3) Quem diria? Gen Z quer mais experiências reais
Os consumidores estão cada vez mais conscientes e bem-informados e buscam bons negócios. E isso vai além de escolher pelo melhor preço. Ele pode optar por comprar de um varejo que tenha entrega mais rápida, ou uma oferta diferenciada. Somado a isso, o setor se surpreendeu com uma mudança de comportamento da Geração Z. Ela está cansada das experiências exclusivamente digitais e têm valorizado cada vez mais a loja física e a experiência real. Segundo dados divulgados no evento, a cada US$ 1 gasto no digital, outros R$ 3 são investidos na loja física.
Esse comportamento tem provocado uma mudança na estratégia das marcas. Em vez de criar novas experiências do zero, muitas passaram a se apropriar do valor de marcas já consagradas. Um exemplo disso é a colaboração entre a Glacé NY e a Loewe Perfumes, que criou três variações de chocolates quentes Glace com edição limitada, inspirados em uma coleção de Natal da Loewe, vendidas em um food truck em frente à sua loja pop-up de Natal no Rockfeller Plaza. O produto se tornou viral no inverno de Nova York.
4) Comunidade como ativo estratégico
Embora ainda ocupe um espaço relativamente pequeno na agenda da NRF, marcas que criam comunidades ou que são proprietárias de suas plataformas de comunicação com o cliente investem de três a quatro vezes menos na aquisição de novos clientes e na geração de novas vendas para clientes atuais. Construir comunidade e produzir conteúdo relevante são oportunidades que as marcas deveriam olhar com atenção.
5) Boas ideias não são à prova de escala
No varejo, uma boa ideia pode gerar excelentes resultados quando aplicada em dez lojas. Mas, ao ser implantada em 50 ou em mil lojas, pode revelar fragilidades que não eram perceptíveis em um escopo menor. O monitoramento contínuo é vital para garantir que a inovação seja bem-sucedida quando colocada em escala.
6) Métricas se tornam cada vez mais complexas
À medida que o varejo se torna mais complexo, orientado por dados, inteligência artificial e múltiplos canais, medir resultados se tornou uma tarefa complexa. A discussão sobre métricas de sucesso ganha novas nuances. Que cliente é mais fiel à marca, o que compra mais vezes, o que compra o maior ticket, ou o que indica mais a marca para novos clientes? É preciso repensar as métricas antigas para não perder o que realmente importa.
7) IA deixa de ser inovação, é pré-requisito
Quando a inteligência artificial deixa de ser inovação e passa a fazer parte do básico do dia a dia, ela passa a ser uma competência esperada. Trabalhar com IA começa a ocupar o mesmo lugar que habilidades como Excel ou inglês no passado. O foco da contratação passa a ser de profissionais capazes de criar, operar e evoluir soluções com IA, incorporando a tecnologia ao modo de trabalhar. O valor do profissional deixa de estar apenas no que ele entrega diretamente e passa a incluir o resultado gerado pelos agentes de IA que opera.
8) Liderar passa a ser eliminar processos
Com a capacidade exponencial que a inteligência artificial coloca nas mãos dos colaboradores, o papel da liderança não é mais o mesmo. Para liderar bem é preciso ter tempo na agenda e estar próximo das equipes. Não é mais sobre transformar processos com IA, mas eliminar processos para aumentar o tempo disponível. A liderança precisa abrir espaço para perguntas diferentes ( “e se?”) e para a escuta. Quanto mais um líder fala, menos ele escuta.
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