Startup transforma refugiados em programadores no Rio

Startup transforma refugiados em programadores no Rio

Criada pelo estudante Caio Rodrigues, objetivo da Toti é suprir demanda por profissionais de TI e gerar impacto social.

Publicado em 27 de novembro de 2019

Em um país de 12,5 milhões de desempregados, segundo a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IGBE, o setor de tecnologia tem se destacado na oferta de novos empregos. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) mostram que entre 2019 e 2024, a oferta de vagas para profissionais ligados à área de TI, deverá girar em torno de 70 mil pessoas ao ano. 

No entanto, há um enorme gap entre essa oferta e a quantidade de pessoas formadas em TI. Foi a partir da combinação deste cenário e o desejo de ter um negócio com impacto social que nasceu a Toti – Diversidade para Inovação. A startup, concebida por Caio Rodrigues, de 24 anos, como um projeto de faculdade em 2016, oferece gratuitamente cursos de desenvolvimento web para refugiados, no Rio de Janeiro. Segundo dados divulgados pelo Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), há mais de 11 mil pessoas nesta condição reconhecidas pelo Estado brasileiro.

Assim, mais do que formar profissionais de TI capacitados, a ideia é valorizar a diversidade e ajudar os refugiados a se estabelecerem no país. Neste contexto, a Toti se insere como uma ponte entre as empresas e os refugiados, atacando um problema real que é a empregabilidade desta parcela da população.

Os cursos, que têm duração de até seis meses, são montados sob demanda das empresas, que pagam pela formação dos participantes e depois eles absorvem os profissionais já capacitados. Outra fonte de renda da startup se dá pela venda de sites.

Caio conta que, desde a primeira turma de desenvolvedores web formada em 2018 e, a segunda prestes a se formar no final deste mês de novembro, a Toti já conseguiu capacitar 12 refugiados. Destes, cinco já estão empregados.

Ele traz como exemplo Kalled, um refugiado sírio (a população síria responde a 36% dos refugiados no Brasil) formado pela Toti que trabalhava informalmente no Rio de Janeiro e, mesmo antes de completar o curso de desenvolvedor web, foi contratado por uma empresa de tecnologia em São Paulo, ganhando uma remuneração três vezes maior.  

“Todos esses acontecimentos são motivadores. A gente para e pensa: está funcionando, vamos fazer mais e melhorar o que a gente tem feito para podermos empregar cada vez mais”. [autor]Caio Rodrigues, fundador da Toti.[/autor]

A preocupação em desenvolver também as competências socioemocionais é um diferencial da startup. “Muitos profissionais têm a parte técnica apurada, mas têm dificuldades de trabalhar em equipe, por exemplo. Nossos cursos são pensados para atender as demandas pontuais das empresas, trabalhando tanto as habilidades técnicas, quanto interpessoais”, diz.

 

Texto: Larissa Lima 

Imagem: Divulgação