“2021 será maravilhoso para o investimento em startups”

“2021 será maravilhoso para o investimento em startups”

LIVE com especialistas em Venture Capital destaca que aposta no digital é um caminho sem volta depois da covid-19

Publicado em 23 de abril de 2020

Se ainda é cedo para ter uma visão clara de como será a recuperação da economia, entre os investidores de startups, a expectativa é a de que o fluxo de recursos se normalize até final do ano e ganhe força em 2021. Esta é a avaliação do João Kepler, sócio da Bossa Nova Investimentos, um dos destaques da Live Venture Capital: alternativa real de investimentos, realizada ontem com moderação do CEO do Experience Club, Ricardo Natale.

Participaram ainda do debate Amure Pinho, experiente investidor-anjo e presidente da Associação Brasileira de Startups (Abstartups) e Marcello Gonçalves, sócio da Domo Invest. Assista à live na íntegra no EXPTV.

Excesso de otimismo? Para os debatedores, o que está surgindo é um novo contexto de mercado. Kepler aponta que vem conversando nos grupos de fundos e a sensação até aqui é que, embora tenha havido alguma desaceleração, os investimentos não foram interrompidos.

Um ponto importante é aumento do profissionalismo dos empreendedores. A startups brasileiras mais resilientes se prepararam melhor e sabem que esse é o momento de resistir aos próximos meses, sem comprometer a visão de longo prazo.

“Empreendedor no Brasil não tem que pensar em virar unicórnio, mas em uma barata. Daquelas que você pisa, chuta e ela não morre” – João Kepler

O momento, porém, exige cuidado. O presidente da Abstartups aponta que, para os fundos, a maior preocupação é ter muita atenção à saúde do portfólio e ajudar o empreendedor a fazer a transição. O primeiro passo é ajudar a empresa a entender a crise e, a partir disso apontar soluções. O saldo positivo é a capacidade de reação dessa nova geração de empresários.

“As startups estão sendo criativas e obtendo bons resultados com menos recursos. Muitas buscaram rapidamente soluções de negócios para atender às demandas do confinamento” – Amure Pinho

Para o olhar do investidor, ele acrescenta, mais importante do que focar em quem está crescendo com a crise, é identificar as empresas mais resistentes, aquelas que ganharão um selo de “antifrágil” e sairão mais robustas para encarar a nova realidade do mercado.

MUDANÇA DE CENÁRIO

Na avaliação do sócio da Domo Invest, as startups já vinham ganhando espaço na carteira de investidores, sejam pessoas físicas, empresas e fundos familiares, que até pouco tempo costumavam destinar no máximo 5% da carteira em ativos ilíquidos. Agora, o interesse nos diferentes modelos de Venture Capital está chegando até a fundações de interesse privado.

A chegada do coronavírus, porém, adicionou uma nova camada de cautela no mercado. O fundo Domo Enterprise, que lançou captação em março, ajustou a abordagem com os investidores.



“O desafio é transferir a minha credibilidade pessoal para esse empreendedor que ainda tem poucos clientes e uma geração de caixa pequena” – Marcello Gonçalves

Para atrair o investidor corporativo, sobretudo aquele que vê nas empresas digitais uma oportunidade para agregar inovação ao seu negócio, uma função importante dos fundos é avaliar com precisão quem são os empreendedores capazes de enxergar a sua operação dentro de cinco anos. “Os grandes unicórnios levaram até 15 anos para fazer o seu IPO, o nosso papel é identificar o valor potencial da empresa e ajudá-la a chegar lá”, acrescenta.

SEM PECHINCHA

No sentido oposto, o presidente da Abstartups acha que a crise levanta outra discussão: a startup também precisa ter muito critério na seleção do seu investidor nesse momento. Pode haver muita tentação de investidores querendo barganhar com os empreendedores em um momento de fragilidade do caixa, mas que são os “oportunistas não profissionais do mercado”. “O investidor que asfixia a startup afunda seu capital junto com ela”, destaca Pinho.

O lado bom, acrescenta Kepler, é que a quarentena está levando um grande número de organizações a se lançar no mercado em busca de soluções. Estão contratando serviços e investindo em negócios digitais para resolver problemas imediatos.

“Muitas empresas que contrataram startups emergencialmente estão inovando sem nem saber”.

 

Texto: Arnaldo Comin

Imagens: Experience Club