“Não existe liderança forte sem coerência entre discurso e prática”

Monica Miglio Pedrosa
A segurança psicológica no ambiente de trabalho depende de clareza sobre o que precisa ser feito, disciplina que garanta que isso aconteça, coerência entre o que se fala e o que se faz, e respeito, que assegura direitos e deveres. Na visão da pedagoga e empresária Erika Linhares, fundadora da B-Have, esses são os pilares de uma liderança preparada, capaz de organizar o ambiente, desenvolver pessoas, sustentar relações de trabalho mais saudáveis e gerar resultados consistentes para o negócio por meio da alta performance de seus liderados.
Erika abriu a primeira edição do RH Experience, evento que reuniu cerca de 100 CHROs e líderes de pessoas na quarta-feira, 8 de abril, na Experience House, em São Paulo. Em sua palestra, ela defendeu que líderes e empresas que praticam o que falam e que falam o que praticam são os que conseguem criar ambientes mais previsíveis e fortalecer a confiança das equipes. “As pessoas não seguem processos, as pessoas seguem pessoas”, afirmou. Ela destacou que a ausência dessa coerência fragiliza a liderança e compromete tanto a saúde emocional das equipes quanto a capacidade de execução das empresas.

Erika criticou tanto a liderança opressora quanto a complacente, que busca agradar a todos e evita conversas difíceis. “Todo líder inseguro cria pessoas fracas, com baixa execução”, disse. Para ela, essa insegurança se manifesta de duas maneiras, pela agressividade ou pela indiferença em relação aos liderados. “Para ser coerente é preciso ter coragem.”
Em sua visão, parte do adoecimento nas organizações nasce da desordem, da falta de clareza e da frustração de expectativas. “Para ter saúde mental é preciso de ordem. Aquilo que me prometeram na entrevista está sendo cumprido”, afirmou.
A executiva, que já trabalhou no mercado informal no início da carreira, passou pelos setores público e privado e também pelo terceiro setor, atua hoje como empreendedora e fala com propriedade sobre o tema. Para Erika, desenvolvimento e crescimento profissional só acontecem fora da zona de conforto. Por isso, o líder não deve poupar as equipes dos desconfortos, mas criar as condições para que esse processo aconteça com clareza, respeito e direção.
Em sua visão, essa preparação passa também por resgatar uma visão mais madura sobre o trabalho. Ela criticou a ideia de que o líder deve ser um “herói”, capaz de resolver todos os problemas do time. Liderar exige fortalecer as pessoas para que assumam responsabilidades, façam o que precisa ser feito e compreendam que a empresa existe para gerar resultados.
Ela também relativizou o entusiasmo em torno da inteligência artificial quando o assunto é liderança. “As pessoas vão continuar seguindo pessoas. Elas não vão seguir a inteligência artificial. Os seres humanos precisam de conexão e, para haber conexão, é preciso admirar o líder”, afirmou. E resumiu falando que a “IA é a cereja do bolo, ela não é o bolo.”
Ao encerrar sua fala, Erika destacou as competências que, em sua visão, definem um líder de verdade. “Ele precisa gostar de trabalhar, gostar de pessoas e gostar da instituição em que escolheu atuar”, resumiu. Esse líder também precisa ter autoestima para aprender a se defender. “As pessoas fazem com a gente o que permitimos que elas façam”, concluiu, ratificando a importância dos limites. Tudo isso é necessário, segundo ela, porque um líder entrega resultados por meio de pessoas.
Fotos: Marcos Mesquita

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