“Comunidade não se cria, se potencializa”, diz Rosana Fortes, CEO do Strava no Brasil

Monica Miglio Pedrosa
Com 30 milhões de usuários, o Brasil se tornou o maior mercado do Strava, aplicativo que monitora, registra e compartilha atividades físicas e funciona como diário de treino e rede social para atletas. No mundo, a plataforma reúne 195 milhões de pessoas. Para Rosana Fortes, CEO do Strava Brasil, o crescimento da corrida e dos grupos esportivos abre espaço para as marcas se aproximarem de comunidades já formadas e contribuírem para mantê-las ativas.
A executiva relaciona a expansão da corrida à busca por bem-estar e ao uso do esporte como espaço de socialização. Ela citou o relatório Year in Sport, do Strava, segundo o qual um em cada cinco jovens conheceu alguém por meio do esporte. “Nunca vimos tantos jovens usando o espaço do wellness como porta para conhecer novas pessoas”, contou.
Um exemplo disso é o grupo de corrida Calma Clima, criado em Belo Horizonte (MG) em 2017, que reúne até 1.500 corredores e começou de forma inteiramente orgânica. “Você corre em ruas onde, normalmente, não correria sozinho”, disse. O CalmaClima é considerado o maior grupo informal de corrida de rua do mundo. “Comunidade não se cria, se potencializa.”
Antes de assumir a operação do Strava no Brasil, em 2019, Rosana construiu carreira no marketing, com passagens por empresas e agências como Coca-Cola, F.biz, AgênciaClick e Ogilvy & Mather. Corredora desde a adolescência, passou oito anos na Nike, onde liderou projetos ligados ao Nike Run Club (NRC), aplicativo gratuito de corrida da companhia. Apesar de ter alcançado o que chamou de o emprego dos sonhos, sentia falta de autonomia para tirar ideias do papel. No Strava encontrou uma “folha em branco” para desenvolver projetos.
Ela chegou à plataforma poucos meses antes da pandemia, quando o Strava tinha apenas 3 milhões de usuários no país. Com a suspensão dos encontros presenciais, manter as pessoas conectadas ao esporte se tornou um desafio. “O centro da construção de comunidade é estar com pessoas, conhecer pessoas. Começamos a fazer alguns desafios indoor”, contou. Naquele período, usuários corriam em varandas e garagens e o Strava estimulou o uso de simuladores para continuar a treinar dentro de casa.
No pós-pandemia, os grupos de corrida, triatlo e natação cresceram. Para Rosana, eles funcionam como porta de entrada para quem quer começar uma modalidade e ajudam a democratizar o esporte. “O pertencimento importa. E, às vezes, é mais importante do que a performance”, afirmou.
A executiva citou a Marcha das Minas, iniciativa do Strava para o Dia Internacional da Mulher, como exemplo de adaptação local. A ideia surgiu depois que ela recebeu um briefing sobre a Hot Girl Walk, tendência que começava a se espalhar do Reino Unido para os Estados Unidos. Em vez de simplesmente traduzir a proposta para o Brasil, a equipe criou um movimento próprio, realizado com marcas parceiras.
Rosana explicou que o crescimento do Strava no país é orgânico, impulsionado pelo boca a boca e pelo compartilhamento de atividades, com pouco investimento em mídia paga. “O Brasil constrói comunidade como ninguém”, afirmou.
Dentro da plataforma, as marcas podem se aproximar dos atletas por meio de desafios esportivos. Ela citou a Heineken entre as parceiras do Strava e ressaltou que as iniciativas precisam considerar as particularidades de cada comunidade. “Toda comunidade é local”. Para finalizar, ela disse que o boom da corrida atrai novos praticantes, mas o pertencimento é o que ajuda a mantê-los por perto.
-
Aumentar
-
Diminuir
-
Compartilhar



