Os perigos de um líder narcisista

missão [EXP+PROS]
Encontro de titãs em Austin: a pesquisadora e professora Brené Brown e o psicólogo organizacional Adam Grant protagonizaram uma divertida conversa em um painel promovido pela Vox Media. O tema da discussão entre a dupla foi como os líderes podem transformar (para o bem e para o mal) a cultura de uma empresa.
Com humor afiado e a sinceridade lá em cima, os dois concordaram que os traços narcisistas de alguns líderes destroem a confiança das pessoas de uma organização.
Brené define o narcisismo como o medo baseado em uma vergonha de ser ordinário. Uma defesa frágil contra o terror de parecer comum, impulsionada por uma visão inflada e instável de si mesmo e que busca validação constante. Lembrou de alguém?
O psicólogo organizacional Adam Grant derruba o mito de que narcisistas têm baixa autoestima: na verdade, têm autoestima inflada, porém instável, como um balão que pode furar a qualquer momento. O que diferencia líderes que realmente transformam organizações não é talento ou carisma, é estar disposto a errar na frente de todo mundo se isso significar acertar o caminho. Querer ganhar, mais do que proteger a própria imagem, é algo poderoso.
Ambientes de incerteza e exaustão são o caldo perfeito para o narcisismo florescer. E quando a organização ainda glorifica o trabalho sem fim e a autopromoção, aí o negócio fica perigoso de verdade.
Brené usa a metáfora de um banco de energia diária para ilustrar algo que a gente raramente fala em voz alta: pessoas que estão à margem do poder numa organização (seja por gênero, raça ou idade) não chegam ao trabalho com o mesmo saldo que todo mundo. Boa parte da energia do dia já foi embora antes mesmo de qualquer reunião, gasta só para navegar um ambiente que não foi feito pra elas.
No momento em que você rotula alguém, você perde a capacidade de enxergá-lo direito. Não porque você seja mau, mas porque o cérebro humano é preguiçoso e vai começar a confirmar o que você já decidiu que é verdade.
E se arrependimento, culpa e vergonha não existissem para nos fazer agir agora, mas para nos ensinar a não repetir o erro nas próximas vezes em que a situação aparecer? Essa sacada muda bastante a forma de lidar com essas emoções.
QUER MAIS?
A série “The Dropout” (Disney+) conta a história real de Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos. Mostra como uma líder com traços profundamente narcisistas conseguiu, por anos, comandar uma elogiada startup e cometer uma fraude gigantesca.
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