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Cashin, de prêmios digitais, lança plataforma de criação e engajamento de campanhas de incentivo

Startup que digitalizou a jornada de pagamento de prêmios e incentivos projeta R$ 250 milhões em transações no aplicativo em 2023

Monica Miglio Pedrosa

As empreendedoras Luciana Ramos e Nani Gordon identificaram uma dor comum a vários segmentos do mercado e transformaram essa dor em oportunidade. Foi assim que nasceu a Cashin em 2018, como uma plataforma que digitaliza todo o processo de pagamento de prêmios e incentivos de empresas a funcionários e terceiros, em um processo 100% digital e rastreável. A interface atende dois públicos-alvo: o beneficiário do serviço e as empresas, que podem acessar relatórios, estatísticas e rastrear o processo de ponta a ponta, atendendo exigências de compliance, jurídicas e de auditoria.

Empresas de grande porte, como Ambev, Burger King, Disney, Neo Química e Suzano representam 80% dos clientes da plataforma. A aceleração da transformação digital na pandemia e o aporte de R$ 7 milhões em 2022, liderado pela gestora de fundos de investimento Bertha Capital, fez a empresa sair de 25 clientes em 2020 para os atuais 150. A meta para 2023 é quase dobrar, chegando a 255 clientes no final do ano.

“Nossa plataforma é usada por 95 mil usuários hoje e até o fim do ano a perspectiva é girar R$ 250 milhões em prêmios e incentivos pagos”, projeta Luciana Ramos, CEO da Cashin.

Além de detalhar o produto, a executiva antecipou à [EXP] o lançamento do Cashin Engaje, plataforma que permite a criação e o envio de campanhas de engajamento para os funcionários e terceiros. A empresa avalia também a possibilidade de lançar o produto para PMEs em uma versão automatizada, com modelo de negócio SaaS.

Como vocês chegaram à ideia da Cashin? Por que resolveram empreender com essa solução de incentivos digitais?

Luciana Ramos – Minha experiência foi toda desenvolvida no mercado de varejo e trade internacional, e a Nina também vem do varejo. Aliás, foi atuando nessa área que nos conhecemos. Em 2017 nos encontrávamos no mesmo momento profissional, querendo pivotar nossas carreiras e fazer algo diferente no digital. Fizemos uma pesquisa de mercado e localizamos essa dor que era a mesma de vários segmentos da indústria, de não ter uma solução eficaz, simples e 100% digital para pagar incentivos e prêmios aos funcionários e terceiros.

Como era esse mercado então?

Muito pulverizado, com controles manuais. A prática comum era usar o gift card para pagar o incentivo. Mas isso era um paliativo, porque tanto a legislação como o compliance jurídico não conseguiam rastrear o processo de ponta a ponta. Além disso, os beneficiários também não ficavam 100% contentes com a oferta de incentivo, pois ela era sempre ligada a um produto ou serviço em específico, que podia não ser aderente à preferência do usuário.

E como foi esse início? A Cashin começou bootstrap?

Sim, usamos somente investimento nosso no início. Tivemos muita sorte de ter um cliente, a Neo Química, para desenvolver o MVP do produto. A empresa nos abriu informações internas que não estavam disponíveis no mercado e a partir daí detalhamos todo o fluxo do processo, mapeamos as principais dores de uma grande empresa e as necessidades de cada área na organização do pagamento de incentivos e prêmios – jurídico, compliance, vendas etc. Desenvolvemos esse produto durante os anos de 2018 e 2019, e ele veio para resolver as principais dores de grandes clientes.

 

Dashboard Cashin

E quais são elas?

Imagine uma empresa como a Ambev, que é nossa cliente, com 8 mil usuários hoje na plataforma. Antes da Cashin ela precisava saber o nome completo de cada usuário, endereço e documento de identidade. Agora com apenas uma chave de acesso – celular ou e-mail – o próprio usuário se responsabiliza em fornecer essas informações ao se conectar à plataforma. Ele também dá o aceite no termo de uso, o que facilita o compliance com o processo de LGPD da empresa.

Ao se logar no aplicativo, o dinheiro do incentivo já está na conta. Todo o processo de depósito do valor e retirada é rastreado, armazenado, detalhado com histórico, ou seja, deixamos o sistema próprio para ser auditado. Isso é algo que o mercado precisava e que era muito difícil de obter com essa simplicidade com processos manuais. Nossa plataforma abrange a visão do usuário dos incentivos e a visão da empresa, já que emite relatórios e extratos gerenciais de todas as transações.

De que forma o usuário resgata esse valor do incentivo?

Hoje nossa plataforma é a única que oferece uma ampla gama de opções de resgate, 360 graus. Você pode fazer TED do valor, pagar conta de banco, fazer recarga de celular, pedir um cartão pré-pago virtual, pagar com QRCode direto na maquininha, ou mesmo regatar o cupom de uma loja parceira. São mais de 130 varejistas no aplicativo. Assim cada um consome o produto que mais interessar, ou simplesmente acessa o dinheiro para uso próprio. Não tem como ele não se sentir satisfeito com a oferta.

O foco da plataforma é voltado somente para o pagamento de incentivos e prêmios?

É interessante esclarecer esse ponto, pois essa é uma dúvida do mercado em geral. Trata-se do recebimento de um dinheiro porque a pessoa atingiu uma meta, ou é reconhecida por tempo de casa. A gente brinca dizendo que o dinheiro do incentivo é um dinheiro feliz, algo extraordinário que não tem relação com a política de benefícios da empresa, como vale-transporte, refeição, e que faz parte do pacote de contratação.

Devido a essa característica, temos inclusive muitos terceiros, representantes de vendas, pessoas que não são funcionários internos da empresa e que podem se conectar de forma bem fácil para receber o valor do incentivo. Hoje, 60% da nossa base é de terceiros. Antes, em alguns casos, eles precisavam emitir nota fiscal para receber o incentivo da empresa. Ou seja, eles acabavam tendo um trabalho adicional para receber o incentivo e ainda tinham que pagar imposto sobre o valor a receber, se sentiam prejudicados.

Que novidades a Cashin vai lançar em 2023?

A principal delas é a Cashin Engaje, que é uma plataforma que permite a criação e o engajamento de funcionários e terceiros nas campanhas de incentivo. Ou seja, além de pagar os incentivos pelo nosso sistema, ela poderá lançar as campanhas digitalmente, engajando as pessoas da base já cadastrada. A campanha será enviada por e-mail, WhatsApp, por múltiplos formatos, ampliando o poder de divulgação junto à base.  As possibilidades serão muitas, a empresa pode criar desde uma campanha para todos até uma campanha de fim de semana para uma loja específica, que está, por exemplo, abaixo da meta de vendas. O MVP foi testado com um cliente nosso, a Melitta, foi um sucesso, e agora vamos abrir para outros clientes.

 

Cashin Engaje vai permitir a criação e a distribuição de campanhas de incentivo e prêmios.

 

O foco da Cashin são apenas as grandes empresas?

Essa era uma dor maior das grandes, porém 20% da nossa base hoje já é composta de pequenas e médias empresas. Inclusive estamos testando com essa base de clientes uma oferta voltada às PMEs que possa ser consumida em um formato SaaS. É outra frente que deverá ser lançada esse ano. Também fechamos uma parceria com uma empresa financeira para oferecer microcrédito para os beneficiários. Hoje, cerca de 60% do nosso público está na base da pirâmide, então uma oferta de crédito – falamos até em nanocrédito – para somar ao valor recebido como incentivo das empresas irá permitir uma compra maior.

Qual é o modelo de negócios da Cashin?

A empresa paga um percentual do valor que é transacionado na plataforma. Normalmente estabelecemos contratos anuais, onde a empresa predetermina o valor dos incentivos, e vai administrando a entrega ao longo do ano, em diferentes campanhas. Faz parte da nossa cultura ter processos e experiências de uso simples e é essa simplicidade que a gente busca na hora de cobrar também: não há mensalidade, ou tarifa por pessoa. A empresa sabe exatamente quanto irá pagar pelo uso da Cashin. Temos também outras receitas, como as provenientes da taxa de uso da bandeira do cartão ou das parcerias com as varejistas que estão na plataforma.

Em 2022 vocês receberam um aporte de R$ 7 milhões, liderado pela gestora Bertha Capital. Onde esse dinheiro será aplicado?

Esse é o segundo investimento da Cashin, que dessa vez veio via Corporate Venture Capital. Vamos continuar investindo na plataforma, na melhoria do produto para deixá-lo ainda mais escalável, além de ampliar a equipe, em especial a área comercial e de marketing, já que temos uma meta de quase dobrar o número de clientes em 2023. Atualmente temos 150 clientes, 80% deles de grandes empresas, e queremos conquistar mais 120 esse ano. A meta é girar R$ 250 milhões na plataforma em 2023.

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