Pecado sem carne: “fake meat” é moda ou indústria?

Pecado sem carne: “fake meat” é moda ou indústria?

Provamos os dois primeiros burgers de carne sintética à venda no Brasil; aparência agrada, mas sabor ainda não convence.

Publicado em 2 de julho de 2019

Ambientalistas e ativistas em defesa dos animais costumam citar alguns números que impressionam. De acordo com ONU, mais de 15% das emissões de CO² na atmosfera são provenientes da pecuária e, segundo a organização Water Footprint Network, para se produzir um modesto quilo de carne bovina são necessários nada menos que 15,5 mil litros de água.

Mesmo para os mais ferrenhos consumidores de carne, a ideia de um mundo em que a proteína de cada dia possa vir de uma linha de produção sintética não parece muito absurda.

Para as próximas gerações, que viverão sob o impacto cada vez maior do aquecimento global, será mais lógico que seu hambúrguer venha de um campo de soja e não de um frigorífico.

Enquanto nos Estados Unidos startups como a Impossible Foods estão chegando muito perto de uma “solução final” para a síntese de proteína animal, através da manipulação genética de insumos vegetais como soja, batata e heme de plantas, a onda dos “fakeburgers” sanduíches veganos que emulam o sabor e a textura da carne bovina está se espalhando em todo o mundo.

Mas, afinal, podemos acreditar que é uma indústria com modelo de negócio sustentável ou só uma nova moda?

Para entender até onde esse mercado pode evoluir, o Experience Club decidiu investigar – e experimentar – os dois “greenburgers” que entraram em fase comercial no Brasil, da Fazenda Futuro e Superbom.

Confira a seguir o relato da repórter Françoise Terzian:

Esqueça os insossos hambúrgueres veganos – geralmente à base de soja. Os de grão de bico e lentilha, dependendo de quem preparou, até que são gostosos. Mas longe de satisfazer a suculência que pede o apetite carnívoro. Inspirados na febre dos hambúrgueres sintéticos nos Estados Unidos, já temos empresas pioneiras que levantaram a bandeira dos “sem carne” no Brasil. Foi assim que a startup Fazenda Futuro, primeira foodtech do país voltada à produção de carne vegetal sem origem animal, nasceu. 

Por trás da Fazenda Futuro está Marcos Leta, ex-fundador da empresa de bebidas ‘Do Bem’, vendida em 2016 para a Ambev. Da sucos Do Bem para a Fazenda Futuro, Leta deixa claro que sua missão é “alimentar o mundo com plantas, da forma mais suculenta e inovadora possível.”

Com um diferencial: ele promete uma carne que imita o sabor, a textura e o cheiro de carne bovina. Mas, baseada em ingredientes como proteína de ervilha, proteína isolada de soja e de grão de bico, além de beterraba para imitar a cor e o sangue da carne. Tudo sem glúten, sem transgênicos e, claro, sem boi.

Degustamos