Consumidores usam IA para colocar ESG à prova

A inteligência artificial tem assumido um papel cada vez mais relevante no avanço da agenda ESG nas empresas. Essa é a visão de 40,5% dos participantes do estudo “ESG Consumer Index 2026”, desenvolvido pela CI&T em parceria com a Box1824, que acreditam que a tecnologia pode ajudar as empresas a reduzir seus impactos socioambientais. Ao mesmo tempo, a IA passa a ser usada pelos consumidores para verificar informações, questionar promessas corporativas e exigir evidências concretas de resultados das ações e iniciativas das organizações.
O estudo também mostra que as questões sociais estão entre as prioridades da agenda sustentável, com 40% da preferência dos brasileiros, à frente de governança (31%) e meio ambiente (30%). Já entre as preocupações mais urgentes estão o combate ao uso ilegal da terra e dos recursos naturais, que lidera o ranking com 30% dos votos; a necessidade de ampliar o acesso a recursos básicos (29,6%); e a maior proteção à biodiversidade e aos povos originários (28,5%).
Outro dado relevante é que mais da metade dos brasileiros ouvidos na pesquisa (54%) não sabe o que significa a sigla ESG, o que não reduz a pressão da sociedade por mais transparência, responsabilidade e impacto social por parte das empresas.
“As pessoas não estão interessadas em decifrar os conceitos corporativos, elas cobram atitudes sobre a cidade que alaga, sobre a desigualdade e o acesso a recursos básicos. O discurso técnico perdeu a validade e deu lugar à exigência por impactos concretos na vida real”, afirma Marcelo Marciano, head de inovação e impacto da CI&T.
IA: solução ou risco?
Apesar de reconhecerem o potencial da inteligência artificial como catalisadora da redução de impactos ambientais e sociais, 30,7% dos brasileiros veem a tecnologia como uma ferramenta ambígua. Ao mesmo tempo em que pode impulsionar soluções, a IA também traz novos desafios relacionados ao consumo energético, à infraestrutura digital e à disseminação de desinformação.
“A Inteligência Artificial inverteu a dinâmica de poder e confiança entre empresas e consumidores. Estamos entrando em uma era em que compromisso sem evidência perde relevância e dados passam a ser a principal moeda de credibilidade”, diz Marciano. Segundo o estudo, um em cada cinco brasileiros considera a fiscalização ética das empresas sua principal prioridade.
Esse movimento aparece como resposta à crise de confiança nas narrativas corporativas. Para 34,5% dos entrevistados, a maioria das empresas fala sobre sustentabilidade, mas não aplica esse discurso na prática. Outros 29,4% acreditam que muitas organizações apenas comunicam compromissos, sem implementar mudanças efetivas. Além disso, 79,2% dos brasileiros defendem relatórios empresariais mais acessíveis e compreensíveis.
“O consumidor cansou de esperar por 2030. O que vemos em 2026 é uma crise profunda nas narrativas vazias de sustentabilidade. Na era da Inteligência Artificial, a transparência radical é o novo compliance do mercado. Diante de um consumidor que cruza dados e atua ativamente como auditor, as organizações perderam o benefício da dúvida. A IA não aceita mais o storytelling inspirador; ela exige provas concretas, impacto local e evidências no presente”, afirma Sereno Moreno, strategy director & AI specialist na Box 1824.
Para as empresas, os resultados indicam que a sustentabilidade será cada vez mais orientada por dados e resultados verificáveis. Quando perguntados sobre os caminhos para os próximos anos, 35,2% dos entrevistados apontam que o diferencial competitivo estará na capacidade de apresentar dados concretos de impacto. Outros 31,6% acreditam que a agenda estará ligada ao desenvolvimento de produtos mais duráveis e com menor geração de resíduos, enquanto 27,2% defendem investimentos em tecnologias capazes de reduzir impactos ambientais.
A crise de confiança também ajuda a explicar porque 24,2% das pessoas afirmam que as empresas têm papel central na transformação sustentável, mas precisam ser permanentemente fiscalizadas para garantir que cumpram suas promessas.
O ESG Consumer Index 2026 foi elaborado a partir do cruzamento de dados históricos coletados desde 2023, análises de social listening, entrevistas com especialistas e uma pesquisa quantitativa realizada com mil entrevistados residentes em regiões metropolitanas brasileiras.
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