“100 milhões de startups surgem por ano no mundo”

“100 milhões de startups surgem por ano no mundo”

É por isso que novas empresas são um caminho ágil e lucrativo para acelerar a inovação dentro das grandes organizações, na visão de Andrew Humphries, da consultoria britânica The Bakery.

Publicado em 10 de abril de 2019

Surgem em média uma nova empresa para cada 70 habitantes no planeta ao ano. E mais impressionante: desses 100 milhões de concorrentes entrantes, metade segue funcionando depois de cinco anos. Embora a maioria talvez não esteja ligada diretamente a tecnologia, nada impede que isso acontece em algum momento.

“É simples: estamos vivendo em um mundo repleto de empreendedores”, resume Andrew Humphries, fundador da The Bakery, consultoria com sede em Londres e escritórios em várias partes do mundo. Entre os mais recentes está o de São Paulo, desde o ano passado. Como utilizar essa força empreendedora para acelerar a inovação dentro das grandes empresas foi o tema da sua apresentação durante o CIO LAB realizado na quarta-feira na Casa Charlô em São Paulo. Mais de 120 líderes de tecnologias de grandes empresas acompanharam o evento do Experience Club.

Energia empreendedora dentro e fora das grandes empresas pode ser canalizada para acelerar a cultura inovadora na organização.

Andrew contou como a consultoria nasceu há sete anos, quando ele e seus sócios refletiram sobre o momento pelo qual passava o mercado naquele momento. Havia uma enorme movimentação de aceleradoras e incubadoras procurando investidores e clientes. “Só que ninguém estava olhando para o outro lado, o que as grandes organizações estavam precisando”. The Bakery surgiu para suprir essa necessidade e ajudar no “match” entre as empresas tradicionais e possíveis parceiros e até mesmo oportunidades de investimento em meio ao oceano de startups disponível no mercado.

O que mudou nesse período, na avaliação do consultor, é que o acesso ao capital mudou rápido. “O custo para se montar uma empresa caiu muito, por isso é uma grande oportunidade para as empresas irem ao mercado em busca das soluções para os seus problemas de negócios”. Em resumo, há mais inovação disponível para quem tiver a visão e as ferramentas certas.

“É por isso que eu vejo CIO em transição para a função de Chief Innovation Officer. Cabe a ele liderar o processo de inovação dentro da companhia a partir de um ecossistema disponível no mercado”, destaca Andrew.

Qual é o problema?

Um problema recorrente entre CIOs e as empresas em geral quando o tema é inovação está no foco primário na tecnologia e não nos objetivos. Enquanto as lideranças discutem sobre blockchain ou inteligência artificial, falta aquela pergunta: qual é o problema que pretendemos resolver, afinal? “Partindo dessa premissa, é possível ir ao mercado e encontrar uma série de novas tecnologias em desenvolvimento por empresas diferentes”, diz Andrew.

Papel do CIO evolui para se converter em um Chief Innovation Officer

Ele citou o problema prático de um cliente, a Mondelez, que estava em busca de elemento que pudesse substituir a proteína whey em seus chocolates, cujos custos estavam em disparada. A solução surgiu de uma startup alemã que desenvolveu uma farinha feita a base de frutas que eram rejeitadas pelos supermercados por não terem mais a apresentação “perfeita”. A solução reduziu custos e tornou o produto mais sustentável. “O que ninguém sabia é que o engenheiro fundador da startup havia sido um funcionário da Mondelez”.

A moral dessa história, para o fundador da The Bakery, é as organizações precisam aprender a extrair o máximo do espírito empreendedor das pessoas, sejam elas colaboradores, parceiros ou fornecedores. Essa mudança, segundo ele, traz oportunidades especialmente para o contexto brasileiro.

“Eu venho sempre ao país já faz alguns anos e fico feliz em saber por pesquisas que dois terços dos jovens recém-formados pensam em empreender. Essa é uma força enorme que pode ser muito bem aproveitada”.

Texto: Arnaldo Comin

Foto: Marcos Mesquita/Experience Club