A health tech que quer ajudar você a seguir a dieta

Startup Selectivor cruza dados de produtos com o perfil das pessoas para ajudar nas refeições de quem tem restrições a alimentos e ingredientes

Publicado em 20 de abril de 2021

Novas tecnologias têm ganhado espaço em inovações voltadas para a saúde, e os brasileiros estão prestes a ter em mãos mais uma ferramenta para auxiliá-los a se alimentar melhor. Fundada pelo médico e nutrólogo americano Steven Tan, no Vale do Silício, mas com um pé no Brasil, a startup Selectivor / Eat ID desenvolveu uma plataforma que cruza dados de produtos com informações de perfil alimentar. O objetivo é ajudar nas refeições de pessoas que têm restrições a alimentos e ingredientes específicos, seja qual for o motivo: alergia, dieta, pós-operatório ou uso de medicamentos, entre outros.  

“O primeiro ponto do desenvolvimento do aplicativo foi dar respostas objetivas como: ‘estou em uma dieta low carb, será que eu posso comer chocolate?’ A partir dessa inteligência, o segundo passo foi fazer recomendações em conjunto, cruzando dados de um grupo de amigos ou de uma família para recomendar alimentos de acordo com as restrições desse conjunto de pessoas”, explica Marcos “Rasta” Schestak, CEO e fundador da Base Digital, empresa brasileira especializada no desenvolvimento de produtos digitais.  

Apresentado para o idealizador da plataforma por um amigo em comum há três anos, Schestak se tornou o sócio brasileiro da startup e montou toda a equipe voltada para engenharia e programação de software no Brasil. Além do aplicativo Selectivor, criado para atender o consumidor final, a startup lançou também uma plataforma específica para o mercado B2B, denominado Eat ID. Com ela, hospitais, supermercados e aplicativos de delivery podem fazer uma integração direta com os dados dos perfis dos usuários para oferecer apenas produtos que eles podem comer. 

No mercado americano, já está disponível também o Food Expert, um recurso integrado à Alexa e ao Google Assistant. O recurso permite que o usuário pergunte para a plataforma qual o alimento mais adequado, tanto para ele quanto para outra pessoa que tenha o perfil cadastrado na plataforma.  

Veja abaixo a demonstração que o fundador da startup, Steven Tan, fez para o Experience Club, e confira seis insights de Schestak sobre a Selectivor / Eat ID e seus planos para o mercado brasileiro:

1 – Uso de tecnologias na plataforma 

Para fazer a relação das especificações alimentares de uma pessoa e os produtos disponíveis no mercado, o aplicativo utiliza uma robusta análise de dados que está baseada em um programa denominado Neo4J. Nesta plataforma foram aplicadas tanto os conhecimentos do fundador Steven Tan em relação a restrições alimentares como também as informações de inúmeros alimentos e produtos disponíveis no mercado. Tendo esses dados como base, é aplicada Inteligência Artificial, cujos algoritmos fazem a relação do que as pessoas podem ou não comer. Segundo Schestak, são mais de mil restrições dentro da plataforma que são cruzadas com ingredientes e alimentos.  

2 – Integração de dados 

Para avaliar com precisão se determinado alimento que contém açúcar pode ser consumido por uma pessoa que é diabética, por exemplo, a plataforma tem nos EUA uma base central de dados com os códigos nutricionais de todos os alimentos disponíveis no mercado americano. Dessa forma, ao escanear o código de barra ou o rótulo do produto, o aplicativo cruza as informações com as informações da pessoa, e indica em tempo real se aquele item pode ser consumido ou não.   

3 – Estrutura em dois países 

A startup é formada atualmente por oito profissionais, sendo que parte deles está nos EUA. É o caso do médico e fundador do Selectivor, Steven Tan, e do responsável pela área de design e marketing, Daniel Lemin (ex-Google e Orkut). No Brasil, além de Marcos “Rasta” Schestak, está também uma equipe formada por engenheiros de sistemas e programadores, responsáveis pelas funções de usabilidade e integração de tecnologias do aplicativo. Além dos profissionais que atuam diretamente na plataforma, a startup mantém um conselho formado por médicos e acadêmicos de diversas universidades americanas, que assessoram o desenvolvimento do produto e em questões mais sensíveis relacionadas à saúde.  

4 – Planos para o mercado brasileiro 

Em fase final de testes no mercado americano, o Selectivor deve começar a dar seus primeiros passos no Brasil a partir de 2021. Adiado por um ano por conta da pandemia, o plano da startup é iniciar as demonstrações da plataforma em eventos específicos de tecnologias, e também em eventos voltados a health techs. Na visão de Schestak, a crise com a Covid-19 despertou o interesse do mercado de saúde e bem-estar por serviços voltados à qualidade de vida e prevenção, e o novo aplicativo visa atender essa nova demanda.  

5 – Atuação B2B 

A startup aposta muito na versão Eat ID, que é voltada para o mercado B2B, por conta da demanda em duas áreas principais: a voltada à saúde e bem-estar, como hospitais e clínicas, onde a alimentação tem um papel fundamental para os pacientes, possibilitando personalizar os alimentos de acordo com as restrições de cada pessoa; e os aplicativos de delivery de alimentação, onde há a possibilidade de integrar as duas plataformas digitais para oferecer refeições de acordo com as restrições alimentares dos usuários.  

6 – Plataforma como prestadora de serviços 

Segundo Schestak, um dos grandes diferenciais para o sucesso da nova plataforma no mercado é que há uma interação com o usuário, através de conteúdos que vão fazer a diferença em seu dia a dia. Para ele, essa é uma tendência que mostra a maturidade do mercado brasileiro em relação ao uso de novas tecnologias, e que tem impactado no posicionamento de marcas e produtos. “Hoje o usuário quer menos campanhas publicitárias e mais prestação de serviço”, afirma Schestak.  

Texto: Fábio Vieira 

Imagens: Reprodução