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“O maior gargalo dos cuidados críticos no Brasil não é falta de médicos, mas de sistemas”

Jair Rodrigues, CEO da H2 Soluções em Saúde

Monica Miglio Pedrosa

Uma gestora de serviços médicos presente em nove estados, responsável por 2,4 milhões de atendimentos por ano e com uma rede de quase 4 mil médicos associados. Esses são alguns dos números alcançados pela H2 Soluções em Saúde em menos de quatro anos de operação.

Fundada pelos médicos goianos Jair Rodrigues e Guilherme Almeida, a empresa atua na gestão completa dos serviços médicos hospitalares voltados aos cuidados críticos, abrangendo pronto-socorro, UTI e enfermaria em hospitais particulares e em parcerias público-privadas, nas quais entidades do terceiro setor administram unidades públicas.

Com uma estrutura descrita como “plug & play”, o modelo da H2 permite assumir operações complexas em poucas horas, com protocolos previamente definidos, supervisão médica contínua, dashboards assistenciais em tempo real e teleconsultoria crítica disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. Essa estrutura contribui para a redução de custos, ganho de eficiência e aumento da resolutividade, refletindo diretamente na melhoria dos indicadores clínicos dos pacientes.

A empresa atende principalmente três perfis de contratantes. O primeiro é o de grupos que assumem uma nova operação hospitalar e recorrem à H2 para estruturar e fazer a gestão dos serviços médicos críticos em uma nova região. O segundo engloba hospitais que já contam com equipes internas de cuidados críticos, mas buscam elevar o padrão de eficiência e desempenho. O terceiro perfil é o de instituições que vão inaugurar novas unidades sem dispor de equipes médicas para iniciar a operação.

A atuação da H2 Soluções em Saúde abrange tanto a fase de implementação com equipes médicas próprias, quanto a contratação e o treinamento de profissionais locais que assumem depois o dia a dia da operação. “Não existe uma solução padrão. Precisamos propor um modelo que se adeque à cultura local, dentro de um setor extremamente regulamentado. Por isso, nosso maior valor está no capital intelectual, na qualidade das nossas pessoas”, afirma Rodriges, CEO da H2.

Sem divulgar faturamento ou lucro, Rodrigues afirma que a empresa cresceu 300% no primeiro e no segundo anos de operação (2023-2024) e 86% em 2025, com a expectativa de manter uma taxa de crescimento anual em torno de 80%.  “Crescemos como startup, gerando caixa como uma empresa tradicional”, conta. O negócio, que começou bootstrap com recursos dos próprios fundadores, segue em expansão orgânica e, segundo o CEO, não há planos imediatos de buscar investidores externos.

Atualmente presente em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Piauí, Bahia, Mato Grosso, Paraná, Sergipe e Manaus, a H2 Soluções em Saúde tem como principal foco em 2026 ampliar sua presença no mercado paulista. Outra iniciativa prevista para este ano é a implementação de um modelo de partnership, que prevê a entrada de alguns colaboradores-chave na sociedade na empresa.

Tecnologia e pessoas

A tecnologia é um dos principais pilares da operação da H2, funcionando como elo entre eficiência e gestão de pessoas. “Sou médico, mas virei gestor porque percebi que o maior gargalo da saúde crítica no Brasil não é a falta de médicos, e sim a falta de sistemas.”

Segundo o CEO, a gestão orientada por dados e tecnologia permite que os serviços de cuidados críticos ganhem escala com qualidade, aumentem produtividade, melhorem margens e gerem efetividade real em um ambiente no qual o tempo é determinante para salvar vidas. “O high tech se converte em high touch, e o cuidado ao paciente se torna mais empático”, resume.

A empresa desenvolveu um software próprio de gestão de escalas médicas que acompanha toda a jornada do médico, do início do plantão ao tempo dedicado a cada paciente. Ele está conectado a um sistema de BI (Business Intelligence) que monitora tempo de atendimento e outros indicadores operacionais. A H2 Soluções em Saúde também desenvolveu uma solução própria de inteligência artificial para apoiar a tomada de decisão médica e estimular a adesão a protocolos, com o objetivo de reduzir variabilidades e otimizar o cuidado ao paciente crítico.

A rede de apoio aos médicos associados inclui plano de carreira, capacitações em gestão e liderança, como acesso a descontos em programas da Fundação Dom Cabral, benefícios corporativos como planos de saúde com condições diferenciadas e serviços financeiros, entre eles antecipação de recebíveis e crédito. “Criamos a H2 como uma empresa onde nós, fundadores, gostaríamos de trabalhar como médicos”, conta.

Human Health” (H2): nome surgiu na faculdade

A decisão de empreender um negócio próprio foi resultado de uma sucessão de experiências na trajetória de vida de Jair Rodrigues. Natural de Anápolis, no interior de Goiás, ele descobriu a vocação para a Medicina ainda na infância, depois de sofrer uma fratura e vivenciar um atendimento hospitalar que descreve como “cuidadoso e humanizado”. Essa experiência ajudou a consolidar a ideia de que cuidar das pessoas seria seu projeto de vida.

Rodrigues conseguiu se formar em Medicina no Centro Universitário Alfredo Nasser, após conquistar uma bolsa integral concedida pela Organização das Voluntárias de Goiás (OVG). Durante a graduação, precisou conciliar os estudos com a necessidade de gerar renda, dando aulas particulares e buscando alternativas para se sustentar. Após se formar, dedicou-se ao cuidado de pacientes em UTI, passando por diferentes funções até assumir o cargo de Diretor Médico do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia.

Essa vivência aprofundou sua inquietação em relação à gestão dos cuidados críticos hospitalares. Ao lado de Guilherme Almeida, médico mais experiente e com alta qualificação técnica para o cuidado crítico, fundou a H2 com a convicção de que a gestão permitiria ampliar exponencialmente a democratização do acesso à saúde de qualidade. “Nem nos meus maiores sonhos imaginei atender 100 mil pessoas por ano. No início da H2, minha meta era alcançar 1 milhão de atendimentos em três anos e, hoje, já chegamos a 2,4 milhões”, comemora, destacando o legado que quer deixar no mundo.

 

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