Mercado

Petrobras quer alcançar autossuficiência em diesel até 2031

Monica Miglio Pedrosa

A Petrobras está revisando seu plano de negócios para buscar a autossuficiência na produção de diesel nos próximos cinco anos. A afirmação foi feita nesta manhã pela presidente da companhia, Magda Chambriard, no evento CNN Talks Infra: Energia para o Futuro, na Experience House, em São Paulo. Hoje, o parque de refino da Petrobras já garante 70% do consumo de diesel no país, combustível essencial em uma economia cujo principal modal de transporte é o rodoviário, responsável por 62% das cargas movimentadas no Brasil. “Quando a Petrobras é desafiada, ela faz milagres”, afirmou Chambriard.

No plano atual, a companhia já previa elevar esse patamar para 80% da demanda nacional, com um aumento de cerca de 300 mil barris por dia de diesel em cinco anos. Para ampliar a expansão e atingir 100% alguns movimentos estão sendo estudados. Entre eles está a construção da segunda refinaria no Complexo de Suape, em Pernambuco, que terá capacidade aumentada para cerca de 300 mil barris por dia.

Chambriard também citou a Reduc, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, que deve ampliar sua produção dos atuais 240 mil para 350 mil barris de petróleo por dia. Movimento semelhante acontecerá em todo o parque de refino, inclusive em São Paulo, onde novos investimentos devem ser anunciados. O plano é aumentar a produção de diesel e reduzir a de óleo combustível.

A estratégia de expansão se apoia ainda no planejamento estratégico aprovado no fim de 2025, que prevê US$ 109 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos. Chambriard lembrou que a Petrobras responde por 90% da produção nacional e que o Brasil já integra o grupo dos dez maiores exportadores de petróleo do mundo, com destaque para o mercado asiático, que recebe quase 50% do óleo produzido pela companhia.

Desafios geopolíticos

A afirmação de Chambriard acontece em um cenário internacional mais instável, que, em sua avaliação, reforça a necessidade de ampliar a segurança energética no Brasil. Ela citou a guerra entre Estados Unidos e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do fluxo global de combustíveis e petróleo cru, como um dos fatores recentes de maior impacto sobre o setor. Ainda assim, afimou que, “em termos de segurança energética, o Brasil está muito bem.”

A esse quadro se soma a guerra entre Rússia e Ucrânia, que completou quatro anos, e que vem desestruturando cadeias produtivas e elevando os custos de bens e serviços ligados à infraestrutura. Outro vetor de pressão vem da expansão global dos data centers, que passaram a disputar recursos, como energia, e insumos, como turbinas, com os projetos de infraestrutura.

A mensagem da presidente é que, diante de um mundo mais volátil, a capacidade de produzir, refinar e abastecer petróleo passou a ser também uma vantagem geopolítica. Nesse cenário, a Petrobras quer se posicionar como um dos principais instrumentos do Brasil para transformar recursos energéticos em segurança, competitividade e desenvolvimento.

Transição energética

Na agenda de transição energética, Chambriard defendeu uma abordagem pragmática, ancorada em projetos capazes de combinar viabilidade econômica e redução de emissões. Segundo a presidente, a Petrobras vem priorizando iniciativas ligadas ao consumo próprio, como a instalação de usinas solares em refinarias de São Paulo e Minas Gerais, para substituir parte do uso de gás nessas unidades.

Hoje, as refinarias da companhia consomem cerca de 10 milhões de metros cúbicos de gás por dia, volume que já foi de 13 milhões, e a meta é ampliar os painéis até tornar essas unidades autossuficientes em energia. Em Minas, disse ela, a refinaria já avança para uma segunda fase do projeto e deve não apenas atingir a autossuficiência, mas também exportar energia para a rede.

Foto: Lorenzo Scavone

  • Aumentar texto Aumentar
  • Diminuir texto Diminuir
  • Compartilhar Compartilhar