O desafio do Brasil para formar uma nova geração de TI

O desafio do Brasil para formar uma nova geração de TI

Meu Futuro Digital quer dobrar número profissionais de tecnologia com a capacitação de jovens de baixa renda.

Publicado em 2 de fevereiro de 2020

A Tecnologia da Informação está revolucionando os processos, os negócios, a experiência do consumidor, a economia e a política. Mas será que o Brasil está preparado para essa realidade?

Esse foi o tema debatido pelo presidente da GFT para Brasil e América Latina, Marco Santos, em apresentação no Fórum CIO Club realizado no Sofitel Guarujá Jequitimar, nos dias 3 e 4 de outubro. O executivo falou sobre o projeto de inclusão Meu Futuro Digital, que visa melhorar a capacitação profissional de jovens na área de tecnologia.

De acordo com estudo do Fórum Econômico Mundial, 800 milhões de empregos serão extintos pela Inteligência Artificial até 2030. Estima-se que até 2024 a demanda por profissionais de TI será 52% maior do que a oferta de profissionais qualificados, segundo pesquisa da Brasscom – Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação. Muitos desses potenciais talentos podem estar escondidos em classes menos privilegiadas com pouco acesso a recursos financeiros e educação de qualidade. 

Olhando para a atual situação do Brasil e a falta de condições e oportunidades, o debatedor se questionou como poderia juntar suas experiências para conseguir articular e trazer algo melhor para o Brasil.

“Estamos sentindo na pele que a tecnologia está acelerando. Pensando nisso tudo, precisamos mudar a rota desse país, para que o Brasil seja um país do futuro do trabalho”, refletiu Santos.

Um exemplo doloroso, segundo ele, é o de um jovem de Sorocaba, medalhista em Olimpíada de Matemática, que foi obrigado a trabalhar como empacotador de supermercado para ajudar a família, quando poderia construir uma carreira de destaque em qualquer grande empresa de tecnologia. Foi a partir dessas constatações que surgiu a ideia de elaborar um ecossistema 100% digital.

Com a participação de mais de 50 executivos de grandes empresas, o Meu Futuro Digital nasceu com a proposta ambiciosa de mudar a rota de inovação no Brasil. O objetivo é fazer com que o sistema comece a ter um processo de formação e inspirações para jovens se formarem no universo STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics). 

A maior missão é influenciar principalmente os jovens de baixa renda e mostrar novos caminhos para aqueles que não têm informação sobre estudos e oportunidades para ingressar no mercado de trabalho.

A formação de profissionais de TI hoje é de 75 mil pessoas por ano, um número ínfimo se comparado a países como China, Índia e EUA. O objetivo do movimento é duplicar o número de profissionais no país em oito anos.

Dessa forma, o movimento pode ter impacto direto na economia brasileira. “Esse é o moonshot do Meu Futuro Digital”, destacou o executivo.

Durante o debate com o CEO do Experience Club, Ricardo Natale questionou Santos sobre como as empresas podem participar ativamente e colaborar com a organização. Santos argumenta que todas elas estão em busca de novos profissionais e se os agentes dessas organizações vinculassem todas as iniciativas dentro de um portal, serviria de inserção aos jovens em busca de oportunidades.

A plataforma marketplace foi justamente materializada para fazer a mensagem chegar até o receptor com vagas de empregos, inspirações e mentoria para jovens. “Juntar todas as iniciativas do país, gerar massa crítica e conseguir inspirar o jovem a entrar nesse portal, ver todas as possibilidades e impactar o mercado de trabalho no segmento de TI”.

Texto: Guilherme Balsimelli

Fotos: Marcos Mesquita | Experience Club e Unsplash