A riqueza da vida simples

A riqueza da vida simples

Como escolhas mais inteligentes podem antecipar a conquista dos seus sonhos

Publicado em 19 de dezembro de 2019

Ideias centrais:

  1. Independentemente de quanto recebemos pelo nosso trabalho ou investimento, o que determina nossa saúde financeira são nossos gastos. Não é nossa renda, mas o nosso consumo que determina se teremos dificuldades financeiras ou se seremos ricos.
  2. Uma das mais importantes técnicas de planejamento financeiro é manter-se financeiramente resiliente. Em outras palavras, planos devem ser construídos, de modo a suportar imprevistos.
  3. Dependendo do destino escolhido, sua opção pode ser trocar uma casa simples, insegura e cara na cidade por uma moradia mais simples, ampla e barata numa região mais pacata ou rural.
  4. A atitude minimalista envolve deixar de gastar com o que não tem utilidade duradoura para concentrar o consumo naquilo que é realmente importante. E também desapegar-se daquilo que foi comprado sem utilidade.
  5. Para todos os sonhos que tenha, evite o arriscado caminho de poupar um grande valor durante um prazo longo demais. Em lugar de realizar um grande sonho em cinco anos, prefira concretizá-lo em oito ou dez anos, executando planos menores, nutrindo o grande.

Sobre o autor:

Gustavo Cerbasi é mestre em Administração pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, com graduação na Fundação Getúlio Vargas. Tem larga experiência em finanças dos negócios, planejamento familiar e economia doméstica. Cerbasi tem 15 livros publicados, com mais de 2,2 milhões de exemplares vendidos.

O que é preciso para prosperar?

Um número tão pequeno de seres humanos bem-sucedidos pode sugerir que prosperar é para poucos. Essa crença limitante leva muita gente a buscar conforto em estratégias comprovadamente mal sucedidas, baseadas em atalhos ou apostas com poucas chances de sucesso:

  • A ilusão do emprego público;
  • A esperança das loterias;
  • A busca de um padrinho ou mentor que abra portas;
  • O voto em políticos populistas;
  • A dedicação incondicional a um emprego que não será eterno;
  • A bajulação de parentes ricos;
  • Investimentos milagrosos;
  • Negócios que prometem ganhos fáceis ou rápidos;
  • Mimar filhos para que eles paguem suas contas no futuro.

Chegar a R$ 2 milhões é um sonho muito distante para você? Em Adeus,aposentadoria, explico detalhadamente que a mesma renda de R$ 10 mil pode ser obtida se você tiver uma reserva financeira de algumas dezenas de milhares de reais (resultado da venda de um carro ou de um imóvel, por exemplo) e somar a essa reserva seu suor e um bom plano para montar um pequeno negócio próprio bem-sucedido.

A situação de quem ganha abaixo do ideal não é muito diferente. O dinheiro mal dá para fechar a conta de alimentação, remédios, moradia precária e transporte. Nessa situação limítrofe, sugerir poupar para o futuro é como rir da desgraça alheia. 

Como pensar no futuro se nem o presente é digno de orgulho? Se apertar, sobra, mas mal dá para um cineminha com os filhos. Daria para mudar a situação, desde que a pessoa entendesse que a baixa renda é resultado da baixa capacidade de transformar e de resolver problemas. Para transformar essa realidade, seria preciso se qualificar, investir em cursos que capacitasse a pessoa a fazer trabalhos diferenciados e de maior valor agregado.

Independentemente de quanto recebemos pelo nosso trabalho ou de nossos investimentos, o que determina nossa saúde financeira são nossos gastos. 

Em outras palavras, não é nossa renda, mas sim o nosso consumo que determina se teremos ou não dificuldades financeiras, se somos ricos ou não.

Quando o método tradicional não funciona

Peço desculpas para contestar seu argumento ou sua dificuldade, qualquer que seja. Não, a prosperidade não é privilégio apenas de pessoas que não deram “ errado”. Essa é uma visão preconceituosa da própria realidade. Não, você não precisa se manter no emprego para ter sucesso. Não, a sorte não é um diferencial para alcançar seus objetivos.

Quem não possui um plano detalhado para alcançar um objetivo tem o sonho, mas não sabe exatamente como alcançá-lo. Por exemplo, suponha que seu sonho seja fazer uma grande viagem pela Europa. Quando surge alguma informação relacionada a esse objetivo (digamos, alguma notícia sobre sites de descontos em passagens ou roteiros), essa nova informação aguça as ideias, mas não se torna prática. Tende a ser esquecida em pouco tempo ou acomodada numa grande gaveta de ideias.

Sêneca escreveu que, quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável

Sem planos, informações valiosas viram apenas notícias. Com planos, qualquer dica se transforma em economia ou fortalecimento do projeto. 

Por essa razão, quem revisa periodicamente seu planejamento tende a dominá-lo em seus mínimos detalhes e a conhecer suas limitações, mantendo-se atento a qualquer fato ou informação que possa melhorá-lo.

Uma das mais importantes técnicas de planejamento financeiro é manter-se financeiramente resiliente. Em outras palavras, planos devem ser construídos de modo a suportar imprevistos de diferentes naturezas. Existem duas poderosas estratégias para blindar o orçamento contra imprevistos:

Manter uma reserva de emergência. Trata-se de uma reserva equivalente a cerca de três meses do consumo mensal da família, que deve estar investida (para não perder a oportunidade de rendimento) com liquidez imediata, ou seja, com disponibilidade imediata em caso de necessidade. A reserva de emergência deve ser considerada como o primeiro dos investimentos – não se faz outro enquanto ela não estiver completa.

Reduzir a proporção de gastos fixos no orçamento. Nossas decisões de consumo são escolhas pessoais. Há uma grande diferença entre gastos fixos (aqueles que você sabe que terá que pagar todos os meses) e gastos variáveis (aqueles que acontecem de vez em quando ou só quando sobra dinheiro). Normalmente, os gastos variáveis são os relacionados a lazer, cuidados pessoais, qualidade de vida e educação avulsa. Quem reclama que faltam recursos para esse tipo de gasto resiste a entender que isso é resultado de escolhas mal pensadas.

Planos novos para quando os velhos fracassarem

Para formular planos bem elaborados e mais ricos, você deve inverter a ordem das escolhas:

  • Defina sonhos que você quer alcançar e transforme-os em objetivos;
  • Desconte de sua renda o que está previsto poupar para os objetivos;
  • Depois, desconte do que sobrar a verba que pretende destinar para consumir qualidade de vida;
  • Avalie os recursos mensais que sobram e, então, estude o padrão de vida que você pode pagar com esse dinheiro.

Duas decisões importantes devem estar claras, ao fazer essa análise:

  1. Qualidade de vida: são os gastos com cuidados pessoais, fazer a educação avulsa, associados ao relaxamento ou descompressão da rotina. Eu não incluo, por exemplo, escola e moradia em qualidade de vida, apesar de que uma moradia escolhida cuidadosamente pode permitir gastar menos com qualidade de vida, por exemplo.
  2. Padrão de vida: são os gastos inevitáveis (porém administráveis e escolhidos) que temos com moradia (que incluem contas de consumo, manutenção e impostos), saúde, educação, transporte, segurança e alimentação.

Ao apresentar esse novo modelo, a sugestão é que você priorize as grandes realizações futuras e as importantes experiências presentes. Forçosamente, isso exigirá que você gaste menos com seu padrão de vida.

Não importa qual seja sua condição financeira, seu status, o tamanho de sua dívida ou a gravidade do problema que apareceu em sua vida. Se você tem ou teve sonhos e eles parecem inalcançáveis, ou se sua vida se resume a uma sequência triste e sem perspectiva de acordar-comer-trabalhar-dormir, algo precisa ser feito.

Uma vida rica pressupõe a realização de sonhos. Se você não está alcançando nada do que sonhou, faltam-lhe pelo menos um pouco de agenda para organizar planos e um pouco de coragem para reconhecer as escolhas erradas que fez e mudar de vida.

Você tem opções

O gargalo de seu projeto está naquilo que você ostenta. Casa, carro, roupas, título de clube, plano de saúde com pacote hospitalar estilo resort. Entram nessa restrição também as últimas férias, parceladas em doze vezes. Você sabe que é caro, mas sua família merece. Você avaliou e acreditou que, com sacrifício, conseguiria pagar. Sabe também que sua família está habituada a esse padrão de vida e que mudá-lo não é tarefa simples.

Conforme Cerbasi, o processo de tomada de decisões envolve quatro técnicas principais:

  • Orçamento doméstico. É fundamental mapear seu consumo detalhadamente. O principal motivo disso é que costumamos saber de cor nossas despesas mais importantes (escola, moradia, prestações), mas raramente alguém que não controla o orçamento sabe quanto desembolsa no mês com pequenos valores. Acredita-se que há espaço para assumir determinados gastos, mas esse espaço já está comprometido com a rotina.
  • Análise SWOT. Consiste em elencar os elementos que conhecemos sobre as possibilidades que estão em jogo. SWOT é a sigla em inglês para Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças). Basicamente, a análise consiste em montar um diagrama em que relacionamos quais são os pontos fortes e fracos da escolha que estamos avaliando e quais as oportunidades e ameaças associadas a ela.
  • Plano B. Também conhecido como plano alternativo ou de fuga, é a estratégia para quando o plano principal não funciona. Um plano B é, por exemplo, ter uma reserva financeira para cursar uma pós-graduação ou especialização, caso venha a ficar desempregado.
  • Debates, muitos debates. Especialistas em estratégia costumam recomendar que falemos menos e ouçamos mais. Quem fala demais, supostamente abre a guarda para concorrentes. Tenho ressalvas quanto a essa postura. Quando se trata de planos complexos, intensifico meu contato com amigos, familiares para expor minhas ideias, ambições e preocupações. Essa costuma ser a melhor parte do planejamento.

A riqueza da vida simples

A planejar uma nova vida, o cenário deixa de ser, por exemplo, “como organizar a renda familiar de R$ 2.000 vivendo na comunidade” e passa a ser “como viver bem ganhando R$ 2000”.

Dependendo do destino escolhido, sua opção pode ser trocar uma casa simples, insegura e cara na cidade por uma casa mais simples, ampla e barata numa região mais pacata ou rural. O seu salário lhe paga uma vida digna em qual região? Ou, em outras palavras, como e onde vivem as pessoas que são felizes com seu nível de renda?

Um imóvel mais compacto e barato tende a ter imposto sobre propriedade mais baixo, condomínio e seguro mais em conta, consumo de energia menor e um custo também menor para decorar. Tecnicamente, já era esperado que esses gastos, também existentes na moradia original, ficassem menores no orçamento. 

Porém, o que poucos percebem antes de mudar para um novo local é que os imóveis mais econômicos tendem a se localizar em bairros mais econômicos. Isso significa que, nesses bairros, provavelmente o supermercado, a feira e a padaria também serão mais baratos.

Assim se exprime Gustavo Cerbasi: “Passei boa parte dos fins de semana de minha infância no interior de São Paulo, entre Americana e Itupeva, onde vivia a maior parte da família de meu pai. Nós éramos de São Paulo, vida urbana, mas minhas melhores memórias de infância são dos momentos com a família no ambiente do campo. Acredito que uma das maiores riquezas foi crescer na cidade, mas com experiência do campo”.

Essa é a vantagem da vida no campo. Lazer a custo baixo, alegria de plantar e colher do próprio quintal, facilidade e espaço para reunir pessoas queridas, lições de vida e de sociedade para as crianças. Experiências valiosas que simplificam o importante papel de educar e a necessária tarefa de descansar.

Autoconhecimento gera autenticidade

Todos temos sonhos ou necessidades, mas estimulados a viver o sonho dos outros, passamos parte da vida simplesmente enterrando os nossos. O que chamo de sonho dos outros é aquilo que querem que você sonhe. Na prática, refiro-me à construção de desejos resultante de um esforço milionário de marketing que associa o sucesso a grifes, posses e símbolos de status. 

Bombardeados pela mídia, sofremos uma lavagem cerebral que nos induz a modelar ambições de acordo com o que causará o maior número de curtidas na rede social.

A sociedade, então, se saturou do consumo padronizado do meio do século XX e, por volta dos anos 1980 e 1990, começou a haver um estímulo à individualização. Nesse período, a moda passou a mudar muito rapidamente e os itens de consumo tornaram-se cada vez mais descartáveis.

Produtos feitos em larga escala, mais baratos e pouco duráveis, passaram a ser cada vez mais desejados, graças a um eficiente trabalho de marketing que propagou o processo de esforço-recompensa-vazio pelo mundo todo. O consumo, então, com a ansiedade pela aquisição em níveis nunca antes vistos, se transformou em consumismo, claramente identificável como doença.

O desafio está em parar, pensar em como você gostaria que sua vida fosse conduzida nos próximos anos, entender o cenário e montar planos para isso. 

Ao mesmo tempo, você precisa se blindar contra os estímulos de consumo, que ainda são muito fortes e presentes.

Isso só será mudado quando passarmos a nos conhecer melhor. E não é estudando os outros que aprendemos mais sobre nossos gostos. É preciso estudar a nós mesmos. Sem professor, sem teorias, sem referências externas, desenvolver o autoconhecimento é, seguramente, o mais difícil dos aprendizados.

No mínimo, a essência

Voltemos aos cenários para seu planejamento pessoal ou familiar. Vimos que:

  • Priorizamos ter mais qualidade de vida e realizar mais sonhos;
  • Precisamos reduzir os gastos com o padrão de vida;
  • O autoconhecimento nos conscientiza do que é realmente importante;
  • Sabemos que muitos de nossos gastos nada agregam a nossas alegrias.

Um movimento crescente na sociedade, reflexo da consciência contra o consumismo e seus efeitos para o futuro, é a adoção de uma atitude minimalista de consumo. É crescente, em comunidades do mundo todo e particularmente em alguns países europeus, a reunião de grupos sociais para discutir, adotar práticas e disseminar o consumo minimalista.

A atitude minimalista envolve deixar de gastar com o que não tem utilidade duradoura para concentrar o consumo naquilo que é realmente importante. 

Sim, exige um exercício de desapego, de se desfazer daquilo que foi comprado sem utilidade ou que perdeu sua serventia com o passar do tempo. Deixar de comprar simplesmente pela rotina de comprar, como aquele impulso que a maioria das pessoas sente ao sair de uma atração turística e passar por uma loja de suvenires.

É um engano, porém, entender o minimalismo como o empobrecimento do consumo ou da decoração do lar. A interpretação correta é de um padrão mais funcional e utilitarista de consumo. Gasta-se menos com o que não tem utilidade – ou trará mais alegrias – para a família. Poder gastar mais com aquilo que queremos é uma forma racional de nos sentirmos mais ricos.

Para alcançar esse objetivo, nossas escolhas devem ir além de, simplesmente, comprar menos. A prática do consumo local não só valoriza a economia da sua vizinhança como também reduz os gastos e os efeitos de transporte e da armazenagem de produtos que vêm de longe. O transporte polui e o armazenamento consome energia – o que, indiretamente, pode ser considerado como poluição ou devastação.

Protótipos da vida futura

A luta pela igualdade de gêneros resultou em menor desigualdade de salários e maior semelhança nas preferências de consumo. Homens estão cada vez mais vaidosos, consumindo mais estilo de vida e cuidados pessoais. Isso os faz refletir sobre as consequências e provações de escolhas excessivamente engessadas.

O acesso à internet está se universalizando rapidamente, inclusive entre os mais pobres. As comunidades têm as suas torres de transmissão e internet comunitária. Nas grandes cidades, é cada vez mais comum que parques, praças e locais de grande frequência de público tenham conexão sem fio (wi-fi) gratuita.

A conectividade permite acesso a conteúdo variado, inclusive a educação financeira. Assim, problemas graves, como o endividamento, por exemplo, podem ser debatidos amplamente logo que surgem. Resultado: conscientização e aversão a dívidas.

Gastos com a própria faculdade ou a dos filhos estressam menos a nova geração. Uma das principais preocupações das gerações que associaram o sucesso a ter uma carreira sólida, a educação superior passou a ser apenas uma dentre várias possibilidades de se preparar para o trabalho. 

O conhecimento que se busca nos dias de hoje é aquele necessário para aprender a resolver problemas que não existiam há dois ou três anos. Conhecimento inovador e diferenciado, que tenha valor pela sua exclusividade. 

Estuda-se para adquirir valor, necessário para conseguir trabalho. Trabalha-se para ser feliz e juntar algum dinheiro para, daqui a algum tempo, poder deixar de trabalhar e descansar.

O aspecto circular que se vê ao discutir sobre estudar para ser feliz não é uma tendência apenas para as escolhas de educação e carreira. Com cada vez mais pessoas adotando práticas de consumo minimalista e eficiência no uso de recursos, o repúdio crescente ao consumismo tem sido cientificamente chamado de lowconsumerism.

Produzir dentro do conceito de economia circular significa planejar bens, serviços e embalagens que atendam às necessidade do consumidor sem gerar resíduos, dejetos ou impactos significantes na natureza com a menor interferência possível na capacidade de continuar produzindo. Um exemplo de aplicação do conceito de economia circular na vida doméstica é a prática do reúso da água, com captação da água da chuva e do banho para irrigação de jardins e lavagem de calçadas.

A casa inteligente

O autor descreve toda uma rica experiência com casa de campo. Ali, Cerbasi exercitou a construção de uma casa inteligente, aproveitando ao máximo os recursos da natureza, como reúso de água, produção fotovoltaica de energia elétrica e outros. Não temos espaço para a rica e extensa experiência ocorrida na região de São Roque. Vamos então nos deter nas lições daí extraídas em termos ecológicos e sociais.

Diz Cerbasi: “É incrível a sensação de gerar a própria energia [sistema fotovoltaico], sem derrubar árvores, sem represar cursos de rios, sem queimar combustíveis fósseis, sem instalar ventiladores gigantes que, apesar de silenciosos, comprovadamente afetam a vida animal por sua vibração. Temos geração própria, abastecimento do sistema, contribuição para a sociedade, blindagem contra o aumento de preços, diminuição de nossa pegada de carbono, retorno em menos de dez anos e grande economia durante 25 anos”.

O que é sustentável? Não é sair no domingo para abraçar uma árvore, nem contribuir com R$ 10 para que uma ONG plante mudas num lugar qualquer. 

Ser sustentável é, acima de tudo, não ser um ônus para a sociedade.

Existem várias formas de ser sustentável: podemos desperdiçar menos água, gerar menos esgoto, gastar menos energia. A geração desses recursos é limitada e envolve gastos e investimentos públicos. Com moradia, energia, água e gás mais baratos em regiões favoráveis à agricultura, é provável que a saudável inversão do fluxo migratório aconteça mais rapidamente.

Blindando a aposentadoria

A construção do futuro começa, sem dúvida alguma, por arquitetar uma vida presente bem vivida, saudável e equilibrada, com cuidados para não perder essas qualidades ao longo do tempo. Afinal, ninguém sabe até quando viverá e quando o “futuro” realmente acontecerá.

Foi com base nesse raciocínio que se formulou o modelo de planejamento que foi detalhado no livro Adeus, aposentadoria. De forma resumida, ele envolve viver melhor, priorizar gastos com cuidados pessoais e educação, racionalizar despesas fixas para que sejam sustentáveis e planejar a carreira e a educação para que continuamente estejamos envolvidos com algo que nos fascine.

Os gastos devem subir com o passar dos anos, e esse crescimento deve ser coberto, preferencialmente, pelo aumento dos ganhos obtidos a partir dos investimentos ou dos negócios. Por isso, um planejamento da fase pós-trabalho deve considerar também um envolvimento maior com investimentos e/ou com negócios ou atividades empreendedoras, nem que sejam apenas para complementar a renda.

Seus planos para o futuro devem considerar pelo menos:

  • Possibilidades de criar uma renda independente de seu esforço produtivo, que seja sustentável e preferencialmente crescente;
  • Possibilidades de limitar o aumento ou mesmo reduzir os gastos pessoais ou familiares.

Por que não planeja a mudança para outra casa que, reformada, lhe permita ter aquilo que você não tem na atual? Por exemplo, se sua casa vale R$ 500 mil e tem um custo mensal de R$ 2 mil, por que não vendê-la, comprar uma de R$ 300 mil e reformá-la para limitar o custo mensal a R$ 1 mil? E, como a ideia é mudar, por que não considera uma casa que lhe permita ter um pomar e um jardim? Você e sua família agradecerão. 

Riqueza essencial

Uma vida mais rica, é importante destacar, depende cada vez menos de dinheiro. Uma vida mais rica, alguns anos atrás, talvez significasse ter um carro que poucas pessoas poderiam comprar ou uma casa própria que pouquíssimos poderiam bancar. Riqueza era ter um conforto pouco acessível.

Hoje, com a evolução da tecnologia, com as trocas, com uma cultura cada vez mais minimalista (felizmente) e com a inteligência financeira em expansão, a sociedade está desenvolvendo uma forma mais eficiente e evoluída de viver. 

Ao compartilhar mais conhecimento e experiências, as pessoas percebem o valor dessa mudança, encontram caminhos para praticá-la e entendem que uma vida mais rica não depende necessariamente de posses.

Para todos os sonhos que você tem na vida, evite o arriscado caminho de poupar um grande valor durante um prazo longo demais. No lugar de realizar um grande sonho em cinco anos, prefira concretizá-lo em oito ou dez anos e alcançar outros sonhos menos ambiciosos e complexos, mas igualmente relacionados às suas paixões, dentro desse prazo.

É muito poderoso o conceito de que você pode realizar objetivos menores de curto e médio prazos que vão nutrir a motivação necessária para seu objetivo de longo prazo. Nutrir é a palavra que melhor descreve esse efeito.

Texto: Rogério H. Jönck

Imagens: Reprodução e Unsplash

Ficha técnica:

Título: A riqueza da vida simples

Autor: Gustavo Cerbasi

Primeira edição: Editora Sextante (2019) 

                                                                                                                                                                                                                                                                    

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